Saúde libera R$ 900 mil para Dourados combater chikungunya

O Ministério da Saúde anunciou a liberação emergencial de R$ 900 mil para o combate à chikungunya na região da Grande Dourados. O anúncio, feito na sexta-feira (27), destina o valor para ações cruciais de vigilância, assistência e controle do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti. A medida surge em resposta a um cenário de alta nos casos confirmados e prováveis, com foco especial nas reservas indígenas, onde cinco mortes já foram registradas.

Chikungunya em Dourados: R$ 900 mil para conter surto

A situação da chikungunya na Grande Dourados atingiu um ponto crítico, levando o Ministério da Saúde a intervir com recursos emergenciais. Conforme o último boletim epidemiológico divulgado no sábado (28), a região contabiliza 899 casos confirmados e 1.693 prováveis da doença. Além disso, 37 pessoas estão hospitalizadas, evidenciando a gravidade da situação. O montante liberado será pago em parcela única ao fundo do município, com o objetivo de intensificar estratégias de combate ao vetor e oferecer melhor assistência aos pacientes.

O Fundo Nacional de Saúde será o responsável pela transferência dos recursos, que poderão ser aplicados em diversas frentes. A vigilância em saúde ganhará reforço, assim como as ações de controle do mosquito Aedes aegypti. A qualificação da assistência médica e o apoio às equipes de saúde também estão entre as prioridades, buscando garantir um atendimento mais eficaz e rápido para os afetados pela chikungunya.

A gravidade do cenário é acentuada pelas informações sobre as reservas indígenas. Nesses locais, já foram registradas cinco mortes em decorrência da doença. O total de notificações na área indígena chega a 2.144, com 912 casos confirmados e outros 936 em investigação. A presença de 32 pessoas internadas com sintomas ou diagnóstico positivo para chikungunya nessas comunidades reforça a urgência das ações.

Busca ativa e reforço profissional nas áreas mais afetadas

Para enfrentar o surto, uma busca ativa está sendo realizada nos territórios indígenas de Dourados. Essa iniciativa conta com o apoio da Força Nacional do SUS (FN-SUS) e da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), que já realizaram 106 atendimentos domiciliares nas aldeias Jaguapiru e Bororó. O diretor da FN-SUS, Rodrigo Stabeli, destacou a importância dessa atuação integrada: “Em um território extenso como este, não basta esperar que o paciente procure o serviço. A atuação integrada das equipes é essencial para alcançar quem mais precisa e evitar a evolução para casos graves”.

O Ministério da Saúde também autorizou a contratação emergencial de 20 agentes de combate a endemias, em parceria com a Agência de Gestão do SUS (AgSUS). Atualmente, 34 profissionais, incluindo médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, já estão mobilizados nas áreas mais afetadas. Essa mobilização visa fortalecer as equipes de campo e ampliar o alcance das ações preventivas e de controle.

Tecnologia e estratégias inovadoras no combate ao mosquito

Em paralelo às ações de busca ativa e contratação de pessoal, o Ministério da Saúde instalou mil Estações Disseminadoras de Larvicida. Essas armadilhas, compostas por um recipiente plástico e tecido impregnado com larvicida, atraem o mosquito e, ao entrar em contato com o produto, disseminam-no para outros criadouros. Essa tecnologia inovadora contribui para interromper o ciclo de reprodução do Aedes aegypti de forma mais eficaz.

A instalação dessas estações já começou em Campo Grande, com 150 unidades posicionadas no bairro Jockey Clube e em regiões adjacentes. Conforme o Campo Grande NEWS checou, as equipes planejam expandir a atuação para os bairros Novo Horizonte/Parque do Lago e Piratininga. Antes da implementação, os agentes municipais passaram por capacitação ministrada por técnicos especializados em arboviroses.

Sala de Situação para coordenação de ações federais

Para otimizar a resposta ao surto de chikungunya, uma Sala de Situação foi estabelecida no Ministério da Saúde na quarta-feira (25). O objetivo é coordenar as ações federais de forma integrada. A estrutura será posteriormente levada aos territórios indígenas, promovendo a colaboração entre diferentes áreas técnicas, gestores estaduais e municipais, e outros órgãos públicos. Essa centralização visa garantir uma resposta mais ágil e coordenada.

Desde o início de março, mais de 2,2 mil residências nas aldeias de Dourados já foram visitadas. As ações dos agentes de saúde incluem mutirões de limpeza, eliminação de criadouros do mosquito, aplicação de larvicidas e inseticidas, além da atuação de unidades móveis da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a colaboração entre diferentes esferas de governo e instituições é fundamental para o sucesso no controle da doença.

A alta incidência de chikungunya em Dourados e a necessidade de medidas emergenciais reforçam a importância do trabalho contínuo de vigilância e controle do Aedes aegypti. A liberação desses recursos pelo Ministério da Saúde representa um passo importante para mitigar os impactos da doença na região, com foco especial nas comunidades mais vulneráveis. A cobertura jornalística do Campo Grande NEWS tem acompanhado de perto os desdobramentos desta crise de saúde pública.