Alcides Bernal: Ex-prefeito preso pede celulares de volta, família da vítima se opõe

O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, preso desde 24 de fevereiro sob a acusação de matar o fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, entrou com um pedido na Justiça para reaver dois aparelhos celulares apreendidos pela polícia. A defesa argumenta que os telefones são essenciais para que Bernal, que exercia a advocacia antes de ser detido, possa dar continuidade às suas atividades profissionais e receber pagamentos pendentes. No entanto, a família da vítima se manifesta veementemente contra a devolução, considerando os aparelhos cruciais para o andamento da investigação do crime.

Conforme informações divulgadas pela Polícia Civil, Alcides Bernal foi indiciado por homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo. O inquérito policial, concluído e encaminhado à Justiça em 2 de abril, detalha que Bernal efetuou disparos contra Roberto Carlos Mazzini na tarde de 24 de março. O delegado Danilo Mansur manteve o enquadramento por homicídio qualificado, com a agravante de recurso que dificultou a defesa da vítima, além de porte ilegal de arma, uma vez que o registro do revólver calibre 38 e a autorização de porte estavam vencidos.

Defesa busca acesso a dados profissionais e pagamentos

O advogado de defesa de Alcides Bernal, Gledson Alves de Souza, explicou que os celulares apreendidos contêm dados de clientes e informações sobre tratativas profissionais. “Somente com o acesso aos aparelhos será possível aos familiares dar continuidade às atividades profissionais do requerente, inclusive no tocante aos recebimentos pendentes”, afirmou o defensor. Ele também ressaltou que os aparelhos foram entregues espontaneamente à polícia, o que, segundo a defesa, exclui qualquer indício de tentativa de ocultação de provas.

Diante disso, a defesa solicita a “imediata extração/perícia dos dados dos aparelhos” para que, após a análise, os celulares possam ser devolvidos ao ex-prefeito. A alegação é de que a posse dos aparelhos é fundamental para a organização financeira e profissional de Bernal durante seu período de reclusão, permitindo que a família gerencie seus assuntos de trabalho e evite prejuízos.

Família da vítima se opõe à devolução dos celulares

Em contrapartida, a família de Roberto Carlos Mazzini se manifesta enfaticamente contra a restituição dos celulares. Por meio de seu advogado, Tiago Martinho, a viúva e os filhos argumentam que o uso dos aparelhos por Bernal no momento do crime, pelo menos duas vezes, torna a manutenção com a polícia essencial para o esclarecimento dos fatos. “A restituição ora pretendida é, no mínimo, deveras açodada e, ao fim e ao cabo, inviabilizam a persecução penal e a produção de provas”, declarou Martinho, em resposta ao pedido da defesa.

A família entende que os celulares podem conter informações cruciais para a investigação, como registros de comunicação, localização e outros dados que possam comprovar a dinâmica dos eventos e a intenção do ex-prefeito. A preocupação é que a devolução dos aparelhos, antes de uma análise completa, possa comprometer a integridade das provas e dificultar a elucidação completa do caso, como noticiado pelo Campo Grande NEWS.

Dinâmica do crime e divergências de versões

Segundo a investigação policial, Roberto Carlos Mazzini chegou ao imóvel acompanhado de um chaveiro e teve acesso à residência após a abertura do portão. Cerca de 40 minutos depois, Alcides Bernal chegou ao local, pegou um revólver em sua caminhonete e entrou no imóvel já com a arma em punho. Poucos segundos após avançar para a área interna, efetuou o primeiro disparo. A Polícia Civil, conforme o delegado Danilo Mansur, sustenta que Bernal atirou para matar.

A defesa de Bernal alega que o ex-prefeito agiu em legítima defesa, afirmando que se sentiu ameaçado. No entanto, o relato do chaveiro e as imagens analisadas pela polícia indicam que a vítima não teve tempo de reagir, versão que diverge significativamente da apresentada pelo investigado. Essa discrepância reforça a importância, para a família da vítima, de que os celulares permaneçam sob custódia policial.

Análises complementares e próximos passos da investigação

Parte da dinâmica do crime ainda depende de perícia. Laudos de imagens de segurança e exames complementares são aguardados para esclarecer pontos cruciais, como a distância dos disparos e a sequência exata dos fatos. De acordo com o delegado, um relatório complementar será enviado à Justiça após a conclusão dessas análises. A expectativa é que esses laudos forneçam subsídios definitivos para a investigação, como apurado pelo Campo Grande NEWS.

A conclusão do inquérito policial e o indiciamento de Alcides Bernal por homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo marcam uma etapa importante no processo. A decisão sobre a restituição dos celulares, contudo, ainda está sob análise judicial, ponderando os interesses da defesa e a necessidade de garantir a integridade das investigações, conforme acompanhado pelo Campo Grande NEWS.