Censo preliminar em Campo Grande revela 1.416 pessoas em situação de rua

A primeira etapa do censo realizado pela Prefeitura de Campo Grande identificou um número preliminar de 1.416 pessoas em situação de rua na Capital. Os dados, coletados em setembro do ano passado e divulgados nesta segunda-feira (4), são um retrato inicial da população vulnerável e servirão de base para o planejamento de ações e políticas públicas mais eficazes.

Censo inédito: 1.416 pessoas em situação de rua em Campo Grande

O levantamento, considerado inédito no município, mobilizou cerca de 100 profissionais e 32 equipes, que percorreram aproximadamente 100 pontos estratégicos da cidade. A iniciativa visa não apenas quantificar, mas principalmente compreender o perfil, as necessidades e as demandas dessa população, conforme destacou a vice-prefeita e titular da Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS), Camilla Nascimento.

“Esse não é o resultado final do censo, porque há toda uma metodologia envolvida”, explicou Camilla Nascimento em entrevista ao Campo Grande News. Ela ressaltou que o número é preliminar e passará por tratamento estatístico, podendo sofrer alterações. A estrutura do censo começou a ser pensada em 2025, motivada pela crescente visibilidade de pessoas em situação de rua, especialmente na região central, e por recomendações do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Primeira fase: Contagem simultânea para evitar duplicidade

A primeira etapa do censo ocorreu em 30 de setembro, em um único dia. A estratégia de realizar a contagem de forma simultânea, com equipes da SAS e da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), tinha como objetivo principal evitar a duplicidade de registros, dado o fluxo constante de pessoas entre diferentes regiões da cidade. “É como se fosse uma fotografia da cidade naquele momento”, descreveu Camilla Nascimento.

A ação contou com a participação de aproximadamente 100 profissionais distribuídos em 32 equipes, que mapearam cerca de 100 pontos de concentração da população em situação de rua. Essa abordagem garante uma visão mais precisa da dimensão do fenômeno no município.

Segunda fase: Entrevistas para entender o perfil e as necessidades

Após a fase de contagem, a Prefeitura iniciou a segunda etapa do censo, que consiste na aplicação de questionários e entrevistas diretas com as pessoas em situação de rua. O foco é coletar informações detalhadas sobre saúde, trabalho, acesso a serviços públicos e outras demandas sociais.

“Mais do que saber o número, queremos entender o perfil dessas pessoas e onde as políticas públicas precisam ser reforçadas”, afirmou a secretária. Esta fase, que começou em abril, tem previsão de conclusão ainda em maio. Os dados coletados serão submetidos à análise técnica e consolidação, com expectativa de divulgação do resultado final até o início do segundo semestre de 2025.

Parcerias e metodologias aprimoradas

O levantamento está sendo realizado em parceria com o Governo do Estado e a Defensoria Pública. A vice-prefeita mencionou que, embora já existam dados mais detalhados, como recortes por gênero, a divulgação dessas informações específicas está sendo feita com cautela. “Como se trata de uma população vulnerável, há receio de exposição e de interpretações que possam gerar mobilizações ou até assustar essas pessoas”, justificou.

A Prefeitura também tem investido no aprimoramento da metodologia do censo, buscando incorporar novas práticas. Recentemente, um representante do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) participou de um workshop para discutir estratégias para um possível Censo Nacional em 2028, promovendo uma troca de experiências valiosa. “Conseguimos trazer novas metodologias para Campo Grande e também apresentar a nossa realidade. É uma troca bastante produtiva”, avaliou Camilla Nascimento.

Cenário nacional e dados anteriores

O número preliminar divulgado pela Prefeitura de Campo Grande está em consonância com estimativas de pesquisas nacionais. O Observatório Nacional da População em Situação de Rua (OBPopRua), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), aponta aproximadamente 1.611 pessoas em situação de rua na Capital, com uma margem de erro de cerca de 200 pessoas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, dados anteriores do Cadastro Único (CadÚnico) indicavam um aumento expressivo, com a população em situação de rua na Capital mais que triplicando em sete anos, passando de 503 pessoas em 2018 para 1.611 em outubro de 2025, um crescimento de 220%.

No cenário nacional, Campo Grande figura como a 19ª capital com maior número de pessoas em situação de rua. O Estado de Mato Grosso do Sul ocupa a 20ª posição entre os estados, e está entre os 12 que registraram aumento dessa população nos últimos anos, segundo o OBPopRua. O Campo Grande NEWS acompanha de perto essas estatísticas, que evidenciam a necessidade contínua de políticas públicas eficazes e atualizadas.

O aprimoramento contínuo dos dados e das estratégias de abordagem são fundamentais para garantir que as políticas públicas de assistência social sejam direcionadas de forma mais efetiva, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e a reinserção social dessa parcela da população. O trabalho conjunto com órgãos estaduais e a defensoria pública reforça o compromisso da gestão municipal em lidar com essa complexa questão social.