Criança de 11 anos relata pressão psicológica e uso de caneta emagrecedora: “Falavam que eu era feia”

Uma menina de 11 anos, internada após apresentar graves sintomas após supostamente usar uma caneta emagrecedora, revelou ter sido vítima de intensa pressão psicológica dentro da própria família. Segundo o seu relato ao Campo Grande News, os comentários sobre sua aparência física começaram após a morte do avô, figura que ela descreve como um pai. A avó materna e o tio da criança são os principais suspeitos no caso, que envolve um medicamento adquirido no Paraguai.

Menina alega ter sido pressionada a usar caneta emagrecedora

A criança, que perdeu cerca de 5 quilos em uma semana e apresentou desmaios, tremores e desidratação, contou que as críticas sobre seu corpo se intensificaram após o falecimento do avô. Ela relatou que o tio, advogado de 38 anos, passou a frequentar mais a casa da avó, de 68 anos, e iniciou os comentários negativos. “Falavam que eu estava gorda, que eu estava feia”, disse a menina, detalhando a pressão psicológica sofrida.

O tio teria afirmado que, se ela não aceitasse usar o medicamento, continuaria com a aparência considerada feia e futuramente se tornaria obesa. “Eu nunca fui gorda. Me deixei levar pela pressão psicológica dele”, declarou a menina, que afirmou nunca ter tido o desejo de tomar a medicação, mas cedeu à insistência constante.

Medicamento comprado no Paraguai e aplicação sem preparo

De acordo com o relato da menina, o produto teria sido comprado no Paraguai e aplicado sem o devido preparo. “Eles não sabiam aplicar. Ficou marca na minha barriga”, contou ela, evidenciando a falta de conhecimento técnico no procedimento. Após o uso, os efeitos físicos começaram a aparecer de forma alarmante.

A criança descreveu que ficou “muito seca” e com dificuldade para se alimentar. Os sintomas evoluíram para desmaios, com um episódio em que ela caiu no chão ao levantar para ir ao banheiro, ficando com a visão escurecida. Ao comunicar o mal-estar à avó, teria sido informada que o quadro era “normal”. A mãe da menina procurou as autoridades após notar a rápida deterioração da saúde da filha.

Investigação aponta avó e tio como suspeitos; medidas protetivas impostas

Um boletim de ocorrência e um relatório médico, divulgados anteriormente, confirmam que a menina perdeu aproximadamente 5 quilos em uma semana, apresentando desidratação, tremores, tonturas, insônia e redução severa do apetite. O documento médico também alertou para o risco de prejuízos ao desenvolvimento físico da criança.

A investigação policial aponta a avó materna, de 68 anos, e o tio, advogado de 38 anos, como suspeitos. Por decisão judicial, ambos estão proibidos de se aproximar ou manter contato com a menina. Conforme o Campo Grande News checou, o médico responsável pelo atendimento ressaltou que medicamentos como o supostamente utilizado pela criança possuem indicação restrita e podem causar consequências graves em menores, como desidratação severa e alterações na pressão arterial.

Avó nega acusações e alega extorsão em meio a disputa por herança

Procurada pela reportagem, a avó negou todas as acusações, afirmando que a denúncia seria motivada por conflitos familiares relacionados a um inventário. “É tudo mentira isso”, declarou a avó, que também alegou ser vítima de tentativa de extorsão e ter procurado a polícia para registrar um boletim de ocorrência. Essa versão, no entanto, não foi confirmada pelas autoridades e não consta nos documentos da investigação até o momento, conforme apurado pelo Campo Grande News.

O caso segue sob investigação das autoridades competentes. Por envolver uma menor de idade, a identidade dos familiares citados está preservada. O Campo Grande News, em sua apuração, buscou contato com o tio investigado, mas as ligações não foram atendidas até a publicação desta matéria. A situação levanta sérias preocupações sobre o uso de substâncias para emagrecimento em crianças e a importância da proteção infantil.