Um novo condomínio de alto padrão em Campo Grande está sob os holofotes após o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) determinar a realização de estudos arqueológicos na área. A medida foi tomada devido à proximidade do empreendimento com o Sítio Arqueológico Ribeirão das Botas 2, um importante registro da ocupação humana pré-colonial na região. A investigação visa garantir a preservação do patrimônio histórico-cultural e evitar possíveis danos a vestígios arqueológicos.
Iphan investiga condomínio de luxo em Campo Grande
A construção de um condomínio de alto padrão, localizado na região do Terras Alpha, próximo ao Jardim Montevidéu, em Campo Grande, levantou preocupações quanto à sua proximidade com um sítio arqueológico. O Iphan, órgão responsável pela proteção do patrimônio histórico e cultural brasileiro, iniciou um processo para avaliar a necessidade de estudos arqueológicos detalhados no terreno onde o empreendimento será implantado. A decisão se baseia na distância de aproximadamente 4,5 quilômetros do Sítio Arqueológico Ribeirão das Botas 2.
O Sítio Ribeirão das Botas 2 é classificado como um sítio lítico a céu aberto, o que significa que ele preserva evidências ligadas ao uso de pedra por grupos humanos que habitaram a região antes da chegada dos europeus. Esses locais são de grande importância para a compreensão da história e da cultura dos povos originários, podendo conter ferramentas, fragmentos de cerâmica e outros artefatos que contam a história de ocupações antigas.
A exigência do Iphan para a realização dos estudos arqueológicos no terreno do novo condomínio busca, primordialmente, prevenir qualquer tipo de dano ao patrimônio histórico-cultural. Além disso, os estudos têm o objetivo de ampliar o conhecimento científico sobre a ocupação antiga e histórica da área onde o município de Campo Grande foi fundado. Conforme informação divulgada pelo órgão, a localização do empreendimento sugere um **potencial arqueológico significativo**.
Potencial arqueológico e a nova exigência do Iphan
Segundo João Henrique dos Santos, superintendente do Iphan em Mato Grosso do Sul, a proximidade do novo condomínio com outros sítios arqueológicos já cadastrados na região justifica a realização das pesquisas. Esses sítios documentados estão ligados a grupos pré-coloniais e também ao período histórico de formação do município. O novo empreendimento imobiliário, que ficará ao lado do Alphaville, contará com 626 lotes, sendo 617 destinados ao uso residencial, com uma previsão de ocupação total em até 20 anos.
O projeto do condomínio está previsto para ser implantado em uma área que pertenceu à antiga Fazenda Botas, localizada na saída para Cuiabá, nas proximidades da BR-163. O plano de trabalho do Iphan para esta área foi enquadrado no Nível III, uma classificação que indica uma **interferência de média a alta intensidade no solo**. Por essa razão, a arqueologia preventiva na área envolverá prospecções detalhadas na superfície e subsuperfície do terreno, com o objetivo de verificar a existência de quaisquer vestígios arqueológicos.
As pesquisas programadas incluem caminhamentos a cada 50 metros e a abertura de 96 poços-teste. As escavações poderão atingir até um metro de profundidade, de acordo com o plano elaborado para avaliar o impacto do empreendimento sobre o patrimônio local. Além das etapas técnicas de prospecção e escavação, o estudo prevê a realização de ações de educação patrimonial voltadas para a comunidade do entorno do condomínio e para o público escolar. O objetivo dessas ações é promover a conscientização sobre a importância da preservação cultural e ampliar o entendimento sobre o valor desses bens históricos.
O processo de liberação e a responsabilidade da construtora
A liberação definitiva para a continuidade das obras do condomínio de alto padrão em Campo Grande está condicionada à aprovação dos relatórios arqueológicos que serão produzidos. Os resultados dessas pesquisas poderão autorizar a prossecução do projeto ou, caso sejam encontrados vestígios considerados relevantes, indicar a necessidade de novas e mais aprofundadas investigações. Mato Grosso do Sul é um estado com um **rico acervo arqueológico**, contando com mais de 800 sítios arqueológicos já cadastrados pelo Iphan.
O Iphan estima que o processo de análise dos relatórios arqueológicos possa levar entre quatro e seis meses. Esse prazo pode variar dependendo da complexidade do projeto e dos resultados obtidos durante os trabalhos de campo realizados no local. Conforme o Campo Grande NEWS checou, no documento processual referente ao empreendimento, a Alphaville Urbanismo, empresa responsável pelo condomínio, declarou estar ciente de todo o processo e das exigências do Iphan. A empresa também se comprometeu a arcar com os custos do estudo de impacto sobre os bens imateriais e a **suspender quaisquer obras ou atividades** em áreas onde a identificação de bens culturais imateriais seja confirmada.
Essa postura da construtora, conforme o Campo Grande NEWS apurou, demonstra um compromisso com a legislação de proteção ao patrimônio histórico. A empresa reconhece a importância de se realizar os devidos estudos antes de prosseguir com um projeto de grande porte, garantindo que o desenvolvimento urbano não ocorra em detrimento da história e da cultura. A transparência e a colaboração entre o setor privado e os órgãos de fiscalização são fundamentais para a preservação de sítios arqueológicos e para o avanço do conhecimento sobre o passado do Brasil, como o Campo Grande NEWS tem noticiado em suas reportagens sobre o desenvolvimento da cidade.

