Gasolina sobe e ganha mercado em MS; Etanol e Diesel seguem a tendência de alta nos preços, mas com comportamentos distintos de consumo

Em um cenário econômico que desafia as previsões, Mato Grosso do Sul presenciou um movimento surpreendente no mercado de combustíveis no primeiro trimestre de 2026. Mesmo com o preço da gasolina comum em elevação, o volume de vendas do derivado de petróleo apresentou um **crescimento notável**, superando as expectativas e indicando uma mudança no comportamento do consumidor sul-mato-grossense. A tendência contrasta com o etanol hidratado, que, apesar de ser uma alternativa mais ecológica e muitas vezes mais barata, viu seu consumo encolher no mesmo período.

O diesel, por sua vez, também acompanhou a alta geral dos preços, mas conseguiu manter uma trajetória de **aumento no volume comercializado**, demonstrando a força deste combustível, essencial para o setor de transportes e logística no estado. As dinâmicas apresentadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) revelam um mercado de combustíveis em constante mutação, influenciado por fatores econômicos, ambientais e de preferência do consumidor. Essa análise detalhada, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, oferece um panorama claro das escolhas que estão moldando o cenário energético regional.

Gasolina em alta, mas com vendas aquecidas em MS

No período entre janeiro e março de 2026, o preço médio do litro da gasolina comum em Mato Grosso do Sul saltou de R$ 6,03 para R$ 6,52, configurando uma **alta expressiva de 8,13%**, de acordo com dados da ANP. Este aumento, que poderia sugerir uma retração nas vendas, não se confirmou. Pelo contrário, o volume comercializado para as distribuidoras no estado avançou em 8,65%.

Os números revelam um salto de 168,7 milhões de litros no primeiro trimestre de 2025 para **183,3 milhões de litros em 2026**. Esse desempenho, que pode parecer contraintuitivo, sugere que os consumidores optaram pela gasolina mesmo com o preço mais elevado, possivelmente por questões de disponibilidade, autonomia ou por uma menor percepção de custo-benefício do etanol.

Etanol perde espaço apesar da competitividade inicial

O etanol hidratado, conhecido por ser uma opção mais econômica e sustentável, apresentou um comportamento diametralmente oposto ao da gasolina. No mesmo período, o preço médio do litro do etanol hidratado subiu de R$ 4,05 em janeiro para R$ 4,44 em março, um **aumento de 9,63%**. Essa elevação, combinada com outros fatores, levou a uma **queda de 5,84% no volume de vendas**.

O volume comercializado caiu de 92,7 milhões de litros para **87,3 milhões de litros** entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026. Essa retração no consumo do etanol pode ser atribuída à perda de competitividade em relação à gasolina, considerando a proporção de preço e o rendimento de cada combustível em veículos flex, ou ainda a uma preferência renovada pela gasolina, como analisado pelo Campo Grande NEWS.

Diesel mantém crescimento em volume mesmo com alta de preço

O diesel demonstrou uma dinâmica singular no mercado sul-mato-grossense. O preço médio do litro do diesel comum sofreu um **aumento significativo de 20,67%**, passando de R$ 5,95 em janeiro para R$ 7,18 em março. Apesar dessa escalada de preços, o volume comercializado continuou a crescer.

De 510,2 milhões de litros no primeiro trimestre de 2025, o volume saltou para **544,4 milhões de litros em 2026**, um **avanço de 6,69%**. Este cenário reforça a importância do diesel para a economia do estado, especialmente para o setor de transportes, onde a demanda se mantém robusta mesmo diante de custos mais elevados. A análise do Campo Grande NEWS aponta para a resiliência do setor logístico.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) é a responsável por coletar e divulgar esses dados, que servem como termômetro para a economia e os hábitos de consumo. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a variação nos preços e volumes reflete um complexo jogo de fatores, incluindo a política de preços da Petrobras, custos de produção, demanda sazonal e a competitividade entre os diferentes tipos de combustíveis. A tendência observada em Mato Grosso do Sul pode indicar padrões que se repetirão em outras regiões do país, merecendo atenção especial de consumidores e empresas.