Quase um mês após o início das aulas em Campo Grande, a promessa de kits de material escolar pela Prefeitura ainda não se concretizou para muitos alunos da rede municipal. A ausência desses itens essenciais tem gerado preocupação e impactado diretamente o orçamento das famílias, que se veem na obrigação de comprar os materiais por conta própria para garantir a continuidade dos estudos dos filhos.
Alunos sem material básico em Campo Grande
A cena se repete em diversas escolas municipais de Campo Grande. Na Escola Municipal Olívia Enciso, por exemplo, a variedade de mochilas e materiais trazidos pelos estudantes já evidencia a demora na entrega dos kits prometidos pelo poder público. A falta de uma previsão clara para a distribuição tem sido um fator de apreensão para pais e responsáveis.
A situação força pais a buscarem soluções imediatas. Franciele, mãe de dois alunos da rede municipal, relatou que precisou desembolsar cerca de R$ 300 para adquirir os materiais necessários. “Tive que comprar do meu bolso, não tive escolha”, desabafou.
Flávio Rosa Mendes, pai de uma aluna, compartilhou a mesma dificuldade. “Ainda não recebi os materiais. Tive que comprar por conta própria para que minha filha pudesse acompanhar as aulas”, contou.
Diante da lacuna deixada pela prefeitura, iniciativas sociais buscam suprir a demanda. A Central Única das Favelas (Cufa) em Campo Grande, através de seu projeto de reforço escolar, conseguiu distribuir kits de material para 27 crianças da rede municipal. Letícia Polidorio, uma das responsáveis pelo projeto, destacou a urgência da ação: “As mães foram pegas de surpresa. Muitas não tinham dinheiro para comprar o material e estávamos preocupados com o aprendizado das crianças”, explicou.
Contratos e licitações sob escrutínio
Campo Grande conta com aproximadamente 100 mil estudantes matriculados na rede municipal. As aulas tiveram início em 9 de fevereiro, mas o processo de contratação das empresas fornecedoras dos kits só começou após o retorno dos alunos às salas de aula. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, o Diário Oficial do Município, em sua edição de 20 de janeiro, publicou o extrato de um contrato que prevê gastos superiores a R$ 6 milhões com a aquisição de kits escolares.
Um ponto de atenção levantado pelo documento refere-se à inclusão de valores destinados a kits de ensino médio, Educação de Jovens e Adultos (EJA) e educação profissional. Essas modalidades de ensino, no entanto, não existem atualmente na rede municipal de Campo Grande, levantando questionamentos sobre a destinação dos recursos e a elaboração do edital de licitação. O Campo Grande NEWS buscou esclarecimentos sobre essa especificidade.
Secretaria de Educação alega andamento da distribuição
A Secretaria Municipal de Educação (Semed) foi contatada para comentar a situação, mas não concedeu entrevista. Em nota oficial, a pasta afirmou que não há interrupção no fornecimento do kit escolar. Segundo a Semed, a distribuição está em andamento e segue um cronograma logístico já estabelecido.
A secretaria informou que as unidades escolares que ainda não receberam os materiais estão nas fases finais do processo de entrega. Contudo, a Semed não detalhou o número exato de escolas ou alunos que ainda aguardam pelos kits, mesmo com o atraso considerável desde o início do ano letivo. A falta de transparência sobre esses dados é um ponto crítico, conforme analisado pelo Campo Grande NEWS.
A pasta também não apresentou detalhes sobre a licitação específica para os materiais voltados ao ensino médio, modalidade que, como mencionado, não faz parte da oferta educacional da rede municipal. A demora na entrega e as dúvidas sobre os processos licitatórios geram insegurança entre os pais e a comunidade escolar, que esperam por uma solução rápida e eficiente por parte da administração municipal.
A expectativa é que a Semed apresente um plano de ação claro e com prazos definidos para garantir que todos os alunos recebam os materiais o mais breve possível, minimizando os impactos no aprendizado e aliviando o fardo financeiro das famílias campo-grandenses.

