O feriado do Dia do Trabalhador se transformou em um pesadelo para Elci Lima, de 43 anos, que buscou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Coronel Antonino, em Campo Grande. Ela alega ter enfrentado uma espera de quase cinco horas para ser atendida, gerando grande indignação.
A autônoma procurou a unidade de saúde com queixas de problemas cardíacos, apresentando uma guia médica em mãos. No entanto, foi informada que necessitaria de uma nova consulta para obter outra guia, o que considerou um absurdo.
O caso, que foi sugerido por um leitor ao canal Direto das Ruas, levanta questionamentos sobre a eficiência do atendimento em unidades de saúde pública, especialmente em datas comemorativas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação na UPA Coronel Antonino gerou revolta em outros pacientes, que também apresentavam sinais de urgência.
Demora que desafia a urgência
Elci Lima chegou à UPA Coronel Antonino por volta das 10h30 da manhã da última sexta-feira (1º). Até às 15h, ela relatou não ter sido chamada para atendimento, somando um tempo de espera de quase cinco horas. “Já são 5 horas de espera”, expressou sua frustração à reportagem.
A paciente explicou que procurou a unidade de saúde após sentir dores no peito e outros sintomas relacionados a problemas cardíacos. No dia anterior, ela já havia passado por uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde recebeu solicitação para realizar exames de raio-X de tórax e eletrocardiograma.
Ao chegar na UPA, a surpresa: mesmo com a guia médica em mãos, foi informada que precisaria passar por uma nova consulta apenas para conseguir uma nova guia para os exames. “Já estou com a guia da médica em mãos, mas pediram uma nova guia do médico daqui”, relatou, visivelmente abalada.
Pulseiras amarelas sem prioridade
O que mais chocou Elci e outros pacientes foi a constatação de que diversas pessoas classificadas com pulseira amarela, que indica casos urgentes, também aguardavam desde o período da manhã. Na triagem de unidades de pronto atendimento, a cor amarela geralmente sinaliza a necessidade de atendimento prioritário, devido à gravidade do quadro clínico.
A demora, especialmente em um feriado, gerou um sentimento de descaso. “Total desrespeito ao trabalhador que paga pelo SUS”, desabafou Elci, evidenciando a sensação de abandono por parte do sistema de saúde.
Sesau ainda não se pronunciou
A equipe de reportagem do Campo Grande NEWS entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau) para obter um posicionamento sobre a longa espera e a situação relatada na UPA Coronel Antonino. Até o fechamento desta matéria, a Sesau não havia emitido nenhum comunicado oficial sobre o caso.
A falta de resposta da secretaria agrava a insatisfação dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), que esperam por agilidade e eficiência no atendimento, principalmente em momentos de necessidade e em datas que deveriam ser de descanso e celebração para os trabalhadores. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando o caso e buscará o retorno da Sesau para esclarecer os fatos.
Casos como o de Elci Lima reforçam a importância de um sistema de saúde acessível e resolutivo, que atenda às demandas da população com a presteza que os cidadãos merecem, garantindo o direito à saúde conforme preconiza a Constituição.

