Ponte Bioceânica: Falta de verba adia entrega para 2027 no Brasil

A esperada Ponte Bioceânica, que promete revolucionar o escoamento de exportações brasileiras para a Ásia, corre o risco de ter sua entrega adiada para 2027. O principal obstáculo reside no lado brasileiro, onde a falta de recursos para obras de aterro e terraplanagem no acesso pela BR-267 tem gerado atrasos significativos.

Enquanto a estrutura principal da ponte, com impressionantes 1.294 metros de extensão, tem previsão de conclusão para o primeiro semestre de 2024, o acesso paraguaio está programado para agosto de 2026. No entanto, o trecho brasileiro, que demanda um investimento de US$ 100 milhões, enfrenta um cenário de incertezas financeiras, colocando em xeque a utilização plena da travessia no prazo previsto.

A situação foi detalhada pelo prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra, que destacou o contraste entre o avanço das obras no Paraguai e as dificuldades enfrentadas no Brasil. “As pontes estão tocando. Agora, o aterro está parado, por falta de recursos. O acesso da BR-267 até a ponte é o problema, esse acesso é muito complexo. São 100 milhões de dólares, então está faltando recurso”, explicou Cintra.

O gargalo financeiro brasileiro

O prefeito ressaltou que, mesmo com a estrutura da ponte pronta no primeiro semestre deste ano, o acesso rodoviário brasileiro pode não estar finalizado a tempo. Essa pendência impediria o uso imediato da ponte. “A ponte fica pronta até julho, o acesso não vai estar pronto, não vai dar para usar. Já era para estar ficando pronta, mas vem faltando dinheiro, faltando recursos, vai capengando, vai devagar”, lamentou Cintra.

Segundo o prefeito, reuniões com a Receita Federal e o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) foram realizadas para buscar soluções. A liberação de recursos pelo DNIT é crucial, inclusive para a construção da estrutura da alfândega, um ponto vital para o fluxo de mercadorias. “Está faltando recursos para a alfândega, está faltando recursos para a terraplanagem. As obras de arte estão tocando, as pontes. A gente quer que fique pronto isso aí, já chega, estamos há quantos anos lutando”, desabafou.

Conforme informações da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) ao Campo Grande NEWS, as obras da ponte sobre o Rio Paraguai seguem o cronograma do Consórcio PYBRA e a previsão é de conclusão no primeiro semestre deste ano. No entanto, o cronograma geral do corredor bioceânico, que engloba os acessos, é que preocupa.

Previsão de 2027 depende de fluxo financeiro

O secretário estadual da Semadesc, Jaime Verruck, confirmou que a previsão de conclusão do corredor como um todo para 2027 está diretamente ligada ao fluxo financeiro. “Sim, depende do fluxo de recursos, então, nós temos o acesso, temos o funding, então depende do fluxo de recursos. A previsão é essa aí de 27. Termina a ponte e depois. Então, a gente está colocando o horizonte de hoje a aí a um ano e meio, dois anos, para terminar todas as obras, inclusive as obras lá do Paraguai”, declarou Verruck.

A previsão de entrega do acesso à ponte no lado paraguaio, obra do MOPC (Ministerio de Obras Públicas y Comunicaciones), é para agosto de 2026. Este cronograma mais avançado no país vizinho acentua a necessidade de agilidade nas obras brasileiras.

Detalhes da Ponte Bioceânica

A Ponte Bioceânica possui 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura. Atualmente, faltam aproximadamente 101 metros para o encontro das duas partes da estrutura. Após a junção, ainda serão realizadas diversas etapas de acabamento e segurança.

Entre os trabalhos pendentes estão a instalação de cabos de aço, o retensionamento de 168 estais que sustentam o vão central e a colocação de amortecedores. Além disso, os pilares principais e os estais receberão sensores eletrônicos para monitoramento em tempo real da estrutura.

A iluminação fluvial, essencial para a segurança da navegação no Rio Paraguai, o acabamento do piso, a instalação de grades de proteção para pedestres e ciclistas, o asfaltamento, a pintura, a sinalização e a iluminação ornamental também compõem as etapas finais da obra.

O Corredor Bioceânico é um projeto estratégico que visa encurtar significativamente a rota marítima das exportações brasileiras. A estimativa é de uma redução de mais de 9,7 mil quilômetros, o que pode diminuir o tempo de viagem para a Ásia em até 17 dias. Segundo a Receita Federal, o fluxo inicial esperado é de 250 caminhões por dia, demonstrando o potencial econômico da obra.

O Campo Grande NEWS acompanha de perto o desenvolvimento deste projeto crucial para a infraestrutura e o comércio exterior do Brasil. A expectativa é que os entraves financeiros sejam superados para que a Ponte Bioceânica possa, de fato, cumprir seu papel de conectar o Atlântico ao Pacífico, impulsionando o agronegócio e outras cadeias produtivas.

A reportagem do Campo Grande NEWS buscou o DNIT para comentar sobre a liberação de recursos, mas ainda não obteve resposta. A comunidade local de Porto Murtinho aguarda ansiosamente pela conclusão da obra, que representa um marco para o desenvolvimento da região.