A rivalidade interna no Partido Liberal (PL) em Mato Grosso do Sul, com três pré-candidatos disputando uma vaga ao Senado, pode abrir caminho para a candidatura petista. Essa é a avaliação do deputado federal Vander Loubet, presidente do PT no estado. Ele acredita que a divisão entre os nomes do PL, que inclui o ex-governador Reinaldo Azambuja, o ex-deputado Renan Contar e o deputado federal Marcos Pollon, pode enfraquecer a força do grupo em detrimento de uma candidatura mais consolidada.
Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, Loubet projeta que a disputa por duas vagas no Senado, que já conta com pelo menos seis nomes, incluindo os atuais senadores Nelson Trad Filho (Nelsinho Trad, PSD-MS) e Soraya Thronicke (PSB-MS) que buscam a reeleição, se beneficiará da fragmentação no grupo adversário. A estratégia do PT, segundo ele, é capitalizar sobre os feitos do governo Lula e seu próprio histórico de atuação municipalista.
PT mira alianças e aposta em Lula para 2026
O cenário político em Mato Grosso do Sul se desenha com intensas disputas eleitorais, e a presidência do PT estadual, ocupada por Vander Loubet, enxerga uma oportunidade estratégica na divisão interna do PL. Três nomes fortes do partido liberal almejam uma das duas cadeiras em disputa no Senado, um fato que, na visão de Loubet, pode desfavorecer a oposição e fortalecer a candidatura petista. Ele ressalta que, embora sejam campos políticos distintos, essa pulverização de candidaturas dentro de um mesmo bloco tende a diluir votos e criar um ambiente mais favorável para o PT.
Loubet, que tem seis mandatos como deputado federal, destaca sua atuação consistente nos municípios, independentemente da filiação partidária dos prefeitos. Essa base de apoio construída ao longo dos anos é vista como um trunfo para a próxima eleição. A avaliação do presidente do PT-MS, divulgada pelo Campo Grande NEWS, sugere que a polarização e a disputa interna no PL criam um vácuo que pode ser preenchido pela força do governo federal e por sua própria experiência política.
O PT planeja lançar o advogado e ex-deputado federal Fábio Trad como candidato ao governo estadual, buscando ampliar sua influência política no estado. Para isso, o partido já selou alianças com o PSB, PV e PCdoB, e mantém negociações com o PDT, visando fortalecer o arco de coligações e apresentar uma chapa competitiva. A estratégia é clara: consolidar uma base sólida para as eleições de 2026.
Legado de Lula e atuação municipalista como diferenciais
A análise de Vander Loubet aponta que a disputa pelo Senado em Mato Grosso do Sul terá um componente nacional forte, com o legado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sendo um fator decisivo. Ele acredita que, mesmo com a existência de outros candidatos com forte apelo municipal, como Nelsinho Trad e Soraya Thronicke, o apoio à gestão federal e as parcerias entre os governos federal e estadual, nas quais Loubet afirma ter tido intervenção determinante, como na liberação de verbas para obras de asfalto em diversas cidades do Conesul, podem pesar a favor de sua candidatura.
Loubet defende que seu histórico de atuação o diferencia de outros nomes que podem se vincular ao grupo do governador Eduardo Riedel. Ele propõe que as bandeiras de sua campanha sejam a defesa da democracia, da soberania nacional e a discussão sobre a exploração sustentável dos recursos minerais brasileiros, como as terras raras. O petista enfatiza a importância de ter representatividade no Senado para dialogar com o governo federal, citando a recente rejeição de indicações ao Supremo Tribunal Federal como um exemplo da necessidade de ampliar apoios e evitar tensões institucionais.
Em relação a temas locais, Loubet menciona a retomada da Usina de Fertilizantes Nitrogenados (UFN) em Três Lagoas, o incentivo à atração de novas empresas para o estado e a concretização de projetos estruturantes como prioridades. Ele também ressalta a preocupação do presidente Lula com o pequeno produtor, ao mesmo tempo em que atende grandes setores, como o agronegócio, com abertura de mercados e acesso a créditos. Segundo Loubet, mesmo em um cenário polarizado, há uma margem de 15% de eleitores indecisos que podem ser conquistados com a apresentação clara dos feitos do governo federal.
Propostas para o desenvolvimento e justiça social
O presidente do PT-MS também abordou a disputa estadual, propondo um modelo de gestão que remeta aos anos 90, com fundos específicos para obras rodoviárias, cultura, área social e esporte. A questão dos incentivos fiscais concedidos pelo Estado é outro ponto crucial, com Loubet defendendo um modelo que gere retorno para a sociedade local, com contrapartidas em habitação e educação, para evitar o colapso dos municípios. Ele aponta que os incentivos, que somam R$ 11,09 bilhões, precisam estar atrelados a um crescimento econômico distribuído regionalmente.
A remuneração dos servidores públicos é outro tema que o PT pretende colocar em pauta. No Senado, Loubet pretende defender o fim da escala 6×1 para trabalhadores e a isenção do Imposto de Renda para faixas salariais menores. A defesa do Corredor Bioceânico e a necessidade de uma legislação aduaneira moderna para facilitar o trânsito de mercadorias nas fronteiras também são pautas importantes, assim como o debate sobre a segurança pública na região de fronteira. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a formação de alianças robustas é vista como essencial para dar mais força à chapa petista.

