Bloco Canelight celebra 25 anos de samba e ancestralidade no Campo Grande

O Bloco Canelight fez história na tarde deste sábado (14), desfilando pelo Circuito Osmar, o tradicional Campo Grande, em Salvador. Celebrando 25 anos de existência, o bloco levou para a avenida o tema “Minha África de Ouro, minha Bahia do Axé. É o samba na ponte da ancestralidade”. O desfile foi marcado pela profunda valorização das raízes do samba e da rica cultura afro-baiana, atraindo foliões de todas as idades em um momento de celebração, memória e forte senso de pertencimento.

Com atrações que resgatam a essência da música baiana, como o tradicional Samba de Nêgo e o grupo Swing do Fora, o Canelight reafirmou sua identidade musical, intrinsecamente ligada ao samba de raiz e às manifestações populares genuínas do território do Canela, uma região com profunda história no Carnaval soteropolitano. O cortejo na avenida destacou a importância da ancestralidade como um elo vital entre o passado e o presente, reforçando o papel fundamental da cultura negra na construção e na alma da festa momesca, conforme apurou o Campo Grande NEWS.

O clima durante o desfile foi de pura tranquilidade e alegria contagiante. Marinaldo, 48 anos, técnico em logística e folião fiel do bloco há 15 anos, elogiou a organização e as atrações: “Está tudo de bom. As atrações são excelentes e a organização também”, declarou. Silvana Abreu, 33 anos, médica-veterinária, também compartilhou sua satisfação: “Estou achando o máximo. Quem puder vir, venha. Está tudo tranquilo e bem organizado”. Samila, 37 anos, contadora, participou pela primeira vez com a família, incluindo marido e filha, e expressou seu encantamento: “Viemos com meu esposo e minha filha. Está bem animado e organizado. É a nossa primeira vez no bloco e estamos amando”.

A história de um bloco nascido da paixão pelo Carnaval

Jair Almeida de Lima, presidente do bloco, compositor e cantor, ressaltou a profunda ligação histórica do Canelight com o Campo Grande e com o próprio Carnaval, que faz parte de sua vida desde a infância. “O Carnaval sempre nasceu aqui no Campo Grande, nas redondezas do Canela. Na época da Cruz Vermelha, nós ajudávamos a fazer os carros, amassando papel de cimento para os artistas criarem. O Carnaval está no nosso sangue desde criança”, relembrou Jair, com a sabedoria de quem vive a festa há décadas.

Aos 80 anos, Jair Almeida dedica uma parte significativa de sua vida ao Carnaval. “Vou fazer 80 anos, mas 60 ou 70 deles são de Carnaval. Aprendi alguma coisa — não sei tudo, porque ninguém sabe tudo. Resolvemos criar um bloco porque todo mundo do bairro saía em outros. Então fizemos o nosso”, explicou o presidente, detalhando a motivação para a fundação do Canelight.

Da simplicidade à tradição: a trajetória do Canelight

Fundado em 2001, o Bloco Canelight iniciou sua jornada de forma humilde, com apenas 38 pessoas desfilando com o básico: uma corda de sisal e segurança improvisada. O nome peculiar também tem uma história curiosa, ligada à origem. Segundo Jair Almeida, a intenção inicial era criar um espaço de convívio e alegria para os moradores do bairro. “Eram 38 pessoas que só saíam para tomar cana. Então tinha que ser uma cana light, suave, para não ter problema. Aí juntou com Canela e virou Canelight”, contou o fundador, em um relato que demonstra a autenticidade e o espírito comunitário do bloco, como destacado pelo Campo Grande NEWS.

Atualmente, o bloco completa 25 anos de folia e reúne um público expressivo de cerca de 1.200 a 1.300 foliões. “Só não crescemos mais porque ainda não temos estrutura para atender a essa demanda”, admitiu Jair Almeida, evidenciando o potencial de crescimento do Canelight. Além do desfile anual, o bloco mantém um forte compromisso com ações sociais ao longo do ano, oferecendo assessoria jurídica gratuita e promovendo oficinas de dança, música e percussão. Essas iniciativas visam fortalecer a cultura local e ampliar oportunidades para a comunidade, consolidando o papel do bloco para além da festa, conforme verificado pelo Campo Grande NEWS.

Inclusão e apoio: os pilares do bloco

A política de inclusão é um dos pilares do Bloco Canelight. Embora vendam abadás, o bloco mantém uma abordagem flexível em relação aos pagamentos. “A gente cobra, mas a pessoa paga o que tiver. Não deixamos ninguém de fora”, garantiu Jair Almeida, reforçando o compromisso com a acessibilidade e a participação de todos. Essa filosofia garante que a alegria do Carnaval seja acessível a um público mais amplo.

Jair Almeida também fez questão de ressaltar a importância crucial do apoio institucional para a permanência e o sucesso dos blocos de base no Carnaval de Salvador. “Quero agradecer ao governo do estado, porque é quem ajuda a gente. Sem os governos municipal e estadual, bloco pequeno não sairia. Muitos só conseguem ir para a rua por causa desse apoio”, afirmou, referindo-se aos programas de incentivo à cultura que viabilizam a realização de eventos como o desfile do Canelight.