Um professor de 45 anos, que prefere não se identificar, procurou a Polícia Militar em Campo Grande após suspeitar que o combustível adquirido em um posto local estivesse adulterado. Ele levou consigo uma garrafa com a gasolina retirada do próprio veículo para comprovar a denúncia. O incidente ocorreu na tarde desta quinta-feira (17) em um estabelecimento na Vila Bandeirantes.
A desconfiança do cliente começou quando seu carro, abastecido no último sábado (12) com 38 litros no referido posto, apresentou falhas mecânicas. Após o veículo não ligar mais na segunda-feira (14), uma avaliação de um mecânico levantou a hipótese de combustível irregular.
Segundo o relato do professor, o mecânico realizou um teste na gasolina retirada do carro, na frente dele, e teria constatado a adulteração. “Ele falou que realmente estava adulterada. A cor já era diferente, uma coisa que eu nunca tinha visto”, afirmou o cliente, que também registrou o momento em vídeo.
O professor tentou resolver a situação diretamente com o posto em outras ocasiões, mas não obteve sucesso. Ele relatou que a proposta do estabelecimento era que ele retirasse todo o combustível do carro e o levasse até o local para um ressarcimento apenas do valor da gasolina. O cliente, por sua vez, propôs levar o veículo a uma oficina para análise, comprometendo-se a arcar com os custos caso o problema não fosse o combustível, mas essa oferta foi recusada.
Diante da falta de acordo, o professor decidiu retornar ao posto nesta quinta-feira com a prova em mãos e acionou a PM. Os policiais estiveram no local, ouviram ambas as partes, mas informaram que a corporação não possui competência para atestar a qualidade do combustível.
O proprietário do posto, que teve o nome preservado por falta de provas concretas de adulteração, negou veementemente as acusações. Ele afirmou que o posto nunca recebeu reclamações sobre a qualidade dos produtos e que o combustível apresentado pelo cliente não condiz com o vendido no local. “Nós temos o produto aqui, já fiz o teste e mostrei para ele. Estamos dentro dos parâmetros corretos de qualidade”, declarou o empresário.
O dono do estabelecimento também sugeriu que o problema no carro do cliente poderia ter outra origem, uma vez que o veículo é flex. “O carro dele é flex, então não sei se ele passou em outro lugar e colocou álcool”, ponderou, reforçando que não há registros de reclamações semelhantes em seu estabelecimento.
Com a divergência persistindo, o caso deverá ser encaminhado aos órgãos de defesa do consumidor para uma investigação formal e apuração de irregularidades. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) recomenda que, em casos de suspeita de combustível adulterado, o consumidor deve guardar a nota fiscal, procurar uma oficina de confiança para drenar o tanque e exigir um laudo técnico do mecânico. A denúncia também pode ser feita diretamente à ANP pelo telefone 0800 970 0267.
A situação reforça a importância de os consumidores estarem atentos à qualidade dos combustíveis e conhecerem seus direitos. O Campo Grande NEWS destaca que a transparência e a ação dos órgãos fiscalizadores são essenciais para garantir a segurança e a confiança no mercado de combustíveis. Casos como este servem de alerta para que outros motoristas busquem seus direitos e denunciem irregularidades, assegurando que os postos operem dentro das normas estabelecidas pela legislação.
O mecânico, ao analisar o combustível, teria notado uma coloração diferente do habitual, o que intensificou a suspeita de adulteração. Essa percepção visual, aliada às falhas apresentadas pelo veículo, levou o professor a buscar uma solução mais assertiva. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a falta de acordo sobre como proceder com a análise do veículo foi o principal impeditivo para uma resolução amigável entre as partes.
A intervenção da Polícia Militar, embora não tenha resultado na constatação imediata da adulteração, formalizou o registro da ocorrência e serviu como um passo importante para que o caso seja levado às autoridades competentes. A recomendação da ANP, citada anteriormente, é fundamental para que o consumidor reúna provas que corroborem sua denúncia e possibilitem uma investigação eficaz por parte dos órgãos de defesa do consumidor.

