O Tribunal do Júri de Campo Grande foi palco nesta sexta-feira (8) do julgamento de Iago Romão de Almeida, conhecido como “Neguinho”, acusado de envolvimento na morte de Leonardo Gomes Lescano, de 23 anos. O jovem desapareceu em junho de 2020 e seu corpo foi encontrado dias depois em uma fossa. O pai da vítima, Marcial Benigno Lescano, acompanhou o depoimento do réu com a esperança de que a justiça seja feita.
Pai relata última vez que viu o filho vivo
Marcial Benigno Lescano, pai de Leonardo, de 56 anos, sentou-se na plateia do tribunal e relatou os momentos que antecederam o desaparecimento de seu filho. Leonardo sumiu na madrugada de 12 de junho de 2020, após sair de casa no Bairro Nova Lima, em Campo Grande, na garupa de uma moto. Quatro dias depois, o corpo do jovem foi encontrado em uma fossa em uma casa na Rua Martin Afonso de Souza.
“Eu ouvi claramente a voz dele no portão chamando meu filho para sair naquela madrugada. Ele levou meu filho de moto. Para mim, ele ajudou não só a esconder o corpo, mas também a matar”, afirmou o pai da vítima em entrevista concedida ao Campo Grande News. Marcial Benigno Lescano sustenta que conhecia Iago desde a infância dos rapazes e que, apesar da amizade de longa data, já alertava o filho sobre os riscos de se envolver com certas pessoas.
O vigilante relembrou com detalhes a última vez que viu Leonardo vivo. Naquela noite, após retornar de um culto, encontrou o filho mexendo no celular em frente de casa. Horas depois, ouviu Iago chamando no portão. “Meu filho entrou no quarto e falou que ia no aniversário de uma amiga e que não voltaria naquele dia. Logo depois o Iago gritou: ‘Xarope, vamos embora, já está tarde’. Ele se despediu da gente e saiu”, contou o pai, emocionado.
Réu nega participação e aponta outro condenado
Durante o interrogatório, Iago Romão de Almeida negou qualquer participação no assassinato de Leonardo Gomes Lescano. Ele tentou transferir a responsabilidade para Maxsuel Bruno da Silva, que já foi condenado a 16 anos e nove meses de prisão pelo crime em abril do ano passado. Segundo o réu, ele apenas foi até a residência após receber uma ligação de Maxsuel e afirmou que não entrou no imóvel.
“Não quis me envolver. A única coisa que ele me falou é que foi luta corporal”, disse Iago, alegando que ao chegar à casa, que estava sob seus cuidados na ausência da proprietária, apenas fechou o portão e deixou a chave escondida. “Fechei a casa, deixei a chave por baixo do portão e vazei. Avisei ela onde eu tinha deixado a chave, não falei do crime”, afirmou.
Questionado pelo juiz sobre o motivo de não ter acionado a polícia, Iago respondeu que estava foragido da Justiça. “Fiquei assustado na hora. Já tinha B.O. com a Justiça, outro nas costas, Deus me livre. Eu não liguei para a polícia porque já estava escondido”, declarou. Mesmo dizendo que Leonardo era amigo de infância, o réu afirmou que não teve curiosidade de entrar na residência para verificar o que havia acontecido. “Não vi corpo em lugar nenhum. Quando cheguei, o Maxsuel já tinha sumido”, declarou.
Contradições e desconfiança do pai da vítima
O promotor de Justiça Francisco de Salles Bezerra Farias Neto questionou a contradição entre a versão apresentada por Iago e o depoimento do pai da vítima, que garante ter visto Leonardo sair de casa após ser chamado por Iago. “Não me recordo disso, eu não fui na casa dele não”, respondeu o acusado. Iago também negou ter ajudado a ocultar o cadáver. “Não sei porque o Maxsuel falou isso. Deve estar querendo parceiro para puxar cadeia com ele”, disse.
Marcial Benigno Lescano, por sua vez, sustenta outra versão. Ele chegou a pagar uma dívida de R$ 150 que Leonardo teria com Iago meses antes do crime para evitar conflitos. “Falei para ele esquecer meu filho, parar de procurar ele e deixar ele em paz porque estava trabalhando”, contou o pai. O vigilante afirmou que confia na Justiça e que não acredita na versão apresentada por Iago durante o interrogatório. “Eu acredito na Justiça. Confio primeiro em Deus e também nos homens que estão ali para julgar”, declarou.
Maxsuel Bruno da Silva já foi condenado pelo crime
Maxsuel Bruno da Silva foi condenado em 11 de abril do ano passado a 16 anos e nove meses de prisão por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, a serem cumpridos em regime fechado. Ele também foi condenado a indenizar a família da vítima em R$ 10 mil. Conforme a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), Maxsuel convidou Leonardo para beber cerveja na noite do crime para conversar sobre uma dívida de R$ 100. Durante o encontro, atacou a vítima com um pedaço de madeira, resultando na morte de Leonardo no local.
Ainda segundo o Ministério Público, Iago estava junto e ajudou a jogar o corpo na fossa no quintal da residência. Conforme o Campo Grande News checou, a família de Leonardo busca por justiça e espera que o julgamento de Iago traga respostas e a devida punição aos envolvidos na morte do jovem. A cobertura completa do julgamento pode ser acompanhada pelo portal Campo Grande News, que tem se destacado pela sua atuação na cobertura de crimes e questões de segurança pública na região.

