Terceirização de postos de saúde em Campo Grande gera protestos

Moradores e membros dos conselhos de saúde realizaram protestos em Campo Grande contra a proposta da prefeitura de terceirizar a gestão de postos de saúde 24 horas para Organizações Sociais. Os atos ocorreram nos bairros Aero Rancho e Tiradentes, onde manifestantes expressaram preocupação com o aumento da corrupção e a precarização de vínculos trabalhistas.

A proposta de terceirização da gestão de unidades de saúde 24 horas em Campo Grande tem gerado forte oposição de moradores e conselhos de saúde. Manifestações ocorreram nos bairros Aero Rancho e Tiradentes, com o objetivo de impedir a implementação do modelo de gestão por Organizações Sociais (OSs). Os críticos argumentam que essa medida pode levar ao aumento da corrupção, à precarização das condições de trabalho e, consequentemente, a um atendimento de menor qualidade para a população.

O coordenador do Conselho Municipal de Saúde, Jader Vasconcelos, destacou a importância de conscientizar a população sobre os riscos da terceirização. Segundo ele, a experiência em outras cidades aponta para um aumento nos índices de corrupção e para a piora das condições trabalhistas, com vínculos precários, o que prejudica diretamente os usuários do sistema público de saúde. “Temos vários argumentos contra e é mais um ato de protesto para mostrar para a gestão que a população também está empenhada em não aceitar a terceirização das unidades de saúde, mostrar que essa unidade de saúde pertence à população”, afirmou Vasconcelos.

Protestos em Aero Rancho e Tiradentes

A manifestação mais recente ocorreu no Centro Regional de Saúde (CRS) do bairro Aero Rancho, seguindo um protesto similar realizado no dia anterior na unidade do bairro Tiradentes. Integrantes do conselho de saúde e cidadãos se reuniram para expressar publicamente sua oposição ao modelo defendido pela gestão municipal, que visa a gestão dos postos 24 horas por meio de OSs.

Terezinha Matos, representante do Conselho de Saúde do Aero Rancho, ressaltou a necessidade de reafirmar a natureza pública do atendimento. Ela enfatizou que o ato serve para demonstrar à população e à sociedade que o Sistema Único de Saúde (SUS) é público. Matos acrescentou que os usuários não aceitam a privatização das unidades de saúde e que Campo Grande necessita de mais leitos e não de transferência de gestão.

A moradora Norma Bezerra, 68 anos, que aguarda na rede pública por uma cirurgia de hérnia, compartilhou as dificuldades enfrentadas pelo sistema. Ela participou do ato por temer a privatização do SUS, citando a falta de remédios e a demora na central de vagas como problemas atuais. “Seria muito importante que toda a comunidade estivesse unida para não deixar privatizar o que é nosso”, defendeu.

Rosângela Mancoelho, 39 anos, soube da manifestação através de clientes e destacou a busca por apoio para divulgar a situação. Ela argumentou que a população deseja soluções para a falta de insumos e profissionais, e não a terceirização do atendimento. Mancoelho expressou descontentamento com decisões tomadas pela prefeitura sem diálogo prévio com a comunidade, conforme o Campo Grande NEWS checou.

Audiência pública debate a terceirização

O tema da terceirização da gestão de unidades de saúde também foi discutido em audiência pública na Câmara Municipal em 10 de abril. Na ocasião, o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, apresentou a proposta da administração, justificando a necessidade de superar desafios da gestão direta, como a rigidez nas contratações e processos burocráticos. Vilela argumentou que a medida permitiria o cumprimento de metas e resultados, com indicadores de produtividade semelhantes aos observados em outros municípios que adotaram o modelo.

Entidades, sindicatos e parlamentares presentes na audiência manifestaram contrariedade à proposta. Jader Vasconcelos, presidente do Conselho Municipal de Saúde, questionou a condução do projeto e alertou que o tema não pode ser tratado de forma unilateral, sem debate político e institucional. Ele sustentou que, antes de alegar que a terceirização é o único caminho, seria importante organizar o setor de compras e priorizar de fato a saúde, reforçando a necessidade de transparência e fiscalização nos recursos públicos, como apontado pelo Campo Grande NEWS.

A reportagem buscou resposta da prefeitura sobre o protesto realizado neste domingo e aguarda retorno. O Campo Grande NEWS segue acompanhando os desdobramentos desta questão que afeta diretamente a população.