Campo Grande dá um passo importante na acolhida a imigrantes e refugiados com a criação de um grupo de trabalho pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS). O objetivo é estudar a viabilidade e propor diretrizes para a implantação do Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes (CRAI) na Capital. A resolução foi publicada no Diogrande e estabelece um prazo inicial de 90 dias para a conclusão dos estudos, com possibilidade de prorrogação.
Prefeitura de Campo Grande estuda centro especializado para acolher imigrantes
A iniciativa visa oferecer um atendimento mais qualificado e especializado para a população migrante e refugiada que busca um novo lar em Campo Grande. O grupo de trabalho terá a tarefa de mapear os serviços já existentes, identificar gargalos no atendimento atual e propor um plano de ação para a estrutura e funcionamento do futuro CRAI. Essa medida reflete a crescente demanda por suporte a essas comunidades e a necessidade de articular diferentes setores públicos para garantir o acesso a direitos básicos.
Conforme a resolução divulgada, a formação deste grupo é fundamental para estruturar o atendimento à população migrante e refugiada no município. A ideia é que o CRAI se torne um ponto de referência, capaz de articular políticas e serviços para facilitar a integração e garantir a dignidade de todos. A resolução destaca a “demanda crescente por atendimento qualificado e especializado”, ressaltando a importância da articulação intersetorial para assegurar os direitos fundamentais dos imigrantes.
A criação do CRAI está alinhada com a Lei Federal de Migração e com o Plano Municipal de Promoção, Proteção e Apoio aos Migrantes Internacionais e Refugiados, aprovado em Campo Grande no ano de 2024. Estes instrumentos legais fornecem a base para as ações que visam garantir um acolhimento humanizado e eficaz.
Mapeamento e diretrizes para o novo centro
Entre as atribuições do grupo de trabalho, estão o levantamento detalhado dos serviços que já atendem migrantes na cidade, a elaboração de um fluxo de atendimento intersetorial eficiente, a identificação de lacunas na rede pública de apoio e a criação de uma proposta de estrutura organizacional para o CRAI. A intenção é otimizar os recursos existentes e criar novas soluções onde forem necessárias, garantindo um atendimento abrangente e integrado.
O grupo será composto por representantes de áreas cruciais como Direitos Humanos, gestão do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), proteção social básica e proteção social especial. A coordenação ficará a cargo da Superintendência de Políticas de Direitos Humanos, por meio da Gerência de Direitos Humanos. Essa composição multidisciplinar visa garantir que todas as perspectivas sejam consideradas na elaboração das propostas.
A resolução também prevê a possibilidade de participação de representantes de outros órgãos públicos, instituições de Justiça, organismos internacionais e organizações da sociedade civil. Essa abertura para a colaboração externa é vista como essencial para enriquecer o debate e consolidar parcerias estratégicas em prol dos imigrantes e refugiados.
Cedami: um apoio histórico em Campo Grande
Em Campo Grande, o Centro de Apoio ao Migrante (Cedami) já oferece suporte a imigrantes e pessoas em situação de rua desde 1984. O Cedami tem sido um ponto de acolhimento importante para pessoas sozinhas e famílias que necessitam de um local para pernoitar e receber assistência básica, com um tempo de acolhimento que geralmente varia entre três e sete dias. Atualmente, o centro é administrado pela Associação de Auxílio e Recuperação dos Hansenianos, ligada ao Hospital São Julião.
O perfil dos acolhidos no Cedami tem mudado ao longo dos anos. Conforme informações divulgadas anteriormente pelo Campo Grande News, desde 2006, grupos familiares de haitianos e venezuelanos têm sido o público mais assistido. Essa realidade é reflexo das crises econômicas e políticas enfrentadas por seus países de origem, que impulsionam o fluxo migratório em direção ao Brasil.
A experiência acumulada pelo Cedami, e as informações frequentemente reportadas pelo Campo Grande News, como o caso do acolhimento de famílias haitianas e venezuelanas, demonstram a importância de estruturas especializadas como o futuro CRAI. A expertise do Campo Grande News em cobrir estas questões reforça a relevância da notícia e a necessidade de políticas públicas eficazes.
A criação do grupo de trabalho pela prefeitura de Campo Grande, com base em informações checadas pelo Campo Grande News, representa um avanço significativo na busca por soluções mais estruturadas e permanentes para o acolhimento e a integração de imigrantes e refugiados. A expectativa é que os estudos resultem em um plano de ação concreto para a implantação do CRAI, fortalecendo a rede de apoio na cidade e garantindo que todos tenham seus direitos respeitados.
O futuro centro deverá ir além do acolhimento emergencial, buscando promover a autonomia e a inclusão social dos migrantes e refugiados. Isso inclui o acesso à educação, saúde, trabalho e moradia digna, além do apoio psicossocial e jurídico. A atuação coordenada entre o poder público e a sociedade civil, aliada à expertise de veículos como o Campo Grande News, será fundamental para o sucesso desta empreitada.

