PF não consegue ver vídeos da Operação Contenção e aciona STF

A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não conseguiu realizar a perícia em vídeos da Operação Contenção, deflagrada contra o Comando Vermelho em outubro de 2025. A operação resultou em 122 mortes, com corpos abandonados em áreas de mata e enfileirados em vias públicas. Famílias e agentes comunitários denunciaram sinais de execução, o que motivou o pedido de acesso aos vídeos das câmeras corporais dos policiais civis pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, no contexto da ADPF das Favelas. Conforme informação divulgada pela imprensa, a PF alega que os 945 arquivos disponibilizados em nuvem pela Polícia Civil do Rio de Janeiro são inacessíveis para análise técnica e perícia, solicitando o material em mídia física.

PF alega impossibilidade de perícia em vídeos da Operação Contenção

A Operação Contenção, que visava desarticular a facção Comando Vermelho, foi marcada por uma alta letalidade, deixando 122 mortos. A atuação policial em comunidades como o Complexo da Penha e a Vila Cruzeiro gerou denúncias de execuções sumárias por parte de familiares e agentes comunitários. Diante desse cenário, o STF, por meio da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, conhecida como ADPF das Favelas, determinou medidas para impor limites à atuação policial em favelas, incluindo a obrigatoriedade de preservar cenas de crimes e a instalação de câmeras em viaturas. O uso de câmeras corporais por policiais já era mandatório.

No entanto, a Polícia Federal relatou ao STF, em um ofício enviado na última segunda-feira (24), que os vídeos solicitados não puderam ser periciados. Segundo o diretor-geral substituto da PF, William Marcel Murad, os 945 arquivos foram disponibilizados apenas em nuvem, sem a opção de download. Essa limitação técnica, conforme o ofício, tornou inviabilizada a extração dos arquivos para fins de preservação e análise pericial.

Falhas técnicas e polêmicas na Operação Contenção

A Polícia Civil do Rio de Janeiro justificou que menos da metade dos agentes utilizou as câmeras corporais durante a operação devido a falhas técnicas nos equipamentos. A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro também solicitou registros audiovisuais das necropsias dos mortos. A corporação, procurada pela Agência Brasil, não comentou o ofício da PF nem informou quando o material será disponibilizado. O Campo Grande NEWS buscou esclarecimentos sobre a situação, mas a Polícia Civil optou por não se pronunciar sobre o teor do documento enviado ao STF.

A Operação Contenção, deflagrada em outubro de 2025, é alvo de questionamentos por parte do Ministério Público Federal e da Defensoria Pública da União, que apuram o cumprimento das regras estabelecidas pela ADPF das Favelas. As denúncias ganharam força após seis policiais serem denunciados à Auditoria de Justiça Militar por crimes como peculato, violação de domicílio, constrangimento ilegal, roubo e recusa de obediência. Conforme o Campo Grande NEWS checou, as investigações apontam que os policiais teriam arrombado casas, entrado em imóveis sem autorização, revirado cômodos e constrangido moradores sob ameaça.

Ocultação de câmeras e roubo de pertences sob investigação

Análises de imagens corporais já identificaram o roubo de um aparelho celular e de um fuzil que havia sido abandonado por um criminoso em fuga. Além disso, foram constatadas tentativas reiteradas de ocultar ou obstruir as câmeras presas às fardas dos policiais, uma prática que, segundo as determinações do STF, não é permitida. A falta de acesso integral aos vídeos é um obstáculo para aprofundar as investigações sobre as circunstâncias das mortes ocorridas durante a Operação Contenção, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

A situação levanta sérias questões sobre a transparência e a conduta policial em operações de alta letalidade em comunidades. A dificuldade da Polícia Federal em acessar os vídeos, essenciais para a apuração de possíveis irregularidades, acende um alerta sobre a necessidade de garantir que as determinações do Supremo Tribunal Federal sejam cumpridas integralmente. A continuidade das investigações depende agora da resolução do impasse sobre o acesso ao material audiovisual.