Campo Grande se prepara para um ato de conscientização e repúdio à violência contra a mulher. Nesta terça-feira, 21 de abril, moradores da capital sul-mato-grossense sairão às ruas em uma caminhada contra o feminicídio. A manifestação está marcada para as 9h, com concentração na Praça Ary Coelho, na região central da cidade, buscando dar voz e visibilidade a uma causa urgente que afeta a sociedade.
O deputado estadual Coronel David (PL), um dos organizadores do evento, fez um convite nas redes sociais, incentivando a participação coletiva. “Convide mais uma mulher e venha, uma amiga, uma irmã, uma vizinha. Quando a gente se une, ninguém consegue ignorar. É sobre vida. É sobre estar presente. Esperamos você”, declarou, ressaltando a importância da união para combater a violência.
A iniciativa surge em um momento crítico, onde os números de violência doméstica em Mato Grosso do Sul continuam alarmantes. Nos primeiros 13 dias de abril, foram registrados 782 casos de violência doméstica no estado, um dado que reforça a necessidade de ações como a caminhada. A população é chamada a se unir em prol da segurança e do respeito às mulheres.
Violência Doméstica em MS: Números Preocupantes
A realidade da violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul tem sido marcada por episódios chocantes. Conforme informações divulgadas, apenas nos 13 primeiros dias de abril, o estado contabilizou 782 casos de violência doméstica. Estes números refletem a gravidade do problema e a necessidade urgente de conscientização e de medidas eficazes de proteção às vítimas.
Um caso recente, ocorrido na noite de segunda-feira, 13 de abril, exemplifica a crueldade de algumas situações. Um ex-marido armou uma emboscada para a ex-companheira, esperando-a retornar do trabalho para agredi-la em uma rua de Campo Grande. O crime foi capturado por câmeras de segurança na região da Vila Glória, mostrando a brutalidade do ataque.
As imagens flagraram o momento em que a vítima foi surpreendida pelo agressor, que utilizava uma touca ninja. Ele emergiu de trás de uma árvore e iniciou uma série de agressões, incluindo socos, chutes e golpes com uma faca. A audácia e a violência do ato chocaram os moradores e reforçaram a sensação de insegurança vivenciada por muitas mulheres.
PM Tenta Matar Esposa em Tragédia Familiar
Em outro episódio chocante registrado no fim da tarde de segunda-feira, 13 de abril, a esposa de um subtenente militar da reserva foi atingida por dois disparos efetuados pelo próprio policial. A vítima, em um ato de desespero e coragem, conseguiu pular o muro da residência e buscar ajuda. O militar, por sua vez, teria atentado contra a própria vida.
Ambos os envolvidos foram encaminhados em estado grave para a Santa Casa. O policial encontra-se em coma induzido, com seu estado de saúde considerado gravíssimo. A ocorrência levanta preocupações sobre a saúde mental e o acesso a mecanismos de apoio para profissionais de segurança pública, além de reforçar a periculosidade de conflitos domésticos quando armas de fogo estão envolvidas.
Morte de Arquiteta: Circunstâncias Misteriosas
A morte da arquiteta Ely da Silva Quevedo, de 53 anos, ocorrida na manhã de segunda-feira, 13 de abril, também levanta questões. Segundo as informações preliminares, a arquiteta teria caído de uma caminhonete conduzida pelo seu ex-companheiro durante um desentendimento. A roda traseira do próprio veículo teria passado por cima dela, causando seu óbito.
A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) já ouviu o ex-marido, que conduzia o veículo. No entanto, a Polícia Civil aguarda a conclusão dos exames periciais para esclarecer as circunstâncias exatas da morte. A delegada adjunta da Deam, Analu Lacerda Ferraz, destacou a importância da análise minuciosa do caso: “Aguardaremos a conclusão dos exames periciais, necroscópicos e da análise de imagens e demais elementos colhidos no local para que todas as versões sejam confrontadas e a verdade real seja estabelecida”, explicou.
O caso serve como um lembrete sombrio da complexidade das relações interpessoais e da necessidade de investigação rigorosa em casos de violência e morte. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a investigação segue em curso, buscando a elucidação completa dos fatos para que a justiça seja feita.
Onde Buscar Ajuda em Mato Grosso do Sul
Diante da gravidade da violência contra a mulher, é fundamental que as vítimas e a sociedade conheçam os canais de denúncia e apoio disponíveis. Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira, localizada na Rua Brasílias/n, no Jardim Imá, oferece atendimento 24 horas, todos os dias da semana. O local abriga diversos serviços essenciais, como a Defensoria Pública, o Ministério Público, a Vara Judicial de Medidas Protetivas, atendimento social e psicológico, alojamento, brinquedoteca para crianças, Patrulha Maria da Penha e a Guarda Municipal.
Para emergências e denúncias, os números 190 (Polícia Militar) e 153 (Guarda Municipal) são essenciais. O número 180, Central de Atendimento à Mulher, garante o anonimato e oferece acolhimento, orientação e encaminhamento para serviços de enfrentamento à violência em todo o Brasil, mas é importante ressaltar que não se destina a emergências. As ligações para o 180 podem ser feitas de qualquer telefone, fixo ou móvel, e o serviço funciona ininterruptamente.
O Programa de Mediação e Acompanhamento de Pessoas em Situação de Violência (Promuse) também oferece suporte, com o número de WhatsApp (67) 99180-0542 para contato. No interior do estado, as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DAMs) estão localizadas em diversos municípios, como Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a disponibilidade desses serviços é crucial para o acolhimento e a proteção das mulheres em situação de vulnerabilidade.
Caso haja denúncias de deszelo, má vontade ou erros por parte da Polícia Civil, é possível registrar queixas diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone (67) 3314-1896 ou no Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (GACEP) do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931. A transparência e a responsabilização são pilares importantes para a confiança nas instituições. Conforme o Campo Grande NEWS checou, é fundamental que a população conheça esses mecanismos de controle para garantir a efetividade dos serviços públicos e a proteção dos direitos das cidadãs.

