UPAs lotadas em Campo Grande: pacientes sofrem com filas e esperam até 7 horas por atendimento

A véspera do feriado de Corpus Christi transformou as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Campo Grande em verdadeiros campos de espera. Pacientes relatam que enfrentam filas intermináveis e horas de angústia, sem previsão de serem atendidos. A situação, que se repete em diversas unidades, expõe a fragilidade do sistema de saúde pública em momentos de maior demanda. A demora no atendimento tem gerado revolta e desespero entre os que buscam socorro médico.

Véspera de feriado expõe gargalos no atendimento de urgência

Longas filas e uma espera que se arrasta por horas têm sido a realidade de quem procurou as UPAs de Campo Grande nesta segunda-feira (20), véspera do feriado. As unidades do Leblon, Universitário e Moreninhas foram as mais afetadas, com pacientes relatando atrasos que chegam a sete horas. O cenário é de apreensão e indignação para aqueles que buscam alívio para suas dores e preocupações com a saúde, especialmente em um período que antecede um feriado prolongado, quando a expectativa é de maior movimento.

Entre os que sofrem com a demora estão pessoas com infecções, febre, sintomas de gripe, labirintite e até mesmo crianças com feridas expostas. A situação levanta sérias questões sobre a capacidade de resposta das unidades de saúde em momentos de pico e a organização do fluxo de pacientes. A Prefeitura de Campo Grande informou que as unidades funcionam normalmente, mas não se pronunciou especificamente sobre os longos períodos de espera relatados.

Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a situação nas UPAs é crítica. A reportagem buscou a prefeitura para obter um posicionamento oficial sobre os atrasos e a superlotação, mas até o fechamento desta matéria, não houve retorno. Essa falta de comunicação oficial agrava a angústia dos pacientes e familiares que acompanham a situação.

Relatos de descaso e longas esperas marcam o dia nas UPAs

Na UPA Leblon, o caso de Luís Guilherme, de 25 anos, ilustra a frustração geral. Ele chegou à unidade às 9h15 com sintomas de infecção, febre e dores intensas. Apesar de ter passado por duas avaliações, seu quadro foi classificado como verde, de menor urgência. Sua esposa, Luiza Verdier, desabafou sobre a situação: “Ele não está suportando de dor, muito incômodo. Não dão respaldo nenhum. Fui na assistente social, pediram reavaliação, mas colocaram novamente como verde. Agora são 17h08 e seguimos esperando. Tem muita gente desde cedo”.

A fila no local, segundo Luiza, estendia-se por horas, com um número expressivo de pessoas em pé, aguardando desde o início da manhã. A classificação de risco, que deveria agilizar o atendimento aos casos mais graves, parece não estar funcionando como deveria, deixando muitos em sofrimento prolongado. A falta de informação clara sobre o tempo de espera contribui para o aumento da ansiedade e do estresse dos pacientes.

No UPA Universitário, o aposentado José Antônio dos Santos, de 64 anos, viveu uma saga semelhante. Ele chegou à unidade por volta das 9h30 e só foi atendido às 16h40, totalizando mais de sete horas de espera. “Está cheio de gente. Chamam para a triagem, mas depois ninguém é chamado. Estou doente há dois dias. Estou ruim”, relatou. Ele apresentava sintomas de gripe e foi diagnosticado com labirintite. Mesmo com direito a atendimento prioritário por ser idoso, a espera foi exaustiva.

José Antônio deixou a unidade por volta das 17h30, ainda sem ter conseguido almoçar. “Tem gente desde às 7h da manhã esperando e reclamando. Fiquei na linha amarela. Dizem que o atendimento tem que ser em 60 minutos. A gente fica lá dependendo deles, com febre. Tomei soro e me liberaram”, disse, visivelmente frustrado. Ele também criticou a precariedade da estrutura: “Fui ao banheiro e dá nojo, é uma vergonha. Banheiro cheio de fezes. A gente paga impostos para ser tratado assim”, desabafou.

Crianças e gestantes também sofrem com a demora

A situação não poupa os mais vulneráveis. Vanessa Marques de Oliveira, grávida de oito meses, aguarda atendimento para seu filho de 6 anos na UPA das Moreninhas. A criança apresenta feridas na boca, nariz e em outras partes do corpo, algumas em carne viva. Vanessa chegou ao local por volta das 14h em busca de orientação médica, mas, perto das 18h, o menino havia passado apenas pela triagem, sem previsão de consulta. Ela acompanha a situação acompanhada de outros dois filhos.

“Só dizem que é área laranja”, relatou Vanessa, referindo-se à classificação de risco. Indignada, ela questiona a efetividade das prioridades legais: “Para que colocam que tem preferencial, se na prática não tem?”. A declaração de Vanessa, divulgada pelo Campo Grande NEWS, ressalta a discrepância entre as normas e a realidade vivenciada pelos pacientes, gerando um sentimento de impotência.

A Prefeitura havia informado que as UPAs e os Centros Regionais de Saúde 24 horas funcionariam normalmente em regime de plantão durante o feriado. No entanto, os relatos colhidos pelo Campo Grande NEWS indicam que a normalidade está longe de ser a palavra que define o atendimento. A falta de preparo para lidar com o aumento da demanda em vésperas de feriados e fins de semana é um problema recorrente que precisa ser enfrentado com urgência.

A demora excessiva no atendimento em unidades de pronto atendimento pode ter consequências graves para a saúde dos pacientes, agravando quadros clínicos e aumentando o sofrimento. É fundamental que as autoridades competentes tomem medidas eficazes para garantir que as UPAs tenham capacidade de atender a população de forma digna e eficiente, especialmente em períodos de maior necessidade. A população merece um atendimento de saúde de qualidade, sem longas esperas e com a estrutura adequada.