Lalai: O sabor da nostalgia pode voltar a Campo Grande em 2026
O jingle “lalá-lai, lalá-la-laaai” ecoa na memória de muitos campo-grandenses que viveram os anos 1990 e início dos 2000. A Lalai, tradicional confeitaria que encerrou suas atividades em 2015, está prestes a reabrir suas portas em 2026, prometendo trazer de volta o sabor de suas receitas inesquecíveis.
A notícia, que traz um sopro de esperança para os amantes da boa gastronomia, foi divulgada pelo Campo Grande NEWS, que checou os detalhes deste possível retorno. A expectativa é que a marca, que completaria 55 anos em março deste ano, volte a encantar o público com a qualidade que a consagrou.
A iniciativa partiu de José Italo Nasser, filho de uma das fundadoras, que planeja reativar a marca inicialmente por meio de uma parceria com o “Bolo da Madá”, um negócio que ele mantém atualmente. O projeto ambicioso inclui o retorno de pratos icônicos, como a “torta maravilhosa”, e a abertura de uma nova loja física focada em alta confeitaria com porções individuais, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Um legado de amizade e sabor
A história da Lalai é marcada pela amizade e parceria entre duas mulheres visionárias: Mivia Tonisse Nasser, paulista, e Zilá de Oliveira, mineira. Juntas, elas trouxeram para Campo Grande a rica gastronomia de Minas Gerais e São Paulo, um diferencial em uma época em que a culinária local era predominantemente árabe, paraguaia e indígena.
A parceria gastronômica nasceu nos anos 1960, quando as duas começaram a produzir doces e salgados para eventos da Associação Médica de Mato Grosso. Começaram com o que tinham: “dois fogões velhos no fundo do quintal e uma batedeira”, como lembra José Italo.
O nome “Lalai” surgiu de uma brincadeira com o apelido de Zilá, que virou “Zilalai”. As duas últimas sílabas, com sua sonoridade agradável, foram escolhidas para batizar a primeira loja, inaugurada em 1971 na Galeria Itamaraty, no Centro da cidade. A loja logo se tornou um ponto de referência.
Expansão e sucesso reconhecido
Em 1972, a Lalai mudou-se para um espaço maior na Avenida Mato Grosso, ganhando uma estrutura mais convidativa com área externa para os clientes. O sucesso foi imediato, e a confeitaria se consolidou como um dos melhores lugares para saborear lanches e doces na cidade, apesar do preço um pouco mais elevado, que era justificado pela qualidade e originalidade das receitas.
José Italo Nasser assumiu a administração do negócio em 1985, após se formar em Administração no Rio de Janeiro. Ele trouxe novas ideias, como a introdução do serviço de disque-pizza à noite, que, embora não tenha sido aceito pelas fundadoras inicialmente, demonstrava sua visão de inovação.
Com a aquisição de cotas, José Italo expandiu as operações, oferecendo almoço, pratos sob encomenda e dividindo a loja em ilhas, transformando a Lalai em um local de “culinária premium” em Campo Grande.
O auge da Lalai ocorreu nos anos 1990, com a abertura do salão de eventos na Avenida Afonso Pena. A empresa chegou a empregar 100 funcionários diretos e dezenas indiretos, atendendo a eventos de todos os portes, incluindo um coquetel para a Seleção Brasileira. O buffet era elogiado pela qualidade e variedade, com opções que iam de filé a grelhados, servidos de forma inovadora em ilhas e rodízios, conforme relatado pelo ex-sócio ao Campo Grande NEWS.
Desafios e o fim de uma era
Apesar do sucesso, a Lalai enfrentou sérios problemas fiscais que se arrastavam desde a administração das fundadoras e se agravaram com os investimentos e a expansão do salão de festas. José Italo também aponta a decisão de “tirar a fila” de espera como um erro estratégico, que, segundo ele, reduziu o movimento em até 50% no primeiro ano.
A somatória desses fatores levou ao fechamento definitivo da Lalai em 2015. José Italo Nasser perdeu a maioria de seus bens, mas afirma ter resolvido todas as dívidas. Zilá de Oliveira adoeceu e Mivia Tonisse Nasser, hoje com 94 anos, ainda reside na capital.
A promessa de um novo começo
A paixão pela culinária e a nostalgia dos tempos de glória motivaram José Italo a buscar o retorno da marca. Atualmente, ele administra o “Bolo da Madá”, uma parceria com Maria Madalena Nogueira, que conta com a expertise de Matia Aparecida dos Santos Barbosa, ex-cozinheira da Lalai, que guarda as receitas de cor.
O plano é lançar o “Bolo da Madá by Lalai”, resgatando as receitas originais, como a famosa “torta maravilhosa” e outras delícias servidas em potes. A longo prazo, o objetivo é reabrir uma loja física, focada em alta confeitaria e porções individuais, para “mostrar que existe algo de qualidade na cidade e que nós sabemos fazer”, conclui José Italo, confiante no sucesso.

