Influenciador Du Mato pede para estudar na prisão após ser condenado por tráfico

A defesa do influenciador digital Alisson Benitez Grance, popularmente conhecido nas redes sociais como “Du Mato”, apresentou um pedido inusitado durante a audiência de custódia realizada neste sábado (14). Após se entregar à polícia em Campo Grande, onde cumpria um mandado de prisão definitivo, Grance solicitou à Justiça que lhe fosse permitida a continuidade de seus estudos enquanto cumpre a pena de 8 anos e 2 meses de reclusão pela condenação em tráfico de drogas. O caso, que gerou grande repercussão, baseou-se em uma impressão digital encontrada em fita adesiva utilizada para embalar entorpecentes enviados pelos Correios, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

A condenação de “Du Mato” se deu em processos distintos, com a defesa alegando inocência e sustentando que a fita adesiva em questão poderia ter origem em um lote furtado de sua loja em 2021. Segundo o advogado Luiz Kevin Barbosa, a entrega do influenciador foi organizada para evitar abordagens policiais inesperadas, com o próprio defensor acionando a polícia para garantir a segurança de seu cliente no momento da apresentação.

Durante a audiência de custódia, a análise judicial se limitou a verificar o respeito aos direitos do preso e a validade do mandado de prisão, uma vez que a detenção não ocorreu em flagrante, mas sim por força de ordem judicial prévia. Questões como o local de cumprimento da pena e a continuidade dos estudos, embora levantadas pela defesa, não puderam ser decididas pelo juiz naquele momento.

Defesa busca garantir estudos durante pena

O pedido para que Alisson Benitez Grance, o “Du Mato”, possa prosseguir com seus estudos durante o período de encarceramento foi formalizado pela sua equipe de advogados. A solicitação visa assegurar que o influenciador não perca oportunidades educacionais enquanto cumpre a pena. A defesa argumenta que a continuidade dos estudos é um direito e pode auxiliar no processo de ressocialização.

O juiz responsável pela audiência explicou que essas definições cabem à fase de execução penal, sob responsabilidade do Juízo da Execução Penal e da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen). Para que o pedido de continuidade dos estudos seja avaliado, a defesa precisará apresentar documentos que comprovem o vínculo ou a intenção concreta de Grance em seguir estudando.

Influenciador alega inocência e perseguição

Em entrevista exclusiva ao Campo Grande NEWS, horas antes de se apresentar à polícia, “Du Mato” afirmou sua intenção de cumprir a decisão judicial, mas reiterou que considera a condenação injusta. Ele alega ser alvo de perseguição desde o início de 2025 e que a investigação que levou à sua condenação se baseou em uma única prova: a impressão digital em uma fita adesiva usada para embalar maconha.

Grance explicou que a fita pode ter vindo de um lote de materiais furtados de sua loja, localizada na Rua da Divisão, em Campo Grande, em dezembro de 2021. Na ocasião, o estabelecimento foi arrombado, e, segundo ele, diversos produtos, incluindo rolos de fita adesiva, foram levados, com registro de boletim de ocorrência.

Ele se diz surpreso com os processos criminais relacionados a remessas de drogas pelos Correios, afirmando que não há provas concretas de sua participação. “Pegaram meu celular e encontraram alguma conversa traficando? Não. Existe alguma prova de que eu cometi crime? Não”, questionou.

Caso envolve três processos distintos

O advogado Luiz Kevin Barbosa destacou que o caso resultou em três processos criminais distintos, todos originados da mesma apreensão de drogas. Segundo a defesa, a investigação teria utilizado a impressão digital de “Du Mato” encontrada em um dos pacotes para vinculá-lo às demais remessas de entorpecentes enviadas pelos Correios.

“A investigação encontrou uma digital dele em um pacote e começaram a usar essa digital para citar ele nos outros processos”, explicou o advogado. A defesa ressalta que, em um dos processos, “Du Mato” chegou a ser absolvido, com a decisão judicial indicando a ausência de elementos que comprovassem sequer sua presença em agência dos Correios ou contato com as drogas apreendidas, como apurado pelo Campo Grande NEWS.

Apesar das alegações de inocência e das absolvições em alguns processos, o influenciador foi condenado a 8 anos e 2 meses de prisão. A possibilidade de continuar os estudos agora será analisada na fase de execução penal, onde a Justiça avaliará se a solicitação da defesa será atendida.