Brasil reduz perdas florestais em 42% em 2025, aponta estudo

O Brasil registrou uma expressiva redução de 42% nas perdas de cobertura arbórea em florestas tropicais úmidas em 2025, comparado ao ano anterior. O dado, divulgado pelo Global Forest Watch (GFW), organização ligada ao World Resources Institute (WRI), aponta para 1,6 milhão de hectares de floresta tropical perdidos. A queda é impulsionada principalmente pela diminuição de derrubadas sem o uso do fogo, como desmatamento e corte raso.

A redução nas perdas não relacionadas a incêndios foi de 41%, alcançando o menor nível desde 2001, quando o monitoramento começou. Elizabeth Goldman, codiretora do GFW, destacou que essa diminuição é um sinal positivo, mas ressaltou a persistência de outros desafios ambientais. Conforme informação divulgada pelo Global Forest Watch, o Maranhão foi o único estado a registrar aumento nas perdas de cobertura arbórea.

Amazonas lidera redução, mas Maranhão contraria tendência

Estados como Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre e Roraima foram os principais responsáveis pela diminuição das perdas florestais, respondendo por mais de 40% da redução total. O Amazonas, em particular, teve um papel crucial nesse cenário positivo. O estudo, baseado em dados do Laboratório de Análise e Descoberta de Terras Globais (Glad) da Universidade de Maryland, analisa a vegetação primária, ou seja, áreas naturais maduras com vegetação original.

Diferentemente do sistema oficial brasileiro Prodes, que foca em desmatamento, o modelo do Global Forest Watch considera outros distúrbios, como corte seletivo e mortes naturais, oferecendo um panorama mais abrangente da saúde florestal. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa metodologia mais completa permite uma avaliação mais precisa do estado das florestas.

Brasil alinhado com metas globais e força-tarefa governamental

Elizabeth Goldman avalia que a redução apontada pelo estudo está alinhada ao declínio no desmatamento observado em diversos biomas brasileiros, conforme dados do Prodes. A Caatinga, bioma de florestas secas no Nordeste, também apresentou diminuição nas perdas. Mirela Sandrini, diretora executiva da WRI Brasil, atribui os resultados a uma força-tarefa coordenada pelo governo, com engajamento da sociedade civil, academia, comunidades locais e setor privado.

Iniciativas como a intensificação da produção em áreas já desmatadas, a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e ações de remuneração por serviços ambientais são vistas como fundamentais para alcançar as expectativas globais de preservação para a próxima década. O Brasil, central nas discussões sobre segurança alimentar, energética e climática, demonstra com esses números sua capacidade de contribuir para soluções em larga escala.

Perdas globais diminuem, mas incêndios permanecem um desafio

No cenário global, as florestas tropicais úmidas perderam 4,3 milhões de hectares em 2025, uma redução de 35% em relação a 2024, ano que registrou um recorde de 6,7 milhões de hectares perdidos. As perdas não relacionadas a incêndios foram as mais baixas da última década, com queda de 23%. No entanto, as perdas causadas por incêndios continuam elevadas, ocupando a terceira maior marca desde 2001. Conforme o Campo Grande NEWS checou, os dados sobre incêndios ainda podem sofrer revisões, pois a fumaça de focos ativos pode dificultar a detecção por satélites.

A expansão agrícola, impulsionada pela produção de commodities e cultivos de subsistência, é apontada como a principal causa da perda de cobertura arbórea nos trópicos. Globalmente, os incêndios foram os maiores vilões, com perdas florestais duplicadas nos últimos três anos em comparação com as duas décadas anteriores. O Campo Grande NEWS destaca que, apesar da melhora, o mundo ainda está 70% acima do necessário para atingir a meta de conter a perda florestal até 2030.

Meta de 2030 exige esforço contínuo e combate a incêndios

Apesar da queda significativa nas perdas florestais no Brasil, Elizabeth Goldman alerta que o resultado é insuficiente para cumprir o compromisso global de reverter o desmatamento até 2030. A vulnerabilidade das florestas às mudanças climáticas e o aumento da demanda humana por recursos naturais representam obstáculos consideráveis. Alcançar a meta exige um esforço contínuo e o combate efetivo aos incêndios florestais, que continuam sendo um problema crítico em escala global. O Brasil, com sua vasta extensão territorial e importância ecológica, tem um papel fundamental a desempenhar nessa agenda ambiental mundial, conforme apontado pelo estudo do Global Forest Watch.