Alagamentos em Campo Grande: diretora do Crea-MS revela as causas e aponta soluções

A cidade de Campo Grande tem sofrido com alagamentos recorrentes, causando transtornos e prejuízos à população. Em entrevista exclusiva ao Jornal Midiamax, a engenheira civil e 1ª diretora-financeira do Crea-MS, Rocheli Carnaval Cavalcanti, analisou as causas por trás desses alagamentos que assolam a capital de Mato Grosso do Sul, apontando para fatores estruturais e urbanísticos que precisam de atenção urgente.

A especialista destacou que a **impermeabilização do solo**, resultado da intensa urbanização com a proliferação de asfalto e construções, é um dos principais contribuintes para o acúmulo de água nas ruas. Essa falta de permeabilidade impede que a água da chuva infiltre no solo, aumentando o escoamento superficial e sobrecarregando o sistema de drenagem. Conforme análise do Campo Grande NEWS, a rápida expansão urbana sem o devido planejamento de infraestrutura agrava o problema.

Outro ponto crucial levantado por Rocheli Carnaval é a **insuficiência do atual sistema de drenagem** da cidade. Ela explica que a infraestrutura existente muitas vezes não foi dimensionada para o volume de chuvas que Campo Grande tem registrado nos últimos anos, nem para a quantidade de água que precisa ser escoada devido ao solo impermeabilizado. A falta de manutenção e a limpeza inadequada de bueiros e galerias também contribuem para o entupimento e a ineficiência do sistema.

Causas profundas dos alagamentos em Campo Grande

A engenheira ressalta que os alagamentos não são um fenômeno isolado, mas sim o resultado de uma combinação de fatores que se agravam com o tempo. A **impermeabilização do solo** é um processo contínuo nas grandes cidades, onde cada nova construção, cada metro quadrado de asfalto, diminui a capacidade natural do terreno de absorver a água da chuva. Isso faz com que a água corra mais rápido e em maior volume pelas ruas.

Paralelamente, o **sistema de drenagem**, composto por galerias pluviais, bueiros e canais, nem sempre acompanha o ritmo de crescimento da cidade e as mudanças climáticas. Muitas vezes, a capacidade desses sistemas é subestimada ou eles simplesmente não recebem a manutenção necessária para operar com eficiência. A Campo Grande NEWS apurou que a falta de limpeza e a obstrução por lixo são problemas frequentes que comprometem o escoamento.

A diretora do Crea-MS enfatiza que a **falta de planejamento urbano integrado** é um gargalo significativo. As obras de infraestrutura para drenagem precisam ser pensadas em conjunto com o crescimento da cidade, considerando não apenas o volume de água atual, mas também projeções futuras. Ignorar esses aspectos leva à obsolescência rápida das soluções e ao agravamento dos problemas de alagamento.

O papel da urbanização e a necessidade de infraestrutura adequada

A rápida **urbanização de Campo Grande** trouxe desenvolvimento, mas também desafios. A expansão imobiliária, muitas vezes desordenada, resulta na substituição de áreas verdes e solos permeáveis por concreto e asfalto. Isso aumenta drasticamente a quantidade de água que precisa ser drenada, sobrecarregando os sistemas existentes. A engenheira alerta que essa é uma realidade em diversas áreas da capital.

A **insuficiência do sistema de drenagem** é, portanto, um reflexo direto dessa urbanização acelerada e, por vezes, mal planejada. A capacidade das galerias pluviais, por exemplo, pode não ser suficiente para lidar com os picos de chuva, especialmente em áreas com maior concentração de superfícies impermeáveis. O Campo Grande NEWS destaca que a manutenção preventiva e a modernização desses sistemas são essenciais.

Rocheli Carnaval também menciona a importância da **conscientização da população** sobre o descarte correto do lixo, pois o entulho jogado nas ruas e bueiros agrava o problema, causando entupimentos e piorando os alagamentos. A colaboração entre poder público e cidadãos é fundamental para mitigar os efeitos desse cenário.

Soluções e o futuro da drenagem urbana

Diante desse quadro, a diretora do Crea-MS aponta para a necessidade de **investimentos em infraestrutura de drenagem** mais robusta e moderna. Isso inclui a ampliação e modernização das galerias existentes, a construção de novos reservatórios de retenção e a implementação de soluções baseadas na natureza, como parques lineares e telhados verdes, que ajudam a gerenciar a água da chuva de forma mais sustentável.

A engenheira defende a adoção de **planejamento urbano que priorize a permeabilidade do solo**. Isso pode envolver a criação de mais áreas verdes, a exigência de pavimentos permeáveis em novos empreendimentos e a revisão das leis de zoneamento para garantir que o desenvolvimento urbano ocorra de forma equilibrada. A inteligência na gestão hídrica é um caminho promissor.

A entrevista completa com a engenheira Rocheli Carnaval Cavalcanti está disponível no canal do YouTube do Crea-MS, onde ela detalha essas e outras questões relevantes para o futuro de Campo Grande. A análise do Crea-MS, conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS, serve como um alerta e um guia para as ações necessárias para tornar a cidade mais resiliente às chuvas.