Artistas protestam contra leilão do Cine Campo Grande

A possibilidade de venda do antigo Cine Campo Grande, um marco histórico e cultural de Campo Grande, voltou a acender o debate e a mobilizar a classe artística da capital. Um ato de protesto está sendo organizado para este domingo, 22 de outubro, às 18h, em frente ao prédio histórico no Centro da cidade. A manifestação é uma resposta direta ao anúncio de leilão do imóvel pelo Serviço Social do Comércio (Sesc).

O antigo Cine Campo Grande, que encerrou suas atividades em 2012, é agora alvo de um processo de venda que preocupa artistas e profissionais do setor cultural. O Colegiado Setorial de Audiovisual de Mato Grosso do Sul, juntamente com estudantes e outros trabalhadores da cultura, organizam o ato para defender a preservação do que consideram ser o último cinema de rua da cidade e um importante patrimônio cultural.

A cineasta e coordenadora do colegiado, Ara Martins, expressou a preocupação do grupo com a potencial perda deste espaço. Ela enfatiza que o valor do Cine Campo Grande transcende sua estrutura física, sendo um local crucial para a formação de público, o encontro de pessoas e a exibição de cinematografias que não encontram espaço no circuito comercial tradicional.

“O antigo Cine Campo Grande representa muito mais que um prédio. É um lugar de formação de público, de encontro e de circulação de cinematografias que não encontram espaço no circuito comercial”, afirma Ara Martins. A manifestação, segundo ela, tem um caráter simbólico forte, visando alertar sobre o impacto cultural que a venda do imóvel pode acarretar. A principal reivindicação é que o local mantenha sua função original, dedicada ao cinema.

Preservar a memória e a cultura

A luta pela preservação do Cine Campo Grande vai além da estrutura física do edifício. Os manifestantes argumentam que o que está em jogo é a continuidade de um espaço vital para o cinema independente, a diversidade de programação e o acesso à cultura para toda a população. O grupo critica o que percebe como uma falta de compromisso com políticas culturais voltadas à salvaguarda de espaços históricos.

“O que está em jogo não é só a preservação do prédio, mas a continuidade de um espaço dedicado ao cinema independente, com diversidade de programação e acesso à população”, pontua Ara Martins. A coordenadora revela que a comunidade artística se sentiu enganada, pois havia a expectativa de uma reabertura e um projeto de revitalização em andamento. “A gente se sentiu iludido, porque havia uma promessa de reabertura. Existia um projeto arquitetônico, um processo de revitalização em andamento. De repente, veio a notícia do leilão”, lamenta.

Justificativas e críticas

O Sesc, atual proprietário do imóvel, justifica a venda pela falta de estacionamento na região central, um argumento que os manifestantes consideram insuficiente diante da importância social e simbólica do espaço. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o Sesc adquiriu o prédio em 2013, um ano após o fechamento do cinema, com planos iniciais de transformá-lo em um centro cultural, projeto que, no entanto, não avançou.

Para os organizadores do protesto, a venda do Cine Campo Grande reforça um cenário preocupante de enfraquecimento da cultura local. Além do impacto direto no setor audiovisual, eles alertam que o fechamento definitivo do cinema afeta a dinâmica urbana do Centro, reduzindo as opções de lazer e cultura e impactando negativamente a economia do entorno. O prédio é considerado um patrimônio da memória coletiva, e sua perda significaria menos acesso à cultura e menos espaços públicos de convivência.

O futuro incerto do Cine Campo Grande

Em nota oficial, o Sesc declarou que a inclusão do imóvel em leilão faz parte de uma estratégia institucional, pois o espaço não atenderia mais às necessidades atuais da entidade. O futuro do Cine Campo Grande permanece indefinido, enquanto artistas, produtores culturais e cidadãos buscam reverter o cenário e garantir que um dos marcos históricos do audiovisual em Campo Grande continue a servir à comunidade.

A mobilização deste domingo busca não apenas protestar contra o leilão, mas também reavivar a discussão sobre a importância de espaços culturais históricos para a identidade e o desenvolvimento de uma cidade. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a expectativa é que o ato atraia um grande número de pessoas, demonstrando o quanto o Cine Campo Grande é querido e vital para a memória e o futuro cultural de Campo Grande. O Campo Grande NEWS continua acompanhando o desdobramento deste caso, que pode impactar significativamente o cenário cultural da capital sul-mato-grossense.