Alemão preso: 10,4 toneladas de alimentos irregulares apreendidas em Campo Grande

Um empresário identificado como Édison Barbosa, popularmente conhecido como “Alemão”, foi preso em flagrante em Campo Grande após uma operação conjunta da Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo), Procon e Vigilância Sanitária. A ação resultou na apreensão de impressionantes 10,4 toneladas de alimentos impróprios para consumo, encontrados em um depósito e em conveniências ligadas ao empresário.

Mais de 10 toneladas de alimentos impróprios apreendidas em Campo Grande

A operação, que ocorreu na manhã desta sexta-feira (10), desmantelou um esquema de comercialização de produtos que apresentavam sérios riscos à saúde pública. Conforme balanço divulgado, 6,1 toneladas de alimentos foram recolhidas apenas no depósito. Nas conveniências, outras 1,2 tonelada foi apreendida em uma unidade e mais 2,4 toneladas em outra.

Entre os itens irregulares, foram encontrados pacotes de mussarela “inchados”, um sinal claro de contaminação por bactérias, de acordo com a Decon. Laudos técnicos confirmaram que diversos produtos estavam em desacordo com as normas sanitárias, tornando-os impróprios para o consumo humano.

A gravidade da situação levou à autuação em flagrante de Édison Barbosa. Além da prisão, a Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) aplicou uma multa pesada de R$ 159.270,00. Esta não é a primeira vez que o empresário se vê envolvido em problemas com a lei, marcando sua segunda prisão em um período de apenas seis meses.

Investigação revelou falhas graves em armazenamento e manipulação

A ação fiscalizatória é um desdobramento de uma investigação iniciada em março, após a apreensão de cerca de 180 quilos de queijo. Na ocasião, o responsável pelo transporte informou que a carga seria destinada a um dos estabelecimentos de Édison Barbosa. A mercadoria, produzida em Corguinho, levantou suspeitas sobre a procedência e qualidade dos produtos.

No depósito, além dos produtos vencidos e queijos irregulares, foram identificadas práticas inadequadas de armazenamento e manipulação. A médica veterinária e fiscal do SIM (Serviço de Inspeção Municipal), Luana Oliveiras, destacou problemas como reembalamento inadequado, itens que deveriam ser refrigerados mantidos congelados, alimentos abertos sem identificação de data, validades raspadas e produtos sem origem clara.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de controle sanitário e a comercialização de itens em condições precárias representam um grave risco à saúde da população local. A investigação aponta para uma negligência contínua por parte do empresário em relação às normas de segurança alimentar.

Empresário alega dificuldades para se adequar às exigências sanitárias

Em declarações ao Campo Grande News durante a fiscalização, Édison Barbosa admitiu enfrentar dificuldades para adequar seus produtos às exigências sanitárias, especialmente no que diz respeito à rotulagem e prazos de validade. Ele argumentou que parte dos queijos comercializados não possui rótulo adequado, o que dificulta o controle exigido pelos órgãos fiscalizadores.

O empresário também alegou que o prazo de validade indicado pela indústria, após a abertura dos produtos, seria insuficiente para a logística de fatiamento, transporte e distribuição. Ele assegurou que o estabelecimento busca regularizar a situação e que nunca houve registro de problemas de saúde relacionados aos produtos comercializados.

No entanto, as evidências coletadas durante a operação contradizem essa afirmação, indicando uma falha sistêmica nas práticas comerciais e de segurança alimentar dos estabelecimentos de “Alemão”. A autoridade sanitária reforça a importância do cumprimento rigoroso das normas para garantir a saúde dos consumidores.

Segunda prisão em seis meses por crimes relacionados a mercadorias

Esta é a segunda vez que Édison Barbosa é detido em um curto espaço de tempo. Em novembro de 2025, ele já havia sido preso sob suspeita de envolvimento em um esquema de receptação de mercadorias furtadas. Naquela ocasião, outro empresário também foi preso em flagrante.

O caso anterior teve origem em um golpe contra a empresa Amidos Ponta Porã – BRC Starch, que foi vítima de uma fraude na venda de 24 toneladas de fécula de mandioca, totalizando R$ 73.920,00. As investigações revelaram que os golpistas utilizaram sites e e-mails falsos para realizar a compra e contrataram um transportador para desviar a carga.

A mercadoria desviada foi revendida a preços abaixo do mercado e sem nota fiscal nos estabelecimentos comerciais da Capital ligados a Édison Barbosa. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a reincidência do empresário em atividades ilícitas e irregulares reforça a necessidade de fiscalização contínua e rigorosa.

A atuação conjunta dos órgãos de fiscalização demonstra o compromisso em coibir práticas que colocam em risco a saúde da população. O caso de “Alemão” serve como um alerta sobre a importância da procedência e qualidade dos alimentos consumidos diariamente. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando desdobramentos desta e de outras investigações que visam a proteção do consumidor.