Energia solar: R$ 300 bilhões investidos, mas setor freia em 2025

A energia solar no Brasil atingiu um marco impressionante, com investimentos acumulados que ultrapassam a marca de R$ 300 bilhões. Este valor abrange tanto as grandes usinas de geração centralizada quanto os sistemas de geração própria, instalados em residências e empresas. Os dados, divulgados pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), revelam um setor em franca expansão, consolidando a energia solar como a segunda maior fonte da matriz elétrica brasileira, respondendo por 25,3% da geração total.

Contudo, apesar desse crescimento expressivo, o setor de energia solar tem observado uma desaceleração recente. O último ano registrou uma queda no ritmo de novos projetos, um cenário preocupante que levanta questões sobre os entraves que podem estar freando o potencial solar do país. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, essa redução se deve, em parte, a cortes na compensação financeira para a energia excedente produzida por usinas renováveis e a dificuldades de conexão para sistemas menores, impactadas pela capacidade das redes elétricas. Essa análise detalhada, realizada pelo Campo Grande NEWS, busca entender as nuances desse momento crucial para a energia solar.

A presidente eleita do conselho da Absolar, Barbara Rubim, aponta que a prioridade para os próximos anos será a promoção de uma expansão sustentável da fonte solar. Isso inclui um foco intenso em melhorias regulatórias, o fortalecimento do mercado livre de energia e o incentivo a tecnologias complementares, como o armazenamento de energia e o hidrogênio verde. A entidade defende medidas que podem ser implementadas de forma ágil, por meio de decretos e portarias, sem a necessidade de longos processos legislativos no Congresso Nacional, conforme checou o Campo Grande NEWS.

Investimentos e Empregos: Números que Impressionam

Os investimentos acumulados em energia solar ultrapassam os R$ 300 bilhões, um reflexo direto do potencial do Brasil. Na última década, o setor foi responsável pela geração de mais de 2 milhões de empregos, demonstrando seu impacto social e econômico. A capacidade instalada já atinge 68,6 gigawatts (GW) em operação, e a arrecadação pública gerada pelo setor soma R$ 95,9 bilhões. Esses números consolidam a energia solar como um pilar fundamental para a transição energética do país.

Desaceleração em 2025 e os Desafios do Setor

Apesar do panorama positivo geral, o ano de 2025 apresentou uma retração significativa. A potência adicionada à matriz energética caiu 25,6%, passando de 15,6 GW em 2024 para 11,6 GW no ano seguinte. A Absolar atribui essa desaceleração a fatores como a falta de compensação financeira para a energia excedente de usinas renováveis e as dificuldades de conexão para pequenos sistemas, que esbarram na capacidade das redes elétricas. Esses entraves, segundo a entidade, limitaram o potencial de crescimento, levando ao fechamento de empresas, cancelamento de investimentos e redução de postos de trabalho.

Expansão Nacional e Liderança por Estado

A energia solar se espalha por todo o território nacional, com usinas de grande porte em diversas regiões e sistemas de geração distribuída presentes em mais de 5 mil municípios. No ranking de geração centralizada (grandes usinas), Minas Gerais lidera com 8,6 GW, seguido pela Bahia (2,9 GW) e Piauí (2,4 GW). Já na geração distribuída (pequenas usinas e telhados), São Paulo se destaca com 6,5 GW, seguido por Minas Gerais (5,8 GW) e Paraná (4,2 GW). Essa capilaridade demonstra a versatilidade e o alcance da tecnologia solar no Brasil.

O Caminho para um Crescimento Sustentável

A Absolar foca em soluções para reverter a desaceleração e impulsionar um crescimento sustentável. A regulamentação do armazenamento de energia elétrica junto ao Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi) é um dos pontos cruciais defendidos pela entidade. Além disso, a associação propõe alterações para estimular projetos de armazenamento no regime especial a setores da economia incluídos na reforma tributária. A presidente eleita, Barbara Rubim, reforça que a entidade trabalhará para superar os obstáculos regulatórios e de infraestrutura, garantindo que a energia solar continue a ser um motor de desenvolvimento para o Brasil, como atesta a análise aprofundada do Campo Grande NEWS.