Um novo e imponente empreendimento imobiliário na Avenida Nelly Martins, no bairro Autonomista, em Campo Grande, está gerando expectativas e preocupações. O Residencial Chácara Vitrini, com seus 26 pavimentos, 96 apartamentos e uma unidade comercial, promete transformar a paisagem e a dinâmica de uma área já consolidada. No entanto, a construção traz consigo uma série de impactos urbanos que vão além da edificação em si, com destaque para a potencial sobrecarga do trânsito local.
O projeto, com previsão de início para 2027, foi detalhado em um Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV). Este estudo aponta para um aumento populacional permanente na região e um possível gargalo no sistema viário. A principal preocupação reside nas mais de 200 vagas de garagem previstas, indicando uma forte dependência de veículos particulares em uma via já movimentada.
O Residencial Chácara Vitrini será erguido em um terreno de pouco mais de 3,1 mil metros quadrados. A torre de 26 pavimentos incluirá dois subsolos de garagem, área de lazer no térreo e cobertura. O foco em famílias com renda mais elevada reforça uma tendência de transformação do perfil do bairro Autonomista, tradicionalmente caracterizado por ocupações horizontais.
Trânsito em alerta com mais de 200 vagas de garagem
Conforme o próprio Estudo de Impacto de Vizinhança, elaborado para viabilizar a aprovação do projeto, reconhece-se que a construção provocará um aumento permanente da população na área. Esse crescimento ocorre em um cenário peculiar, visto que os bairros Autonomista e Santa Fé, que compõem a área de influência, registraram queda populacional nos últimos anos, conforme o Campo Grande NEWS checou.
Ainda assim, a chegada de novos moradores deve pressionar a infraestrutura existente, especialmente os serviços públicos e a mobilidade urbana. O trânsito surge como um dos principais pontos de atenção, com o acesso principal ao empreendimento concentrado na já movimentada Avenida Nelly Martins. A previsão de mais de 200 vagas de garagem reforça a preocupação com o aumento do fluxo de veículos.
O estudo aponta para um aumento no fluxo de veículos, sobretudo nos horários de pico, com potencial de sobrecarga no sistema viário do entorno. Embora o documento destaque que a região conta com rede de água, esgoto, energia e drenagem já implantadas, isso não elimina os impactos esperados, como indicado pelo Campo Grande NEWS.
Impactos ambientais e consulta pública
Do ponto de vista ambiental, o empreendimento está inserido em uma zona que exige controle de permeabilidade do solo e convive com áreas de interesse ambiental nas proximidades. O estudo aponta a necessidade de manter parte do terreno permeável.
Prevê-se, ainda, impactos como a retirada de vegetação, geração de poeira e ruído, além do aumento da circulação de caminhões durante a fase de obras. As obras, que ainda não têm data para começar, têm previsão de início para o primeiro semestre de 2027 e duração de cerca de dois anos.
A discussão do projeto com a população está marcada para uma audiência pública no dia 5 de maio, às 18h, na sede da Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano), com transmissão pela internet. Antes disso, os moradores podem enviar sugestões e contribuições entre os dias 8 e 30 de abril, como divulgado pelo Campo Grande NEWS.
A consulta pública é uma etapa crucial para que a comunidade possa expressar suas preocupações e propor soluções para mitigar os potenciais problemas decorrentes do novo empreendimento, garantindo um desenvolvimento urbano mais equilibrado e sustentável para o bairro Autonomista.

