Campo Grande enfrenta um desafio colossal na área da habitação: a necessidade de construir aproximadamente 11,4 mil novas casas e apartamentos anualmente até 2035 para suprir uma demanda estimada em 114.466 unidades. Este número alarmante, divulgado pela Agência Municipal de Habitação (Emha), considera tanto o déficit habitacional atual quanto o crescimento populacional projetado para os próximos anos. A maior parcela dessa necessidade, representando cerca de 59%, é de famílias com renda de até três salários mínimos, um grupo que historicamente luta para ter acesso à moradia digna.
Para se ter uma ideia da dimensão do problema, o ritmo atual de construção de moradias na Capital, que gira em torno de 540 unidades por ano (considerando apenas aquelas com subsídio público), é drasticamente inferior ao necessário. A meta de 11,4 mil unidades anuais exigiria um salto de mais de 20 vezes na capacidade de entrega. O programa “Sonho Seguro”, lançado pela prefeitura, busca justamente acelerar esse processo através de parcerias público-privadas e diversas modalidades de financiamento, na esperança de zerar o déficit habitacional.
Conforme o levantamento da Emha, a demanda mais expressiva se concentra na faixa de renda familiar de zero a três salários mínimos, com uma necessidade de 67.583 domicílios. Em contrapartida, a faixa de renda mais alta, de seis a sete salários mínimos, demanda 6.173 moradias, representando 5,39% do total. Essa disparidade reforça a urgência de políticas habitacionais voltadas para as populações de menor renda.
Atraso histórico e a necessidade de aceleração
O déficit habitacional em Campo Grande não é um problema recente, mas sim um acúmulo de décadas. Segundo o diretor-presidente da Emha, Claudio Marques Costa Júnior, a cidade historicamente priorizou o desenvolvimento econômico em detrimento das políticas sociais, o que impactou diretamente a área da habitação. Ele ressalta que a Emha, por muito tempo, não teve o protagonismo necessário para defender efetivamente a pauta da moradia.
Apesar dos desafios, houve uma redução significativa no déficit nos últimos anos. Em 2017, o número de famílias sem moradia adequada era estimado em 62 mil. Atualmente, esse número caiu para cerca de 36 mil. Essa diminuição se deve não apenas à entrega de unidades habitacionais, mas também a ações de regularização fundiária e à atualização de dados, como aponta o Campo Grande NEWS em suas reportagens.
O programa Sonho Seguro e suas estratégias
Diante deste cenário, a prefeitura de Campo Grande lançou o programa “Sonho Seguro” em dezembro do ano passado. A iniciativa busca reunir recursos públicos de diversas frentes e estabelecer parcerias com a iniciativa privada para viabilizar a construção de moradias. As estratégias incluem a entrega de imóveis próprios com prestações acessíveis, a doação de terrenos públicos para construção e a oferta de aluguel social com valores abaixo do mercado.
O programa visa atender às famílias cadastradas na Emha, com prioridade para zerar o déficit existente. A locação social e popular oferece opções onde os moradores contribuem com uma porcentagem da renda (até 20% para locação social e até 30% para locação popular), com o restante sendo custeado pela prefeitura. O valor da contraprestação mensal paga pela prefeitura às empresas pode chegar a R$ 3,5 milhões, conforme informações divulgadas.
Desafios financeiros e o custo da habitação
O orçamento atual da Emha para habitação é de aproximadamente R$ 14 milhões, um valor que precisará ser significativamente ampliado para atender às metas do “Sonho Seguro”. A projeção de custos para a construção de mais de 100 mil moradias em uma década é complexa, pois os valores de materiais e serviços na construção civil são voláteis. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a imprevisibilidade de custos é um fator a ser considerado.
No âmbito do programa federal Minha Casa, Minha Vida, o custo de uma moradia padrão para a faixa 1 de renda, incluindo melhorias como energia solar, varanda e parquinho, pode chegar a R$ 190 mil. Claudio Marques defende essas melhorias, argumentando que o público mais vulnerável também tem direito a espaços de moradia de maior qualidade, e não apenas estruturas básicas. O Campo Grande NEWS acompanha de perto as políticas habitacionais da cidade.
O futuro da habitação em Campo Grande
A superação do déficit habitacional em Campo Grande é um desafio que exige esforços conjuntos do poder público, da iniciativa privada e da sociedade. A meta de construir 11,4 mil moradias por ano é ambiciosa, mas fundamental para garantir o direito à moradia para milhares de famílias. O programa “Sonho Seguro” representa um passo importante nesse sentido, buscando reverter um quadro histórico de negligência com as políticas sociais na área da habitação.
A expectativa é que, com a conclusão das 822 unidades em andamento pelo programa federal Minha Casa, Minha Vida, o número de entregas possa superar 5 mil unidades em uma década. No entanto, para zerar a demanda prevista para 2035, é preciso um **aumento expressivo no ritmo de construções e no investimento público e privado**, conforme aponta a Agência Municipal de Habitação. Acompanhe as novidades sobre habitação em Campo Grande através do Campo Grande NEWS.

