Novo condomínio em Campo Grande sob escrutínio por risco a patrimônio arqueológico

A construção de um novo condomínio de alto padrão em Campo Grande, na região do Terras Alpha, próximo ao Jardim Montevidéu, está sob os holofotes de arqueólogos e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A preocupação central é o potencial impacto sobre o patrimônio histórico-cultural da área, especialmente devido à proximidade com o sítio pré-colonial Ribeirão das Botas 2, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

O empreendimento, que prevê a implantação de 626 lotes, exigirá estudos arqueológicos aprofundados antes de sua liberação. A área de implantação, que abrange a antiga Fazenda Botas, fica a cerca de 4,5 quilômetros do Sítio Arqueolôgico Ribeirão das Botas 2, um importante registro da ocupação humana anterior à chegada dos europeus.

O Iphan classificou o projeto como de nível III, indicando uma interferência de média a alta no solo. Isso demanda a realização de prospecções de superfície e subsuperfície, incluindo caminhamentos a cada 50 metros e a execução de 96 poços-teste com escavações de até um metro de profundidade. Tais medidas são cruciais para identificar possíveis vestígios arqueológicos, como ferramentas de pedra, cerâmicas e outros artefatos. A empresa Alphaville Urbanismo, responsável pelo empreendimento, está ciente do processo e se comprometeu a realizar os estudos de impacto e a adotar providências, incluindo a suspensão de obras caso bens culturais sejam identificados, conforme informação divulgada pelo Iphan.

Estudos arqueológicos são essenciais para preservação

A proximidade com o Sítio Arqueolôgico Ribeirão das Botas 2, classificado como lítico e associado a grupos pré-coloniais, justifica a ação do Iphan. Rafael Saldanha, arqueólogo do órgão em Mato Grosso do Sul, explicou que o objetivo é prevenir danos e ampliar o conhecimento sobre a ocupação histórica da região. Segundo ele, a localização do empreendimento sugere um potencial arqueológico significativo, considerando a proximidade com outros sítios já cadastrados.

Esses sítios, conforme os registros do Iphan, indicam atividades humanas antigas relacionadas ao uso da pedra, fornecendo valiosas informações sobre os povos originários que habitaram a área. O estudo arqueológico, que pode levar de quatro a seis meses, é um passo fundamental para garantir que o desenvolvimento urbano ocorra de forma responsável e respeitosa com o passado.

Condomínio de alto padrão e o legado histórico

O novo condomínio, que ainda não possui nome definido, será implantado em uma área estratégica na saída para Cuiabá, próximo à BR-163. Com 626 lotes, sendo 617 para uso residencial, o empreendimento tem previsão de ocupação total em 20 anos. A região já abriga outros residenciais de alto padrão, como o Alpha 3 e 4, próximos ao Alphaville.

A análise do Iphan é um processo padrão para empreendimentos em áreas com potencial arqueológico, visando a salvaguarda do patrimônio cultural brasileiro. O órgão atua como interveniente no licenciamento ambiental, assegurando que as leis de proteção ao patrimônio sejam cumpridas. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a liberação definitiva das obras depende da aprovação dos relatórios arqueológicos, que podem determinar desde a continuidade dos trabalhos até a necessidade de novas pesquisas.

Educação patrimonial e conscientização

Além das análises técnicas e escavações, o estudo arqueológico inclui ações de educação patrimonial. Essas iniciativas são voltadas para a comunidade do entorno e o público escolar, com o objetivo de conscientizar sobre a importância da preservação cultural. A ideia é que a população local compreenda o valor histórico da região e se torne uma aliada na proteção do legado arqueológico.

Mato Grosso do Sul possui mais de 800 sítios arqueológicos cadastrados, o que reforça a importância de estudos preventivos em áreas de expansão urbana. O trabalho do Iphan envolve a análise de projetos, a apresentação de relatórios e fiscalizações in loco, garantindo a integridade do patrimônio histórico. Conforme o Campo Grande NEWS destaca, a colaboração entre órgãos públicos, empresas e a sociedade é vital para o sucesso dessas iniciativas.

O Iphan recebe mensalmente novos projetos para análise, demonstrando a constante necessidade de vigilância e estudo em áreas de desenvolvimento. A empresa Alphaville Urbanismo se comprometeu a arcar com os custos da gestão de medidas de controle, mitigação ou compensação, caso impactos sejam comprovados, reiterando a importância da responsabilidade corporativa na preservação histórica.