Uma cena incomum chamou a atenção de moradores e despertou a solidariedade de uma servidora pública em Campo Grande neste último sábado. Uma arara-canindé, visivelmente machucada, ficou sob os cuidados de Elizandra Farias, de 44 anos, por longas quatro horas e meia, enquanto ela aguardava o socorro especializado para a ave ferida. O caso, que demonstra a importância da prontidão e do cuidado com a fauna silvestre, foi acompanhado de perto pela Polícia Militar Ambiental e pelo Instituto Arara Azul, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
A descoberta ocorreu durante a caminhada matinal de Elizandra pelo bairro Santa Luzia, onde reside. Inicialmente, a ave em um galho seco no chão pareceu apenas um belo espetáculo da natureza, rendendo fotos. No entanto, ao retornar do percurso de 4 quilômetros, a servidora notou que a arara permanecia no mesmo local e, com atenção, percebeu a asa machucada, um sinal claro de que precisava de ajuda urgente.
Resgate prolongado pela espera de socorro
O que começou como um encontro casual transformou-se em um ato de dedicação. Eram 8h da manhã quando Elizandra percebeu a gravidade da situação. A partir daí, ela se dedicou a permanecer ao lado da arara, sob o sol forte, aguardando que alguma autoridade viesse prestar assistência. A situação, que se estendeu por horas, evidenciou a necessidade de agilidade em casos de resgate de animais silvestres.
“Estou há horas sentada na calçada, nesse sol”, relatou Elizandra, demonstrando a persistência e o desconforto da longa espera. A servidora, movida pela preocupação com o bem-estar do animal, não desistiu até que o socorro chegasse, provando que a ação individual pode fazer uma grande diferença.
Mobilização e parceria para salvar a ave
Diante da situação, Elizandra prontamente acionou a Polícia Militar Ambiental (PMA). Embora a viatura estivesse em outra ocorrência no momento, a PMA demonstrou eficiência ao entrar em contato com o Instituto Arara Azul. A parceria entre os órgãos foi fundamental para identificar a necessidade de resgate e providenciar o atendimento adequado.
O Instituto Arara Azul, após receber imagens da ave, confirmou que se tratava de um filhote de arara-canindé com uma lesão na asa. A informação crucial passada à servidora foi que filhotes em fase de aprendizado de voo, muitas vezes, têm dificuldade em retornar aos ninhos e necessitam de auxílio. Contudo, neste caso específico, a lesão exigia intervenção veterinária especializada.
Encaminhamento para tratamento e dicas de socorro
Por volta das 12h, uma equipe da PMA informou que se deslocaria ao local para realizar o resgate. Elizandra permaneceu firme em sua missão até as 12h30, quando os militares chegaram e puderam recolher a arara. A ave ferida foi então encaminhada ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) para receber todos os cuidados necessários à sua recuperação.
O caso serve como um importante lembrete para a comunidade sobre como proceder em situações semelhantes. Conforme as orientações divulgadas pelo Campo Grande NEWS, caso alguém se depare com um animal silvestre ferido ou em perigo e não saiba como agir, a recomendação é acionar imediatamente a Polícia Militar Ambiental pelo telefone 3901-0141 ou o Instituto Arara Azul pelo número 3222-1205. A pronta comunicação e a colaboração entre cidadãos e órgãos competentes são essenciais para a preservação da fauna local.
A dedicação de Elizandra Farias, que dedicou parte de seu dia de folga para garantir o socorro de uma arara machucada, é um exemplo notável de cidadania e amor pela natureza. O trabalho de entidades como a PMA e o Instituto Arara Azul, aliado à atitude proativa de pessoas como Elizandra, reforça a importância da proteção ambiental em nossa cidade, como frequentemente destacado pelo Campo Grande NEWS.

