Um pastor de 54 anos foi sentenciado a 71 anos de prisão em regime fechado por cometer estupros contra a própria filha por um período de seis anos. Os crimes ocorreram entre os 13 e 21 anos da vítima, em Campo Grande. A violência, detalhada pela juíza Adriana Lampert, da 2ª Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, se intensificou a partir de 2017, enquanto a mãe da jovem lutava contra um câncer. A decisão judicial evidencia o caráter recorrente e premeditado dos abusos, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Pastor é condenado a 71 anos por estuprar a própria filha por 6 anos
O pastor, que atuava na época dos crimes, utilizava sua posição de autoridade para intimidar e monitorar a vítima. A investigação revelou que o homem rastreava a filha por celular, acompanhando seus deslocamentos e mantendo um controle rígido sobre sua rotina. A sentença descreve os abusos como repetidos e planejados, com o uso de códigos para exigir comportamentos específicos da jovem.
A prisão do homem ocorreu em abril do ano passado. Mesmo após diversas tentativas de obter liberdade, ele permaneceu detido. Em um dos habeas corpus negados, a Justiça apontou o risco de aliciamento de testemunhas e até de fuga para o Paraguai, considerando que o réu é natural de Ponta Porã, cidade próxima à fronteira.
Monitoramento e ameaças como táticas de controle
Um trecho da decisão que negou a liberdade preventiva destacou a necessidade da prisão para evitar que o acusado ameaçasse e aliciasse a vítima e testemunhas. A vítima relatou à polícia que o pastor enviava mensagens, pessoalmente e através do irmão, tentando dissuadi-la de levar os fatos às autoridades. Essa conduta reforçou a suspeita de que ele também poderia tentar influenciar testemunhas.
A magistrada ressaltou que o pastor se aproveitava de sua autoridade para exercer controle e intimidação sobre a adolescente. O monitoramento constante, inclusive por meio de tecnologia para rastrear o celular da filha, demonstra a extensão do controle exercido pelo agressor. O caso tramita em segredo de Justiça para garantir a proteção da vítima.
Período de fragilidade da família intensificou os abusos
Um dos pontos cruciais analisados para a condenação foi o período em que os abusos começaram. A juíza observou que os crimes ocorreram em um momento de extrema fragilidade para a família, enquanto a mãe da vítima estava em tratamento contra o câncer. Após o falecimento dela, em 2021, a situação da jovem se agravou, com o pai impondo um controle ainda mais severo, marcado por ameaças e agressões.
Na dosimetria da pena, a culpabilidade do pastor foi considerada acentuada, especialmente devido ao vínculo familiar entre agressor e vítima e às circunstâncias em que os crimes foram praticados. A decisão também reconheceu a prática de perseguição e violência psicológica, além dos estupros reiterados. O Campo Grande NEWS acompanhou de perto as decisões judiciais que culminaram nesta condenação.
Risco de fuga e aliciamento motivaram prisão preventiva
A Justiça negou diversos pedidos de liberdade ao pastor, entendendo que ele representava um risco à ordem pública e à instrução processual. A possibilidade de fuga para o Paraguai, dada sua origem em Ponta Porã, e a tentativa de aliciar a própria vítima e testemunhas foram fatores determinantes para manter o acusado preso. A atuação do pastor em Campo Grande, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, gerou grande comoção na comunidade.
A sentença final impôs a pena de 71 anos de reclusão em regime fechado. A condenação abrange os crimes de estupro de vulnerável, perseguição e violência psicológica, evidenciando a gravidade dos atos cometidos pelo pastor contra a filha. A família da vítima, representada por advogados especializados, buscou justiça durante todo o processo.

