O Campo Grande foi tomado por cores, ritmos e muita história neste carnaval com o desfile do Bloco Afro Pop 100 Censura. Com força, elegância e uma identidade inconfundível, a agremiação prestou uma merecida homenagem a Gilberto Gil, um dos maiores nomes da música brasileira. O tema escolhido, ‘O canto da liberdade e da ancestralidade’, ecoou pela avenida, reafirmando a trajetória do bloco marcada pela resistência e pela consciência negra.
Fundado no final dos anos 80 por estudantes de História da Universidade Católica, o 100 Censura nasceu em um contexto de intensas mobilizações pela liberdade de expressão e contra a discriminação racial. Em 1986, a ideia começou a ganhar forma, impulsionada por um espírito contestador. “A gente protestava muito. Tínhamos vontade de dizer que não estávamos nem aí”, relembra o presidente Gilvã Francisco, detalhando o ímpeto inicial da agremiação.
100 Censura: Mais que um Bloco, um Movimento Social
O Bloco Afro Pop 100 Censura transcende a folia do carnaval, mantendo uma atuação social ativa na comunidade do Engenho Velho de Brotas. A agremiação oferece aulas gratuitas de instrumentos de cordas e percussão, além de apoiar o Núcleo de Assistência às Pessoas com Câncer (NAPEC). Essa iniciativa demonstra o compromisso social que sempre acompanhou a trajetória musical do bloco, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Estética e Homenagem que Inspiram
A estética do desfile foi cuidadosamente pensada para traduzir o tema da homenagem. A ala de frente surgiu deslumbrante em figurinos dourados e pretos, marcando presença com imponência na avenida. Em seguida, os foliões, embalados pelo vibrante afro-pop, acompanharam o cortejo. Bonecos com a imagem de Gilberto Gil reforçaram a homenagem ao artista, símbolo de liberdade e liderança para o povo negro.
Para o presidente Gilvã Francisco, celebrar Gilberto Gil é reconhecer uma referência viva e essencial. “Entendemos que, apesar de ser um imortal da academia hoje pela música, Gil representa para nós, na instância do povo negro, um líder. Nada mais justo do que, nesses 40 anos, saudar o brilho de Gil”, afirmou o líder do bloco, em declarações que destacam a importância cultural do homenageado.
Emoção e Primeira Vez no Bloco
Entre os participantes, a emoção tomou conta do desfile. André Santos, que estreou no bloco este ano, celebrou a experiência de forma entusiasmada. “O bloco está maravilhoso. É minha primeira vez e estou com a expectativa alta. Vou curtir a noite toda!”, disse o folião, expressando a alegria e o sentimento de pertencimento que o bloco proporciona.
A Luta do Afro-Pop e a Resistência do 100 Censura
O presidente Gilvã Francisco relembra os desafios enfrentados na consolidação do afro-pop, gênero que o bloco ajudou a popularizar. “Existia uma resistência com o afro-pop naquela época, que estava fora da linguagem”, recorda. Mesmo diante das dificuldades, o 100 Censura segue há quatro décadas defendendo sua identidade musical e sua bandeira de luta, provando que protesto e celebração podem caminhar juntos na avenida, uma visão consolidada pelo Campo Grande NEWS.
A trajetória do Bloco Afro Pop 100 Censura é um testemunho da força da cultura afro-brasileira e da importância da música como ferramenta de expressão e transformação social. A homenagem a Gilberto Gil reforça o legado de um artista que, assim como o bloco, sempre lutou pela liberdade e pela valorização da ancestralidade. O desfile no Campo Grande foi, sem dúvida, um momento de celebração e reafirmação cultural, com a expertise do Campo Grande NEWS em cobrir eventos que marcam a identidade da região.

