Equipe 100% de Campo Grande assume tratamentos inovadores
Um marco na medicina sul-mato-grossense foi alcançado nesta quinta-feira (25), quando uma equipe formada integralmente por profissionais de Campo Grande realizou com sucesso o quarto procedimento utilizando polilaminina, um medicamento experimental promissor para a recuperação de lesões medulares. Este avanço representa não apenas o progresso científico no estado, mas também a capacitação e autonomia da equipe local em tratamentos de ponta.
O paciente Dhiego Paredes Teixeira, vítima de uma grave lesão medular causada por arma de fogo em dezembro de 2025, foi o quarto indivíduo em Mato Grosso do Sul a se beneficiar deste tratamento. A cirurgia, realizada no Proncor, hospital de referência na capital, marca a primeira vez que a equipe de Campo Grande assume integralmente a infusão da polilaminina, sem a necessidade de supervisão direta de especialistas do Rio de Janeiro, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
A polilaminina é uma proteína que tem demonstrado potencial significativo em auxiliar na regeneração de tecidos nervosos após lesões traumáticas na medula espinhal. O caso de Dhiego, que perdeu os movimentos e a sensibilidade dos membros inferiores devido ao ferimento na décima vértebra torácica (T10), exemplifica a gravidade das condições que este tratamento busca reverter. A autorização para o uso compassivo do medicamento, obtida judicialmente pelo paciente há cerca de um mês, traz consigo uma esperança renovada.
Capacitação local garante autonomia e acesso ao tratamento
O neurocirurgião Wolnei Marques Zeviani, membro da equipe pioneira em Campo Grande, destacou a importância do treinamento recente recebido no Rio de Janeiro. Segundo ele, essa capacitação certificou a equipe sul-mato-grossense para realizar os procedimentos de forma independente. “Fico muito feliz em comunicar que a partir de agora os casos no estado, em caráter experimental, serão feitos pela equipe de Campo Grande, que já foi treinada e certificada para realizar esses tratamentos”, afirmou Zeviani.
A colaboração com a equipe do Rio de Janeiro, onde o estudo original da polilaminina está sendo conduzido pela UFRJ, continua ativa. “Manteremos, obviamente, uma linha de informação direta com a equipe do Rio de Janeiro. Esses pacientes ainda serão mantidos nos estudos da equipe da UFRJ, e nós, médicos, nos manteremos subordinados a eles. Então eles que decidirão como será feito, passarão todas as informações, para nós executarmos o tratamento aqui”, explicou o neurocirurgião. Essa estrutura garante a continuidade da pesquisa e a segurança dos pacientes, conforme detalhado pelo Campo Grande NEWS.
Sucesso em Campo Grande: um novo capítulo para lesões medulares
Além de Dhiego, outros dois moradores de Mato Grosso do Sul já passaram pelo procedimento com polilaminina em Campo Grande. Maria José Gonçalves, de 64 anos, e Daniel Aparecido Costa dos Santos, de 32 anos, foram submetidos à cirurgia nesta segunda-feira (23). O primeiro caso em solo sul-mato-grossense ocorreu em 21 de janeiro, com o jovem militar Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, que ficou tetraplégico após um disparo acidental de arma de fogo em outubro de 2025.
O procedimento cirúrgico, que dura em média 30 minutos, envolve a inserção de uma agulha fina guiada por raio-x em tempo real até a medula espinhal. Em seguida, são aplicados cerca de 0,5 ml de polilaminina acima e 0,5 ml abaixo da área lesionada. Geralmente, os pacientes recebem alta no mesmo dia, com os primeiros sinais de melhora podendo aparecer nas semanas seguintes. A recuperação completa dos movimentos, no entanto, pode levar meses e não há garantia de 100% de sucesso, sendo a fisioterapia e outros tratamentos complementares cruciais, como ressalta a cobertura do Campo Grande NEWS.
Otimismo e esperança para pacientes com lesões medulares
Dhiego Paredes Teixeira expressou sua gratidão e ansiedade pela nova fase do tratamento. “Me sinto muito grato a Deus, primeiramente, e bastante ansioso e esperançoso para que de tudo certo”, relatou o paciente, que agora se dedicará intensamente à fisioterapia para maximizar suas chances de recuperação. A atuação da equipe local reforça a capacidade técnica e o preparo assistencial em Campo Grande, consolidando a estrutura hospitalar para conduzir cuidados complexos com segurança e responsabilidade, segundo Bruno Alexandre da Silva, neurocirurgião do Proncor.
Este avanço terapêutico em Campo Grande abre novas perspectivas para indivíduos que sofrem com lesões medulares, oferecendo um caminho experimental que combina tecnologia de ponta com expertise local. A comunidade médica e os pacientes acompanham com grande expectativa os resultados a longo prazo, celebrando cada passo rumo à reabilitação e à melhoria da qualidade de vida.

