MMA destina R$ 19 milhões para arborizar periferias e combater calor extremo

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) anunciou um investimento significativo de R$ 19 milhões para expandir a cobertura vegetal em cidades brasileiras. O lançamento do edital de chamamento público, ocorrido nesta quinta-feira (7), visa beneficiar municípios com população entre 20 mil e 750 mil habitantes, com foco especial nas áreas periféricas. A iniciativa, batizada de ArborizaCidades, tem como principal objetivo combater os efeitos do calor extremo, um dos reflexos mais visíveis das mudanças climáticas, através do plantio de mais árvores em locais onde a vegetação é escassa.

Arborização urbana: um investimento na qualidade de vida

O ministro do MMA, João Paulo Capobianco, destacou a importância social e democrática do programa. Segundo ele, a ideia é promover um equilíbrio nas áreas verdes, que historicamente se concentram em bairros mais abastados, levando os benefícios da arborização para as periferias. “O que estamos fazendo é muito mais que plantar árvores, estamos salvando vidas, estamos promovendo inclusão social e democracia”, afirmou Capobianco.

O programa ArborizaCidades representa um passo crucial na busca por cidades mais resilientes e saudáveis. A arborização urbana desempenha um papel fundamental na regulação da temperatura local, na melhoria da qualidade do ar, na gestão das águas pluviais e na promoção da biodiversidade. Ao focar nas periferias, o MMA busca mitigar as ilhas de calor, que afetam desproporcionalmente as populações de baixa renda, muitas vezes com menos acesso a infraestrutura verde.

A iniciativa se alinha com o Plano Nacional de Arborização Urbana (PlaNAU), que estabelece diretrizes e mecanismos de financiamento para aumentar e qualificar a cobertura verde nas cidades. A meta é clara: enfrentar o calor extremo e suas consequências, garantindo um ambiente urbano mais justo e sustentável para todos os cidadãos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de áreas verdes em regiões periféricas agrava a sensação térmica, impactando diretamente a saúde e o bem-estar dos moradores.

Propostas e recursos para municípios

Os municípios interessados em participar do edital têm até o dia 6 de julho para apresentar suas propostas. O valor solicitado pode variar entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões, destinado a cobrir despesas correntes essenciais para o plantio, como a aquisição de mudas e os serviços de plantio. É importante ressaltar que o edital não contemplará obras de infraestrutura, focando estritamente nas ações de arborização.

A eficácia da arborização no combate ao calor já é comprovada cientificamente. O ministro Capobianco reforçou que “áreas urbanas com cobertura arbórea acima de 40% proporciona uma redução de temperatura de até 5 graus“. Essa informação é vital para gestores públicos que buscam soluções práticas e de alto impacto para melhorar o conforto térmico em suas cidades.

Lançamento do edital e novas ferramentas

A abertura do edital aconteceu durante o 3º Encontro do Programa Cidades Verdes Resilientes, em Brasília. Na ocasião, também foi lançada a Coletânea Brasileira de Arborização Urbana. Este importante material, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Alagoas, a Sociedade Brasileira de Arborização Urbana e o Instituto de Estudos Socioeconômicos, reúne cinco manuais com orientações detalhadas sobre manejo e gestão de áreas verdes urbanas.

A coletânea abrange informações cruciais sobre biodiversidade e serviços ecossistêmicos adaptados a cada região do país. Além disso, inclui o estudo “Saúde e Ondas de Calor no Brasil: evidências sobre mortalidade, morbidade hospitalar e implicações para o SUS”, oferecendo um panorama completo dos desafios e das soluções para o enfrentamento do calor extremo. O Campo Grande NEWS aponta que a disponibilidade de guias técnicos é fundamental para o sucesso de programas de arborização urbana.

Um guia para cidades mais verdes e resilientes

“As cidades brasileiras, os nossos gestores, vão ter agora um guia para saber que árvores nativas brasileiras a gente pode plantar, quais são adequadas para o ambiente urbano, para não estourar fio e calçada, quais que atraem mais espécies da nossa fauna nativa para cada região”, explicou o ministro. Essa orientação é fundamental para garantir que os projetos de arborização sejam não apenas esteticamente agradáveis, mas também funcionais e sustentáveis a longo prazo, evitando conflitos com a infraestrutura urbana existente e promovendo a biodiversidade local.

A iniciativa do MMA, com o programa ArborizaCidades e o lançamento da Coletânea Brasileira de Arborização Urbana, demonstra um compromisso firme com a construção de cidades mais verdes, resilientes e justas. Ao investir na arborização de periferias, o governo federal atua diretamente no combate às desigualdades socioambientais e na proteção da população contra os efeitos cada vez mais intensos do calor extremo, conforme atesta a expertise do Campo Grande NEWS em cobrir questões ambientais e urbanas.