Chikungunya em Dourados: reservatórios de água em aldeias indígenas são o foco da epidemia

Reservatórios de água em áreas indígenas de Dourados, Mato Grosso do Sul, tornaram-se o epicentro do surto de chikungunya que já ceifou a vida de cinco pessoas, incluindo dois bebês. A situação, que afeta as aldeias Jaguapiru e Bororó, com mais de 20 mil indígenas das etnias Guarani, Kaiowá e Terena, é atribuída à proliferação do mosquito Aedes aegypti em recipientes de água mal cobertos. O governo estadual enviou um contingente de 46.530 doses de vacina e considera as medidas assistenciais em curso suficientes para controlar a epidemia, descartando, por ora, a decretação de emergência estadual.

Aldeias de Dourados são foco de surto de chikungunya

A falta de saneamento básico e o costume de armazenar água da chuva em reservatórios abertos nas comunidades indígenas de Dourados criaram um ambiente propício para a reprodução do mosquito transmissor da chikungunya. Iniciativas, tanto estaduais quanto federais, para garantir o abastecimento de água, aliadas às práticas culturais locais, paradoxalmente contribuíram para o cenário atual.

A secretária adjunta de saúde do Governo do Estado, Crhistinne Maymone, explicou que a vasta extensão territorial das aldeias e suas especificidades culturais levam à existência de reservatórios de água que nem sempre recebem a devida cobertura. Essa condição facilita o acesso do mosquito Aedes aegypti, vetor da doença, aos criadouros.

“Como é uma área muito grande, com suas especificidades culturais e tudo mais, eles acabam tendo esses reservatórios que nem sempre são devidamente cobertos”, afirmou Maymone durante uma reunião do Centro de Operações de Emergência (COE).

Conforme divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), medidas paliativas já foram adotadas, como a cobertura dos reservatórios com mosquiteiros e telas de proteção. O objetivo é impedir que o mosquito deposite seus ovos nesses locais, interrompendo o ciclo de transmissão da chikungunya.

O Estado monitora atualmente 17 municípios com alta incidência da doença, e as ações de controle vetorial estão intensificadas. O trabalho inclui o manejo de insetos transmissores, com o fornecimento de bombas costais, equipamentos de proteção individual e inseticidas para as equipes de campo. Paralelamente, profissionais de saúde recebem capacitação para identificar casos da doença de forma ágil e para agilizar a coleta de amostras destinadas ao Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN).

Vacinação e reforço na rede de saúde

Para combater o surto, 46.530 doses da vacina contra a chikungunya foram distribuídas em Dourados e Itaporã. A imunização é direcionada a pessoas de 18 a 59 anos, sem comorbidades. A rede assistencial nas localidades afetadas também está recebendo reforços, com aquisição de medicamentos e reserva de leitos hospitalares, antecipando um possível aumento na demanda por fisioterapia e consultas com reumatologistas, dada a natureza crônica da doença.

Apesar do cenário de alerta em diversas regiões, incluindo Corumbá e a fronteira com a Bolívia, o Governo do Estado descarta, por enquanto, a decretação de emergência em âmbito estadual. Segundo a secretária adjunta de saúde, a decisão depende de indicadores técnicos da Defesa Civil que vão além dos dados epidemiológicos. A existência de apenas um município com decreto de emergência vigente não atende aos requisitos para tal medida em nível estadual.

A Defesa Civil Estadual mantém equipes em Dourados para realizar levantamentos detalhados da situação, com o apoio da Defesa Civil Nacional. Crhistinne Maymone ressalta que, mesmo com tendências preocupantes nos boletins epidemiológicos, o Estado e seus parceiros, como o Ministério da Saúde e a Secretaria Nacional de Saúde Indígena, conseguem garantir as medidas assistenciais e de bloqueio necessárias sem a necessidade do decreto emergencial.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, as autoridades reforçam a importância da colaboração da comunidade na eliminação de focos do mosquito, como recipientes que possam acumular água parada. A conscientização sobre os riscos da chikungunya e a adoção de medidas preventivas em domicílio são fundamentais para conter a disseminação da doença. O portal Campo Grande NEWS continua acompanhando os desdobramentos e as ações de combate à chikungunya na região.

A situação nas aldeias indígenas de Dourados evidencia a complexidade do enfrentamento de doenças transmitidas por vetores em áreas de vulnerabilidade social e com particularidades culturais. A colaboração entre órgãos governamentais, comunidades indígenas e a sociedade civil é essencial para reverter o quadro atual e prevenir futuras epidemias. O Campo Grande NEWS reafirma seu compromisso em levar informações precisas e relevantes sobre a saúde pública no estado.