Mato Grosso do Sul fecha 2025 com déficit de R$ 440 milhões

As contas fiscais de Mato Grosso do Sul encerraram o ano de 2025 com um déficit primário de R$ 440 milhões. Este valor representa 2% da Receita Corrente Líquida (RCL) do estado. Embora o resultado seja negativo, houve uma melhora significativa em comparação com 2024, quando o déficit atingiu R$ 670 milhões. Os dados foram divulgados pelo Tesouro Nacional em seu relatório “RREO em Foco: Estados + DF”.

O resultado primário é um indicador crucial da saúde financeira de um estado, pois mede a capacidade do governo de cobrir suas despesas correntes, como saúde, educação e infraestrutura, com sua própria arrecadação, excluindo o pagamento de juros da dívida. Um déficit primário significa que o governo gastou mais do que arrecadou em suas operações principais.

O Tesouro Nacional consolida essas informações com base nos dados enviados pelos próprios estados ao Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi). O relatório abrange o último bimestre de 2025, referente a novembro e dezembro. Conforme o Campo Grande NEWS checou, as receitas correntes líquidas de Mato Grosso do Sul somaram R$ 22,2 bilhões em 2025, um aumento em relação aos R$ 20,38 bilhões registrados em 2024.

Melhora fiscal e gastos com áreas essenciais

Apesar do déficit, a redução do saldo negativo em relação a 2024 é um ponto positivo para as finanças estaduais. Em 2024, o déficit representou 3% da RCL, enquanto em 2025 caiu para 2%. Essa melhora pode ser atribuída a uma gestão mais eficiente das despesas ou a um aumento na arrecadação.

No que diz respeito aos gastos com áreas essenciais, Mato Grosso do Sul destinou R$ 2,95 bilhões para a Saúde em 2025, o que corresponde a 11% da despesa total. Este percentual é o menor entre os estados do Centro-Oeste. Na Educação, o investimento foi de R$ 4,67 bilhões, representando 17% dos gastos totais.

Comparativamente, no Centro-Oeste, o Distrito Federal apresentou o maior gasto proporcional com Saúde (17%), seguido por Mato Grosso (13%) e Goiás (12%). Em nível nacional, Tocantins, Amapá e Pernambuco lideraram os gastos com Saúde, todos com 22% ou 23% de suas despesas totais. O Campo Grande NEWS aponta que essa diferença nos percentuais pode refletir prioridades distintas de cada gestão estadual.

Despesas com pessoal e previdência

As despesas com pessoal foram o maior componente das despesas correntes em Mato Grosso do Sul, totalizando R$ 23,47 bilhões, o que representa 57% dos gastos correntes. Esse índice é semelhante à média nacional, onde estados como Rio Grande do Norte (75%), Rio Grande do Sul (64%) e Minas Gerais (63%) apresentaram percentuais ainda maiores.

O Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) do estado também registrou um déficit, de 4% da RCL, o equivalente a R$ 958,14 milhões. Esses recursos são destinados à formação de reservas para o pagamento de benefícios futuros aos servidores estaduais. Conforme o Campo Grande NEWS verificou, os gastos totais com Previdência Social chegaram a R$ 4,33 bilhões, representando 16% das despesas totais do estado.

Comparativo Regional e Nacional

No cenário do Centro-Oeste, Goiás registrou o maior déficit em 2025, com R$ 4,45 bilhões, correspondendo a 10% de sua RCL. Este resultado representa uma reversão significativa, já que em 2024 o estado apresentava um superávit de 5%. Em âmbito nacional, o Piauí apresentou o maior resultado negativo proporcional, com 11% de sua RCL.

O relatório do Tesouro Nacional também detalha outros gastos importantes. O Poder Judiciário consumiu R$ 1,82 bilhão (7% do total), a segurança pública R$ 2,46 bilhões (9%) e os transportes R$ 1,84 bilhão (7%). A evolução das despesas correntes em Mato Grosso do Sul foi de 9% em relação a 2024, enquanto as receitas correntes cresceram 10% no mesmo período.

Os dados apresentados são um retrato da gestão fiscal do estado e servem como base para avaliações futuras e para a formulação de políticas públicas. A análise detalhada dessas informações, conforme divulgado pelo Tesouro Nacional, permite compreender os desafios e as conquistas na administração das finanças públicas de Mato Grosso do Sul.