A recente queda de parte do revestimento externo do Condomínio Edifício Irmãos Salomão, na Rua 14 de Julho, em Campo Grande, reacendeu o debate sobre a segurança de prédios antigos no Centro da cidade. A dúvida que paira é: outras construções históricas correm o mesmo risco? Aparentemente, a resposta da população que convive diariamente na região é um sonoro não. Moradores e trabalhadores locais afirmam que acidentes envolvendo quedas de revestimentos ou rebocos são raros, e que as edificações, apesar de visivelmente desgastadas pelo tempo, não apresentam perigos estruturais iminentes.
O levantamento, realizado pelo Campo Grande NEWS, buscou entender a percepção dos cidadãos sobre a integridade de construções que marcam a paisagem urbana há décadas. O incidente no Edifício Irmãos Salomão serviu como estopim para essa investigação, mas os relatos colhidos indicam uma **tranquilidade geral** quanto à segurança das edificações mais antigas.
A análise abrangeu diversos prédios históricos, como o Edifício Rachid Neder, datado da década de 1960, e o Edifício Nakao, inaugurado em 1948. Ambos, assim como o Condomínio Satélite, mostram sinais naturais de envelhecimento, como pintura desgastada e algumas infiltrações, mas, segundo os entrevistados, nada que comprometa sua estrutura ou ofereça risco à população.
O Centro de Campo Grande é um palco de histórias, com edificações que testemunharam o desenvolvimento da cidade. Passeando pelas ruas centrais, é possível notar a presença de muitos prédios com décadas de existência, alguns exibindo a pátina do tempo em suas fachadas. No entanto, uma inspeção visual, aliada ao depoimento de quem vive e trabalha no local, sugere que o envelhecimento dessas estruturas tem sido gerenciado com **manutenção adequada**, evitando que o desgaste se transforme em perigo.
Na esquina da Rua Barão do Rio Branco com a 13 de Maio, ergue-se o Edifício Rachid Neder, um dos mais antigos da cidade, com seus 15 andares e construção iniciada nos anos 60. O zelador do prédio, Ruberval Costa, assegura que a **manutenção é uma prioridade constante**. Ele relata que, até o momento, nunca houve ocorrências de danos que pudessem colocar em risco os moradores ou o público que transita pela área.
Costa destaca um elemento arquitetônico que contribui para essa segurança: as marquises. “Aqui ainda tem marquise, o que é proibido nos prédios de hoje em dia. Então assim, qualquer coisa que caia, tem a marquise pra proteger”, explicou. Essa característica, comum em construções mais antigas, oferece uma camada extra de proteção contra a queda de objetos.
Apesar da segurança geral, o zelador aponta pequenos desgastes visíveis na parte externa, como alguns ladrilhos soltos em parapeitos e pequenas fissuras no concreto das janelas. Contudo, ele reforça que esses são sinais de envelhecimento natural, e não de problemas estruturais graves.
Helga Fischer, advogada aposentada e moradora do Edifício Rachid Neder há pelo menos 20 anos, compartilha da mesma opinião. “Aqui é tudo ótimo e não me lembro de nenhum acidente”, afirmou, demonstrando **satisfação com a conservação do prédio** onde reside.
Outras edificações antigas também foram observadas. O Condomínio Edifício Satélite, localizado na esquina da Rua 13 de Maio com a Dom Aquino, que já abrigou uma agência do Banco do Brasil, e o Edifício Nakao, onde atualmente funciona a loja de calçados Passaletti, são exemplos. O Edifício Nakao, construído em 1948, assim como o Satélite, apresenta falhas no revestimento em algumas áreas, especialmente abaixo das janelas, mas, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, os danos são considerados superficiais.
A reportagem do Campo Grande NEWS percorreu diversas ruas do Centro, confirmando a presença de muitos prédios antigos, alguns necessitando de reformas na pintura e com sinais de infiltração. Contudo, os **riscos mais graves, como desabamentos ou quedas de grandes blocos de concreto, não parecem ser uma preocupação imediata** para os moradores e comerciantes da região. A percepção geral é de que, embora o tempo deixe suas marcas, a estrutura desses edifícios históricos tem se mantido firme e segura.
A análise detalhada realizada pelo Campo Grande NEWS, com base em informações coletadas na própria região, reforça a ideia de que a **longevidade dos prédios centrais não está diretamente ligada a um risco iminente**. A manutenção regular, a atenção de zeladores e síndicos, e até mesmo características arquitetônicas como as marquises, contribuem para que essas construções continuem a contar a história da cidade de forma segura.

