Raízen: crise bilionária e esperança de venda da usina em Caarapó

A notícia do pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, gigante do setor sucroenergético, para renegociar dívidas bilionárias de R$ 65,1 bilhões, gerou apreensão entre os cerca de 1,7 mil trabalhadores da única unidade industrial da empresa em Caarapó, Mato Grosso do Sul. No entanto, o sindicato da categoria emana otimismo, apostando na continuidade das operações e até mesmo na possibilidade de a usina ser adquirida por outros grupos do agronegócio interessados.

Crise na Raízen: o que diz o sindicato em Caarapó?

A Raízen, que opera uma importante usina em Caarapó (MS), entrou com um pedido de recuperação extrajudicial visando reestruturar um passivo financeiro de R$ 65,1 bilhões. Apesar do cenário delicado, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Açúcar, Etanol e Bioenergia de Caarapó mantém uma postura esperançosa. A entidade sindical acredita que as atividades na unidade local serão mantidas, e há expectativas de que a usina possa ser vendida para outros grupos empresariais com interesse no setor.

O presidente do sindicato, Adeildo de Oliveira, confirmou que a empresa emprega atualmente aproximadamente 1,7 mil pessoas em Caarapó. Ele admitiu que houve uma redução no quadro funcional no final de 2025, com cerca de 250 demissões, tanto na área industrial quanto na agrícola. “Hoje o quadro já está bem reduzido”, declarou Oliveira.

Apesar da diminuição no número de funcionários, o dirigente sindical enfatiza que a expectativa é de continuidade das operações. “Tem cana plantada, tem contratos e compromissos com credores. A safra precisa acontecer”, ressaltou, indicando que os compromissos produtivos da empresa precisam ser honrados.

Reunião para tranquilizar os funcionários

Após a divulgação da notícia sobre a recuperação extrajudicial, muitos trabalhadores procuraram o sindicato em busca de informações. Para acalmar os ânimos, uma reunião virtual foi realizada na quarta-feira (11) entre diretores da empresa e gestores das unidades. “Foi uma conversa para tranquilizar os funcionários”, afirmou Adeildo de Oliveira, que foi informado sobre o teor do encontro.

A empresa comunicou que a operação local em Caarapó deve seguir ativa no curto prazo. Como um sinal de continuidade, há previsão de contratação de mais 140 trabalhadores temporários nas próximas semanas para reforçar o efetivo no início da safra, que está prevista para o final de abril. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa movimentação reforça a perspectiva de que a unidade continuará em operação.

Interesse de grupos do agronegócio na usina

Outro fator que alimenta o otimismo do sindicato é o interesse demonstrado por outros grupos do agronegócio na unidade de Caarapó. Adeildo de Oliveira relatou que representantes de empresas do setor já visitaram as instalações nos últimos dias para avaliar o potencial do ativo. “Isso traz esperança porque a unidade daqui é moderna e tem logística muito boa”, disse o presidente do sindicato.

Essa possibilidade de aquisição por novos investidores, segundo o sindicato, pode ser um caminho para garantir a estabilidade e o futuro dos empregos em Caarapó. A estrutura moderna e a boa localização logística da usina são pontos fortes que atraem o interesse de potenciais compradores. A notícia foi amplamente divulgada pelo Campo Grande NEWS, que acompanha de perto os desdobramentos econômicos na região.

Entenda a dívida bilionária da Raízen

O pedido de recuperação extrajudicial protocolado pela Raízen abrange um montante impressionante de aproximadamente R$ 65,14 bilhões em dívidas, configurando-se como um dos maiores processos do tipo já registrados no Brasil. O processo envolve nove empresas do grupo, incluindo a Raízen Caarapó Açúcar e Álcool.

Documentos apresentados à Justiça indicam que a crise financeira da empresa foi agravada por uma combinação de fatores. Entre eles, destacam-se a queda na produtividade agrícola, a redução das margens de lucro no setor sucroenergético e o aumento do custo da dívida, impulsionado pela elevação da taxa básica de juros (Selic). O Campo Grande NEWS detalhou os motivos que levaram a Raízen a buscar a recuperação extrajudicial.

Apesar do volume expressivo da dívida, a Raízen tem afirmado que o processo tem um escopo exclusivamente financeiro. A empresa garante que as atividades operacionais em todas as suas unidades, incluindo a de Caarapó, continuam sendo conduzidas normalmente, buscando manter a normalidade e a confiança do mercado.