Santa Casa de Campo Grande com superlotação retém macas e paralisa viaturas de resgate
A crise na saúde de Campo Grande se agrava com a superlotação da Santa Casa, que estaria retendo macas de viaturas do Corpo de Bombeiros e do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). A situação, que já se arrasta há meses, impede a rápida resposta em emergências. Somente nesta segunda-feira (23), mais de dez viaturas de resgate teriam ficado ‘paradas’ por falta de liberação das macas.
O reflexo direto da alta demanda é a indisponibilidade de recursos cruciais para o atendimento pré-hospitalar. Pacientes que chegam ao pronto-socorro da Santa Casa aguardam por um leito, e enquanto isso, as macas das ambulâncias e viaturas permanecem ‘presas’ dentro da unidade. Essa dinâmica compromete a capacidade de resposta a novos chamados, deixando outras emergências sem o suporte necessário.
A Santa Casa, principal hospital de Mato Grosso do Sul, alega que a situação foge da capacidade pactuada com o SUS (Sistema Único de Saúde). A instituição afirma estar empenhada em garantir o atendimento a todos, mas a demanda excessiva tem gerado gargalos operacionais significativos. O diálogo com os órgãos competentes busca soluções para mitigar os impactos dessa realidade.
Superlotação crônica afeta atendimentos de emergência
A superlotação da Santa Casa não é um problema novo e tem sido destaque nas notícias ao longo de 2025. Em maio, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) chegou a informar que enviava pacientes ao hospital apenas em ‘último caso’, após solicitação do promotor de Justiça, Marcos Roberto Dietz. A Sesau explicou que prioriza o envio de pacientes para unidades com menor lotação, reservando a Santa Casa para casos de referência exclusiva.
Em situações de referência, a Sesau discute o caso com o núcleo interno de regulação da Santa Casa para avaliar a capacidade de recebimento do paciente. A decisão técnica é tomada em conjunto com a equipe de especialistas do hospital, garantindo o atendimento adequado a cada quadro clínico, inclusive com o envio em ‘vaga zero’ para casos que necessitam de atendimento imediato.
Greve anterior agravou a situação
Em dezembro, uma greve de enfermeiros e funcionários administrativos da Santa Casa, motivada pelo atraso no pagamento do 13º salário, já havia impactado os serviços. Na ocasião, a redução do número de funcionários no atendimento aos pacientes contribuiu para o agravamento da situação, evidenciando a fragilidade do sistema quando operando com quadro reduzido.
Santa Casa se defende e aponta diálogo
Em nota, a Santa Casa reforçou que o censo das áreas de atendimento é encaminhado regularmente para a Central de Regulação e para o SAMU, visando garantir transparência e atualização constante sobre a lotação hospitalar. A instituição assegura que tem trabalhado continuamente para atender a todos os pacientes em situação de urgência, mesmo diante da demanda que ultrapassa a capacidade pactuada.
A unidade hospitalar afirma que permanece em diálogo com os órgãos competentes para buscar soluções que minimizem os impactos da atual realidade e assegurem a continuidade dos serviços essenciais à população. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a instituição busca ativamente resolver a crise que afeta diretamente o atendimento de emergência na capital.
A falta de leitos e a consequente retenção de macas nas viaturas de resgate e ambulâncias do Samu é um problema recorrente que exige atenção urgente das autoridades de saúde. A situação, como apurado pelo Campo Grande NEWS, impacta não apenas o hospital, mas toda a rede de atendimento de urgência e emergência de Campo Grande.
A capacidade contratada pelo SUS para a Santa Casa é ultrapassada diariamente. Segundo informações divulgadas, a unidade dispõe de seis vagas na área vermelha e sete na verde para atendimento de urgência e emergência. No entanto, durante a tarde desta segunda-feira (23), havia 20 pacientes na área vermelha e 50 na verde, demonstrando o grave descompasso entre a estrutura disponível e a demanda real.
O Campo Grande NEWS continua acompanhando o desdobramento desta crise na saúde pública, buscando informações atualizadas sobre as medidas que estão sendo tomadas para normalizar o fluxo de atendimento e garantir a disponibilidade de equipamentos essenciais para os serviços de emergência na cidade.

