A proposta de terceirizar unidades de saúde em Campo Grande gerou forte oposição e críticas contundentes na Câmara Municipal. O presidente do Conselho Municipal de Saúde, Jader Vasconcelos, alertou que a medida não aborda os problemas centrais da rede pública e pode desviar o foco das soluções necessárias.
Críticas à Terceirização e Falhas Estruturais na Saúde de Campo Grande
Durante a Palavra Livre na Câmara Municipal, Jader Vasconcelos, presidente do Conselho Municipal de Saúde, expressou veementemente sua oposição à terceirização de unidades de saúde em Campo Grande. Segundo ele, a iniciativa, apresentada como solução rápida, ignora as deficiências estruturais profundas que afetam a rede pública.
Vasconcelos enfatizou que a troca no modelo de gestão não é o caminho para resolver os gargalos existentes. “O problema não está só dentro das unidades, está na falta de leitos, na demora para internação e na desorganização do fluxo da rede”, declarou, ressaltando que a terceirização não cria leitos, nem melhora a superlotação ou a retaguarda hospitalar.
As críticas se estenderam ao argumento de que a terceirização resolveria a falta de medicamentos e insumos. O presidente do Conselho pontuou que a escassez desses itens é resultado de falhas de planejamento, estoque e gestão, problemas que podem persistir tanto na gestão pública quanto na privada. Ele também alertou para o risco de metas de eficiência mascararem a má qualidade do atendimento, argumentando que “meta não é sinônimo de qualidade”.
Recursos Abundantes, Gestão Deficiente
O vereador Landmark Rios (PT) endossou as críticas, afirmando que a principal mazela da saúde em Campo Grande não é a falta de recursos, mas a **má gestão**. Ele destacou que, apenas em 2025, o município recebeu aproximadamente R$ 1,2 bilhão do Governo Federal via SUS, evidenciando que o dinheiro existe, mas os resultados não chegam à população.
“A saúde não pode ser tratada como mercadoria. O que nós precisamos discutir aqui é gestão. Qual é o modelo de gestão que queremos? Porque recurso existe, mas o resultado não chega na ponta”, declarou Rios, defendendo um debate amplo envolvendo todas as esferas de governo e parlamentares.
O vereador também levantou preocupações sobre a demora na realização de exames, um sintoma claro da desorganização do sistema. Dados divulgados pela própria prefeitura, a pedido do Ministério Público, revelam filas extensas para procedimentos essenciais. Milhares de pacientes aguardam por exames como ressonância magnética, endoscopia e colonoscopia, com tempos de espera que chegam a centenas de meses em alguns casos.
Filas Gigantescos para Exames Essenciais
A situação das filas de espera por exames é alarmante e expõe a gravidade dos problemas estruturais. Segundo informações obtidas pelo Campo Grande NEWS, a fila para ressonância magnética conta com 11.410 pessoas, acumulando mais de 1.400 meses de espera. Para endoscopia, são 6.175 pacientes, e para colonoscopia, 1.703.
A situação é ainda mais crítica para exames como polissonografia, com 559 pessoas aguardando e até 70 meses de espera. Além disso, há exames com oferta zero de vagas, como cintilografia, ecocardiograma infantil e endoscopia respiratória, evidenciando a **completa paralisação** em certas áreas do sistema.
O vereador Landmark Rios enfatizou que esses números demonstram que a terceirização não resolverá o cerne do problema. “Nós temos milhares de pessoas esperando anos por um exame. Isso não se resolve com terceirização, se resolve com planejamento, organização e investimento correto na ponta”, concluiu, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS, que acompanha de perto a gestão da saúde na região.
A Urgência de um Planejamento Efetivo
A crítica unânime ao modelo de terceirização reforça a necessidade de um **planejamento estratégico e gestão eficiente** na saúde de Campo Grande. A falta de leitos, a demora no atendimento e as longas filas para exames são sintomas de um sistema que precisa de intervenções estruturais, e não de meras mudanças administrativas.
A discussão na Câmara Municipal, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, aponta para um caminho de cobrança por responsabilidade e transparência na aplicação dos vultosos recursos destinados à saúde. A população clama por soluções que garantam acesso a um atendimento de qualidade e resolutivo, combatendo as falhas que comprometem a saúde de todos.

