Árvores em barracos: famílias vivem sob risco iminente em ocupação

A família de Raquel de Souza, de 27 anos, viveu momentos de terror durante o temporal da noite de quarta-feira (18) em Campo Grande. O barraco onde residiam foi atingido por uma árvore de grande porte, forçando-os a se esconderem debaixo da cama para escapar dos destroços. Este incidente, ocorrido na ocupação Cidade dos Anjos, evidenciou o perigo constante que os moradores enfrentam, com o problema das árvores caindo sobre as moradias seguindo sem uma solução definitiva por parte das autoridades competentes.

A situação na ocupação Cidade dos Anjos, em Campo Grande, é de apreensão constante. Moradores relatam o medo diário de serem atingidos por árvores, especialmente as de espécie leucena, que são consideradas pragas na região e têm apresentado quedas frequentes. A família de Raquel de Souza precisou deixar sua casa após o barraco ser parcialmente destruído pela queda de uma árvore, que danificou o telhado e causou a perda de alimentos essenciais. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a Defesa Civil Municipal reconhece o risco, mas enfrenta barreiras legais e burocráticas para intervir na área, que é classificada como Área de Preservação Permanente (APP).

Defesa Civil aponta dificuldades e notifica órgãos responsáveis

Enéas Netto, coordenador da Defesa Civil Municipal, explicou que a pasta já esteve no local para tentar articular uma solução conjunta com outras secretarias. Foram emitidas notificações para a Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável) e para a Emha (Agência Municipal de Habitação). No entanto, a Defesa Civil não tem autonomia para realizar o corte de árvores, necessitando de autorização expressa da Semades.

“Aquilo ali são leucenas, tem de fato queda, ela é uma praga em Campo Grande. E nós temos também uma ocupação em uma área que é APP, ela é uma Área de Preservação Permanente e de uma ZEIA também, que é uma Zona Especial de Interesse Ambiental”, detalhou Enéas Netto, conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS.

A atuação da Defesa Civil, segundo o coordenador, depende da colaboração e do diálogo entre as secretarias envolvidas. Ele ressaltou que, embora a ocupação seja irregular e a prefeitura tenha o direito legal de remover os moradores, uma ação nesse sentido poderia gerar um grande impacto social e um “caos” na cidade, considerando a vulnerabilidade das famílias.

Moradores vivem em constante sobressalto

A experiência de Raquel de Souza durante o temporal ilustra o perigo real. “A gente escutou o barulho do vento e se escondeu embaixo da cama até a chuva passar e dar para sair. A árvore quebrou as telhas e afundou as do quarto”, relatou a moradora. Por sorte, a geladeira instalada no barraco impediu que a árvore atingisse diretamente a família, mas o incidente causou perdas significativas, com alimentos estragando devido à chuva e à falta de energia.

Raquel e seus filhos estão temporariamente abrigados na casa de sua mãe e pede doações para recomeçar. O contato para ajuda é (67) 99249-7260. Esta não é a primeira vez que a comunidade enfrenta situações de risco semelhantes. Em dezembro do ano passado, outra árvore caiu sobre um barraco na mesma ocupação, assustando os moradores.

Histórico de incidentes e apelo por segurança

Gleiciane Garrido, outra moradora, relembrou um incidente em dezembro passado onde um galho de árvore caiu sobre o telhado de seu barraco, quase atingindo seus filhos. Vizinhos também relataram preocupações com árvores em suas propriedades, como Franciely Nicomedes, que tem um pinheiro com a base comprometida por cupins e teme pela segurança de seus seis filhos. “Queremos segurança para dormir tranquilos, principalmente por conta das crianças”, desabafou Franciely, conforme o relato no Campo Grande NEWS.

Apesar das notificações e do reconhecimento do problema por parte da Defesa Civil, a situação na ocupação Cidade dos Anjos permanece sem uma solução concreta. A falta de maquinário e a complexidade da situação, envolvendo áreas de preservação e a necessidade de articulação entre diferentes órgãos públicos, deixam os moradores em um estado de vulnerabilidade contínua. A reportagem buscou contato com a prefeitura, mas até o momento da publicação, não obteve resposta das secretarias citadas. A comunidade aguarda, sob o risco iminente das árvores, por uma ação efetiva que garanta sua segurança.