Um dos murais que celebram as raízes de Campo Grande, o “Benção Tia Eva”, localizado na Rua 14 de Julho, corre o risco de desaparecer. A obra, que homenageia uma figura feminina importante para o Estado, pode ser removida em breve devido ao descolamento e queda de placas de concreto da parede lateral da Galeria São José. O problema estrutural já causou danos e levou a uma decisão judicial que exige reparos urgentes no edifício.
Risco iminente de queda e decisão judicial
O mural “Benção Tia Eva”, pintado em novembro de 2022 como parte de um projeto da Prefeitura de Campo Grande para homenagear mulheres notáveis do Estado, está ameaçado. A obra, que ocupa a parede lateral da Galeria São José, começou a apresentar falhas estruturais que culminaram na queda de partes do reboco sobre o telhado de uma clínica odontológica vizinha em fevereiro do ano passado. Conforme informações apuradas pelo Campo Grande NEWS, a situação se agravou e a Justiça determinou que o Condomínio Edifício Irmãos Salomão, responsável pelo prédio, realize os reparos necessários em um prazo de 20 dias, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.
Problemas estruturais e laudo pericial
A decisão judicial, proferida em 4 de março pelo juiz da 6ª Vara Cível, Deni Luis Dalla Riva, baseia-se em um laudo pericial que aponta a “persistência de risco de desplacamento de revestimento e eventual queda de fragmentos da fachada”. O documento ressalta que a situação pode afetar não apenas o imóvel vizinho, mas também transeuntes e terceiros que circulam pela via pública adjacente ao edifício. A perícia identificou infiltrações que atingem do 5º ao 13º andar do prédio, indicando a necessidade de investigação e reparo específicos nessas áreas antes da recomposição definitiva do revestimento.
O magistrado enfatizou que o risco estrutural em uma edificação localizada em área urbana e de circulação pública pode comprometer a segurança e a integridade física da coletividade, configurando uma situação com potencial repercussão transindividual e justificando a atuação institucional para a tutela preventiva de interesses difusos e da segurança urbana.
Cumprimento da ordem judicial e o futuro do mural
Em contato com o atual síndico do condomínio, Adson Paiva Valente, foi informado que a determinação judicial será cumprida e que a situação é, de fato, grave. Segundo ele, o processo de autorização das obras já foi iniciado junto à prefeitura e aguarda resposta. Um pano de proteção será instalado na lateral do edifício após o período de chuvas para evitar novos danos. Valente confirmou que a pintura de Tia Eva “deve mesmo desaparecer, porque tem que retirar todos os rebocos soltos, é o que causou e pode causar mais danos!”.
O advogado Elcio Paes, representando o imóvel vizinho, informou que, até o momento, não houve manifestação da administração do edifício sobre o início das obras. Ele destacou que a proprietária do imóvel vizinho já realizou investimentos preventivos, instalando reforços no telhado para mitigar possíveis danos em caso de queda de reboco. Contudo, a principal preocupação continua sendo a segurança dos pedestres que circulam pela calçada da Rua 14 de Julho, devido ao risco de desprendimento de partes da fachada.
O caso, que ganhou destaque nas páginas do Campo Grande NEWS, evidencia a importância da manutenção predial e da segurança pública. A obra em homenagem a Tia Eva, que buscava valorizar a história e a cultura local, pode se tornar apenas uma lembrança, caso os reparos necessários não sejam realizados a tempo. A situação também levanta questionamentos sobre a fiscalização e a responsabilidade pela conservação de fachadas em edifícios antigos no centro da cidade.
O Campo Grande NEWS continuará acompanhando o desenrolar deste caso, que envolve segurança, patrimônio histórico e a vida urbana de Campo Grande. A expectativa é que as autoridades competentes e os responsáveis pelo edifício tomem as medidas necessárias para garantir a segurança da população e, se possível, preservar a obra de arte.

