Carnarock: O rock invadiu a 14 de Julho no último dia de folia

No último dia de folia em Campo Grande, a Rua 14 de Julho se transformou em um palco para o rock. O bloco Carnarock ofereceu uma alternativa vibrante aos ritmos tradicionais do Carnaval, reunindo amantes de guitarras e baterias em um ambiente alternativo e democrático. O evento celebrou a cena underground da cidade, dando espaço para bandas locais apresentarem suas músicas autorais.

Carnarock: Rock e diversidade tomam a 14 de Julho

Enquanto a Esplanada Ferroviária fervilhava com os sons do axé, pop e funk, um público fiel escolheu a Rua 14 de Julho para curtir o último dia de Carnaval em Campo Grande. O bloco Carnarock se consolidou como um ponto de encontro para quem prefere a energia do rock, do hardcore nacional e do metal, mostrando que a festa de Momo pode e deve abraçar todos os estilos musicais.

A iniciativa, que já acontece em outros momentos do ano, ganhou uma versão especial de Carnaval, atraindo um público diverso que inclui a comunidade LGBT, pessoas negras e periféricas. Conforme destaca a pedagoga Thayna Rojas, de 29 anos, em entrevista ao Campo Grande NEWS, reunir a cena alternativa em uma data em que a cidade está mais cheia é fundamental para dar visibilidade a esses movimentos.

“É a galera do underground, que já tem um espaço bem limitado na cena de Campo Grande. A cada ano que passa, é uma vertente que vem lutando por espaço”, pontua Rojas. Ela ressalta que o palco recebeu bandas de hardcore nacional, metal e outros subgêneros, todos com som autoral, proporcionando uma plataforma para artistas locais.

Um palco para o underground campo-grandense

Jorge Aluvaiá, músico e integrante do grupo ‘MS Mais Underground’, foi um dos artistas que abriram a programação do Carnarock. Seu som, que mistura rock, psicodelia brasileira, poesia do absurdo e referências do “Brasil profundo”, representou a diversidade presente no conceito de underground. “O termo underground é abrangente. Não é só quem está no rock. Abrange comunidade LGBT, pessoas negras, periféricas, todo mundo que está à margem”, explicou Aluvaiá.

A ocupação da Rua 14 de Julho, um dos principais corredores culturais da cidade, foi vista por Aluvaiá como uma forma de dar visibilidade a esses movimentos. “É entender que esse público está aqui dentro também”, afirmou. O músico ressaltou que, mesmo sendo um horário matinê, incomum para eventos do gênero, o público compareceu em peso e permaneceu na festa até a noite.

Resistência e identidade no Carnaval

Thays Colman, tecladista e vocalista da banda Release The Hand, compartilhou sua percepção sobre tocar rock no Carnaval. Para ela, o ato é quase uma forma de resistência, especialmente em uma região onde o sertanejo é muito forte. “Eu sempre senti que o rock não era muito carnavalesco, ainda mais numa região onde o sertanejo é muito forte. Mas tem muita gente que curte esse estilo aqui”, comentou.

A expectativa era de um público tímido, mas a surpresa foi positiva. “A gente achou que não ia ter tanta gente, mas teve mais do que esperava. O pessoal curtiu muito”, afirmou Colman. Ela reconhece a identidade própria do Carnarock, destacando que “fazer um bloquinho voltado para o estilo de quem está aqui é muito mais forte. O pessoal se reconhece”.

Democracia musical e público fiel

O vendedor Guilherme Matos, de 29 anos, aprovou a diversidade musical oferecida no último dia de folia. “É muito importante ter essa diferença de gêneros. Não só o Carnaval classicão de bloco”, analisou. Segundo ele, o Carnarock atrai pessoas que normalmente não frequentariam os bloquinhos tradicionais. “Tem gente que não é acostumada a vir por conta das músicas. Aqui pega esse público também”, finalizou.

A iniciativa do Carnarock, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, reforça a ideia de que o Carnaval é democrático, abrindo espaço para que todos os estilos musicais e públicos encontrem seu lugar na festa. A presença expressiva de foliões, mesmo em um horário matinê, demonstrou o forte apelo do rock e da cena underground em Campo Grande, como detalhado pelo Campo Grande NEWS em suas reportagens sobre a cultura local. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o evento se estendeu até a noite, consolidando o sucesso da proposta.