Carnaval 2026 em Campo Grande: 20 mil pessoas aplaudem desfiles com flashback, águas sagradas e diásporas

O Carnaval 2026 de Campo Grande chegou ao fim com um espetáculo de cores, ritmos e emoções na Praça do Papa. Um público estimado em 20 mil pessoas acompanhou o segundo dia de desfiles das escolas de samba, que apresentaram enredos envolventes e marcantes. Catedráticos do Samba, Deixa Falar e Cinderela Tradição do José Abrão protagonizaram a noite, levando à avenida temas que vão desde um nostálgico flashback musical até reflexões profundas sobre águas sagradas e diásporas históricas.

As apresentações foram um sucesso, com cada escola explorando sua identidade e mensagem de forma única. A apuração das notas já tem data marcada, prometendo definir as campeãs do carnaval campo-grandense. Conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS, a apuração ocorrerá no Teatro Arena do Horto Florestal, com a cerimônia de premiação agendada para o Armazém Cultural.

Catedráticos do Samba: Uma viagem nostálgica pelo tempo

Abrindo a noite de desfiles, os Catedráticos do Samba transportaram o público para o passado com o enredo “De volta ao passado: os Catedráticos do Samba em um flashback de emoções”. A comissão de frente homenageou Michael Jackson com uma coreografia inspirada em “Thriller”, arrancando aplausos entusiasmados da plateia. O abre-alas continuou a viagem no tempo, com referências a ícones como Madonna e Elton John.

As alas trouxeram figurinos que remetiam às décadas de 1970 e 1980, celebrando a era das baladas românticas, disquetes, fitas K7 e televisores antigos. A atmosfera nostálgica foi complementada pelo segundo carro alegórico, que recriou a energia da era disco com uma pista de dança iluminada e trajes inspirados no estilo da época, além de menções a jukeboxes e aos “anos dourados”.

A bateria da escola embalou o público com o refrão “A saudade faz tão bem, na explosão da bateria é raiz. Uma viagem na máquina do tempo, no flashback o povo é mais feliz”, capturando o espírito do enredo. A diretora Marilene Ferreira de Barros, mesmo com limitações de locomoção, acompanhou a apresentação emocionada, expressando seu orgulho pela escola e pelos seus “filhos artistas” que prepararam o desfile.

Deixa Falar: A força mística das águas sagradas

A escola Deixa Falar trouxe para a avenida um tema de profunda conexão espiritual e natural com o enredo “A dança das águas”, celebrando as águas sagradas dos orixás. A apresentação simbolizou a união entre natureza e humanidade, o tangível e o intangível, através de elementos visuais e coreográficos impactantes. O primeiro casal de porta-bandeira representou o fluxo das águas, com trajes inspirados em Exu e Pombagira.

O abre-alas impressionou com uma gigantesca concha, símbolo universal da água, e a presença do tigre, mascote da agremiação. As alas seguintes exploraram a pureza das águas de purificação, a divindade de Iemanjá e Oxum, o curso dos rios, a vida ribeirinha e a importância das águas do Pantanal, conforme destacou o Campo Grande NEWS em sua cobertura.

O samba contagiou o público com um refrão interativo: “Na palma da mão, no toque do tambor, no igarapé! Dançou Iara. Se água é vida, ‘Deixa Falar’ é fé nesta avenida dando um banho de axé”. O diretor Francis Fabian avaliou positivamente a performance, afirmando que a proposta planejada foi plenamente executada na passarela, ressaltando a coesão da escola e a importância de uma equipe alinhada para o sucesso de um desfile grandioso.

Cinderela Tradição: Diásporas e a busca por um futuro de paz

Com o enredo “Diásporas – Por um futuro que não repita o passado”, a Cinderela Tradição do José Abrão apresentou um desfile com forte carga histórica e social, inspirada na canção “Diáspora” dos Tribalistas. A escola propôs uma reflexão sobre os deslocamentos forçados ao longo da história e suas duradouras consequências, com um apelo claro por um futuro sem conflitos.

A diáspora africana foi abordada com referências aos povos bantos, aos navios negreiros (tumbeiros) e ao processo de desumanização de africanos escravizados. A escola também abordou a Inquisição Católica, a diáspora judaica e conflitos históricos e contemporâneos, como a disputa entre judeus e palestinos, evidenciando os impactos devastadores das guerras e do fanatismo religioso, como observado pelo Campo Grande NEWS.

A narrativa contrapôs a ganância, o ódio e a destruição, simbolizados pelo fogo, à água como elemento de purificação e esperança. O desfile também mencionou países em conflito armado e a crise humanitária que força milhares de refugiados a buscar novos lares, incluindo o Brasil. A escola relembrou o êxodo de nordestinos para o Sudeste e celebrou a resistência e a identidade cultural desse povo, reforçando o Brasil como uma “Pátria Mãe Gentil” acolhedora.

O encerramento trouxe uma mensagem de reconstrução e esperança, com anjos de luz, símbolos de paz e a figura de Oxalá como mensageiro. O samba-enredo ecoou versos como “É diáspora sem fim, guerra e destruição, judeus e palestinos lutam pelo próprio chão” e “Ao som dos tambores ecoa igualdade. Na Cinderela um grito de liberdade, um novo mundo só de amor e paz. Diásporas nunca mais”. Juliana de Paula, integrante da diretoria, descreveu o desfile como “maravilhoso, espetacular”, destacando a vibração e emoção da escola.

Com o fim dos desfiles, as agremiações aguardam a apuração das notas, marcada para esta quarta-feira (18), às 17h, no Teatro Arena do Horto Florestal. A premiação das campeãs acontecerá na sexta-feira (20), a partir das 19h, no Armazém Cultural, com entrada gratuita, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS.