Moradores da região da Cohab, em Campo Grande, foram surpreendidos e alarmados com o registro de uma sucuri-verde de dimensões impressionantes nadando tranquilamente no Córrego BálSamo. O vídeo, que rapidamente se espalhou por grupos de WhatsApp, mostra o animal em seu habitat natural, mas em um local inesperado: uma área urbana comumente frequentada por pessoas, o que gerou apreensão, especialmente entre pais de crianças que utilizam o córrego para lazer.
Sucuri-verde surge em córrego e assusta moradores da Cohab
A aparição de uma sucuri-verde de **tamanho considerável** no Córrego BálSamo, na região da Cohab, em Campo Grande, causou espanto e preocupação entre os residentes locais. As imagens capturadas e divulgadas em redes sociais revelam a serpente, conhecida por seu porte avantajado, transitando em um curso d’água de área urbana, um cenário que foge do comum e levanta questões sobre a convivência entre a fauna silvestre e o ambiente da cidade.
O Córrego BálSamo, que corta a região, é caracterizado por uma **extensa vegetação**, o que o torna um ambiente propício para a vida de animais como a sucuri. A proximidade com áreas residenciais, como o Residencial Ramez Tebet, e o fato de ser um local de lazer para muitas famílias, especialmente durante períodos de férias e fins de semana, intensificaram o receio dos moradores com a presença do réptil.
A presidente da Cohab (Associação de Moradores do Núcleo Habitacional Universitária I & II), professora Iracema Silva Cardoso, expressou sua surpresa e preocupação. “É inacreditável o tamanho dessa sucuri aqui na Cohab. Aqui tem muitas crianças que, em finais de semana, feriados e férias, costumam tomar banho nesse córrego”, afirmou, destacando o potencial risco para a segurança dos frequentadores do local.
Especialistas explicam a presença da sucuri em área urbana
Apesar do susto e da apreensão gerados pelo avistamento, biólogos apontam que a presença da sucuri-verde em ambientes como o Córrego BálSamo não é necessariamente incomum. A bióloga Fernanda Alves Riquelme, da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), explica que a sucuri-verde (Eunectes murinus) é uma **espécie semiaquática** que naturalmente habita rios, lagoas e córregos com boa cobertura vegetal. “Caso o local apresente água constante, oferta de alimento e algum grau de cobertura vegetal, é plenamente possível que o animal utilize aquele ambiente como habitat”, esclareceu.
Segundo a especialista, o deslocamento da serpente pode ter ocorrido de outros fragmentos de mata ou corpos d’água próximos. Sucuris são capazes de percorrer **distâncias consideráveis**, especialmente em períodos de cheia dos rios, buscando melhores condições de alimentação e reprodução. A presença em áreas urbanas, conforme a bióloga, não indica obrigatoriamente que o animal esteja fora de seu habitat natural, pois muitos cursos d’água urbanos funcionam como corredores ecológicos, conectando diferentes áreas naturais.
Avanço urbano e maior circulação de pessoas explicam avistamentos
O aumento na frequência de avistamentos de serpentes em áreas urbanas, como o ocorrido em Campo Grande, tem raízes em fatores ambientais e sociais. Fernanda Alves Riquelme ressalta que, em muitos casos, não são os animais que invadem a cidade, mas sim o **avanço urbano sobre habitats naturais**. Campo Grande, apesar de ser uma capital, ainda preserva fragmentos de vegetação nativa e córregos que servem de refúgio para a fauna.
Mudanças ambientais, como desmatamento, fragmentação de habitats e alterações nos regimes de chuva e na oferta de alimento, podem levar os animais a se deslocarem em busca de melhores condições. Além disso, a **maior circulação de pessoas** e o uso intensivo de celulares e redes sociais amplificam a percepção e o registro desses encontros. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o aumento da visibilidade desses eventos é mais relacionado à intensificação do contato entre a fauna silvestre e áreas urbanizadas, o que é compatível com a realidade da capital sul-mato-grossense.
A sucuri-verde é uma das maiores serpentes do mundo, podendo atingir entre 3 e 6 metros de comprimento, com as fêmeas chegando a impressionantes 7 metros. O porte colossal do animal visto no Córrego BálSamo foi, sem dúvida, o fator que mais chamou a atenção e gerou apreensão entre os moradores, conforme relatado por Iracema Silva Cardoso. A bióloga Fernanda Alves Riquelme reforça que a presença da sucuri em áreas urbanas, longe de ser um sinal de alerta extremo, é um indicativo da necessidade de coexistência e respeito entre o homem e a natureza, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
É importante ressaltar que, em muitos casos, esses animais buscam apenas se locomover ou encontrar alimento, e a **interação pacífica** é sempre a mais provável. No entanto, a recomendação de especialistas é sempre manter distância, não tentar capturar ou alimentar o animal e, em caso de necessidade, contatar os órgãos ambientais responsáveis. O Campo Grande NEWS segue acompanhando as questões ambientais e de segurança na região, buscando trazer informações precisas e úteis para a comunidade.

