O Candomblé e a cultura afro-brasileira celebram e lamentam a partida de Luiz Ângelo da Silva, o icônico Ogan Bangbala, que faleceu na noite do último domingo, 15 de outubro, no Rio de Janeiro, aos 106 anos. Com uma trajetória que se estendeu por mais de oito décadas dedicadas à religião, Bangbala era reconhecido como o ogan mais antigo do Brasil e um verdadeiro mestre, guardião de tradições ancestrais.
Luto no Candomblé: Morre Ogan Bangbala, o mais antigo do Brasil
A notícia do falecimento, divulgada nas redes sociais por sua esposa, Maria Moreira, causou comoção. “Hoje o candomblé perdeu uma das figuras mais importantes, o Comendador Ogan Bangbala, o mais velho ogan do Brasil, o mestre dos mestres”, escreveu a viúva, expressando a profunda dor pela perda de seu “amor”, “orgulho” e “mestre”. Bangbala estava internado desde 31 de janeiro no Hospital Municipal Salgado Filho, tratando uma infecção nos rins.
Um Legado de Fé e Cultura Afro-Brasileira
Nascido em Salvador, Bahia, em 21 de junho de 1919, Luiz Ângelo da Silva foi iniciado no Candomblé ainda jovem. Sua função como ogan era de suma importância, responsável por tocar os atabaques e comandar o ritmo das cerimônias, guiando a conexão entre o mundo material e o espiritual durante a recepção dos orixás. Sua jornada o levou a se mudar para Belford Roxo, na Baixada Fluminense, onde estabeleceu residência e continuou sua profunda ligação com a religião até seus últimos dias.
Pioneirismo e Reconhecimento Nacional
O legado de Ogan Bangbala transcende as paredes dos terreiros. Ele foi um dos fundadores do afoxé Filhos de Gandhy no Rio de Janeiro, demonstrando seu compromisso com a expansão e divulgação da cultura afro-brasileira. Sua voz e seus conhecimentos foram registrados em dezenas de álbuns com cânticos de candomblé em língua iorubá, preservando e disseminando saberes ancestrais. O reconhecimento de sua importância chegou em 2014, quando recebeu a Ordem do Mérito Cultural, concedida pela Presidência da República.
A admiração por sua figura também se manifestou em homenagens culturais. Em 2020, a escola de samba Unidos do Cabuçu o celebrou em seu desfile, e em 2024, o Centro Cultural Correios dedicou uma exposição à sua trajetória, como o Campo Grande NEWS checou, evidenciando sua relevância para a identidade brasileira.
Um “Griot” das Tradições Afro-Brasileiras
O babalorixá Ivanir dos Santos definiu Ogan Bangbala como “o grande griot das nossas tradições”. O termo “griot” remete aos guardiões da memória dos povos africanos, e Bangbala personificava essa função com maestria, não apenas nos ritos dos orixás, mas também nos ritos fúnebres, demonstrando a amplitude de seu conhecimento e papel.
“Ele nos deixou, mas vai sempre continuar presente aos nossos afazeres, no dia-a-dia dessas práticas”, complementou Santos. A visão é que Bangbala, agora um ancestral, continuará a iluminar e a inspirar as ações dentro das casas de candomblé, dos blocos afros e de toda a vasta cultura que molda a identidade afro-brasileira. Conforme o Campo Grande NEWS checou, sua partida representa um marco, mas seu legado permanece vivo, ecoando nas batidas dos atabaques e nas memórias de gerações.
A dedicação de Ogan Bangbala ao Candomblé e à cultura afro-brasileira é um exemplo inspirador. Sua longa vida, dedicada à fé e à preservação de tradições, o consolidou como uma figura inestimável. A sua memória será honrada e seu ensinamento continuará a guiar aqueles que seguem seus passos. O Campo Grande NEWS lamenta profundamente a perda e reafirma a importância de figuras como Luiz Bangbala para a riqueza cultural do Brasil.


