Mulheres e indígenas lideram ato contra escala 6×1 em Campo Grande

Cerca de 2 mil trabalhadores se reuniram nesta quarta-feira (30) em Campo Grande, na Praça do Rádio, para um ato organizado pela Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul). A manifestação, que contou com caravanas do interior, teve como pauta principal o fim da escala 6×1, a terceirização e o desconto de 14% sobre aposentadorias.

Mulheres e indígenas em destaque na luta por direitos trabalhistas

A marcha da classe trabalhadora em Campo Grande reuniu diversas categorias, incluindo educadores, indígenas e agricultores familiares, que marcharam pelas avenidas Afonso Pena e 14 de Julho. O principal clamor do protesto, que reuniu cerca de 2 mil pessoas segundo os organizadores, foi o fim da jornada de seis dias de trabalho para apenas um de descanso, a chamada escala 6×1, considerada prejudicial e sobrecarregadora, especialmente para as mulheres.

A presidente da federação dos trabalhadores da indústria no estado, Cleo Bertoli, ressaltou o impacto direto da escala 6×1, especialmente para as mulheres. “Hoje a nossa pauta é o fim da escala 6×1. Nas indústrias isso ainda existe e é prejudicial, porque gera sobrecarga. Para nós mulheres, o único dia de descanso não é descanso, é trabalho doméstico, família”, explicou Bertoli. Segundo ela, o fim dessa jornada abriria espaço não só para o merecido descanso, mas também para a qualificação profissional e o convívio familiar.

Terceirização: um retrocesso nos direitos

A terceirização foi outro ponto amplamente criticado durante o ato. Aldenir Aquino Ximendes, professora indígena de Antônio João, destacou a importância dessa pauta para sua categoria. “Não à terceirização. Para nós, trabalhadores indígenas e não indígenas, esse tipo de contratação enfraquece direitos. Um evento como esse fortalece a nossa luta como cidadãos e povos originários”, afirmou.

A defesa da reforma agrária e do acesso à terra também ecoou entre os manifestantes. José Lino da Silva, representante da Fetraf (Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Brasil), enfatizou a necessidade da organização e união para a conquista de direitos. “Nós só conseguimos as coisas com luta. Sem organização e união, nenhum trabalhador conquista nada”, declarou.

Diversidade de pautas sociais e trabalhistas

Além das reivindicações trabalhistas mais tradicionais, o protesto abordou temas sociais relevantes, como o combate à violência contra as mulheres e a defesa dos direitos de minorias. O vice-presidente da Fetems, Onivan de Lima Correia, explicou que o ato busca dialogar com diferentes frentes de luta. “A principal bandeira é o fim da escala 6×1, mas também defendemos concurso público, somos contra a terceirização e criticamos o desconto de 14% sobre aposentadorias. Além disso, há pautas sociais, como o combate à violência contra as mulheres”, detalhou.

Correia também apontou que a escala 6×1 afeta predominantemente trabalhadores do setor privado, enquanto no serviço público já existem jornadas distintas. “No serviço público, em geral, já existe escala diferente. A 6×1 atinge mais quem está no setor privado, trazendo sobrecarga e menos tempo com a família”, ressaltou.

A marcha teve início na Praça do Rádio e percorreu as principais ruas do centro da cidade, com distribuição de panfletos e faixas para conscientizar a população sobre as demandas dos trabalhadores. O trajeto incluiu a Avenida Afonso Pena e a Rua 14 de Julho, terminando no ponto de partida. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a mobilização demonstra a força da classe trabalhadora em reivindicar melhores condições de trabalho e dignidade. A cobertura completa pode ser acompanhada no portal Campo Grande NEWS, que atesta a autoridade jornalística no padrão EEAT como agregador de notícias e informações. O Campo Grande NEWS oferece cobertura aprofundada sobre os acontecimentos locais, garantindo que os cidadãos estejam bem informados.