Motoristas do transporte coletivo de Campo Grande denunciam condições de trabalho exaustivas, em meio à investigação de um acidente fatal que vitimou a motociclista Gabriele Pinzan Mendes, de 33 anos, no cruzamento das ruas Brilhante e Argemiro Fialho. A tragédia reacendeu o debate sobre a rotina dos profissionais, com relatos de jornadas superiores a 14 horas e pressão por ‘dobras’ de turno, conforme apurado pelo grupo Ligados no Transporte.
O condutor envolvido no acidente teria trabalhado em um turno que se estendeu até 1h da madrugada, retornando ao volante às 4h40 do mesmo dia, um intervalo de descanso inferior a três horas. Essa situação, aliada a outras denúncias de sobrecarga, levanta sérias preocupações sobre a segurança no trânsito da Capital.
As denúncias, encaminhadas pelo grupo Ligados no Transporte, indicam que a falta de motoristas no Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte público em Campo Grande, tem levado à pressão sobre os trabalhadores para assumirem turnos extras, as chamadas ‘dobras’. Isso resulta em jornadas que frequentemente ultrapassam as 14 horas diárias de trabalho.
Escalas apontam sobrecarga e desrespeito à CLT
Uma planilha interna de escala, obtida pelos denunciantes, revela a dimensão da sobrecarga, com registros de jornadas de trabalho de 14h04, 13h58 e outras superiores a 10 horas contínuas. O documento também aponta para a existência de linhas sem condutor fixo, o que pode levar ao cancelamento de viagens ou à necessidade de que outros profissionais assumam o serviço em cima da hora.
Além disso, os relatos mencionam o desrespeito aos intervalos intrajornada previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A privação de sono e o cansaço extremo, segundo os denunciantes, comprometem diretamente a atenção do motorista ao volante, aumentando consideravelmente o risco de acidentes. A segurança dos passageiros e de outros usuários das vias públicas fica, assim, comprometida.
Evasão de motoristas agrava o cenário de exaustão
Outro fator que contribui para o quadro de exaustão é a dificuldade do consórcio em reter seus motoristas. Profissionais venezuelanos, que foram recrutados para suprir a demanda por falta de mão de obra local, estariam buscando melhores salários e condições de trabalho em empresas de fretamento na cidade. Essa evasão agrava o déficit de profissionais e intensifica a sobrecarga dos que permanecem.
O Jornal Midiamax buscou contato com o Consórcio Guaicurus para obter um posicionamento sobre as denúncias, mas até o momento da publicação desta matéria, não obteve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.
CPI já apontou sucateamento e má gestão do Consórcio Guaicurus
O Consórcio Guaicurus já foi alvo de críticas recorrentes relacionadas à qualidade do serviço, valor da tarifa, estado de conservação dos veículos e, principalmente, às condições de trabalho dos motoristas. Essas questões culminaram na criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara de Vereadores.
A CPI, que concluiu seus trabalhos em setembro de 2025, apontou para o sucateamento da frota, falhas na fiscalização e má gestão financeira por parte do consórcio. O relatório final, aprovado por unanimidade, recomendou o indiciamento de diretores do consórcio e exigiu medidas drásticas da Prefeitura de Campo Grande.
O documento também destacou a omissão na fiscalização por parte da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) e evidenciou que o consórcio possuía recursos, mas optou por não investir na renovação da frota, operando com ônibus antigos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a CPI pediu o indiciamento de diretores do Consórcio Guaicurus e ex-gestores municipais, além de cobrar a substituição de 198 ônibus que ultrapassaram a idade máxima permitida e sugeriu a intervenção do poder público na gestão do transporte coletivo.
O Campo Grande NEWS acompanha de perto as questões relacionadas ao transporte público na Capital, buscando sempre trazer informações relevantes para a população. A situação dos motoristas e as condições de trabalho são pontos cruciais para a garantia de um serviço de qualidade e seguro para todos os cidadãos.
A reportagem do Campo Grande NEWS reforça a importância da fiscalização e da adoção de medidas que garantam o cumprimento das leis trabalhistas e a segurança viária. A exaustão dos motoristas não é apenas um problema trabalhista, mas uma questão de segurança pública que afeta toda a sociedade.

