Juiz solta coach irônica após prisão por violência digital contra sogra e cunhada

A influenciadora Daniele Santana Gomes, conhecida como “Coach Irônica”, foi solta nesta terça-feira (10) em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, após ter sua prisão preventiva revogada pela Justiça. A decisão, proferida pela 2ª Câmara Criminal, manteve as restrições que já estavam em vigor no processo, como a proibição de contato com as vítimas e o comparecimento periódico em juízo. Daniele estava detida desde 30 de janeiro por descumprir ordens judiciais que a impediam de fazer publicações contra sua sogra e cunhada.

A influenciadora, que soma dezenas de ocorrências envolvendo acusações de perseguição, difamação e ameaças, foi presa preventivamente após continuar com os ataques virtuais em suas redes sociais, mesmo após determinações para excluir conteúdos e cessar postagens. A Justiça considerou que as medidas anteriores não foram suficientes para impedir novas condutas, destacando os efeitos da violência digital sobre a saúde mental das vítimas.

O caso ganhou repercussão e o advogado de Daniele, Oswaldo Meza, solicitou a substituição da prisão por medidas cautelares, como tratamento psiquiátrico obrigatório, proibição do uso das redes sociais e monitoramento eletrônico. O Tribunal acolheu o pedido de liberdade, mas não impôs medidas adicionais, apenas manteve as restrições já existentes.

Coach Irônica é solta, mas restrições permanecem

O desembargador Waldir Marques, relator do acórdão, determinou a soltura imediata da influenciadora, com o cumprimento das seguintes medidas preventivas: proibição de aproximação e contato por qualquer meio com as vítimas, comparecimento bimestral em juízo para comprovar endereço, dever de comparecer em atos processuais se intimada, e proibição de ausentar-se da comarca sem prévia comunicação do juízo competente. Conforme o advogado responsável, o desembargador entendeu que não havia necessidade de ampliar as restrições, afirmando que “Está tudo mantido, sem tornozeleira. Não foi imposta nenhuma medida especial, somente as que já existiam”.

Entenda o caso de violência digital

Daniele Santana Gomes, a “Coach Irônica”, estava presa desde 30 de janeiro. A prisão foi decretada após o descumprimento de ordens judiciais que a proibiam de ter contato e fazer publicações contra sua sogra e cunhada. As determinações incluíam a exclusão de conteúdos ofensivos das redes sociais e a proibição de novas postagens mencionando as denunciantes. No entanto, a Justiça apontou a continuidade de ataques virtuais no Instagram e TikTok, o que motivou a decretação da prisão preventiva com base na necessidade de interromper as condutas e garantir a proteção das vítimas.

Defesa alega desproporcionalidade e busca por laudo psiquiátrico

No pedido analisado pela Justiça, a defesa de Daniele alegou que a prisão era desproporcional e sustentou que a influenciadora apresenta transtorno psiquiátrico. Os advogados afirmaram que ela abandonou tratamento há anos e que precisava de acompanhamento médico, mas não apresentaram laudos no momento do pedido. Para sustentar a tese, a defesa anexou vídeos gravados pelo ex-marido em 2021, relatos dele, matérias jornalísticas e uma denúncia feita pela própria influenciadora contra um psiquiatra. Os advogados informaram que buscariam o documento com o diagnóstico para envio posterior ao Judiciário, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

Violência digital e seus efeitos na saúde mental

A decisão que decretou a prisão preventiva da influenciadora destacou os graves efeitos da violência digital sobre a saúde mental das vítimas. O processo registra dezenas de ocorrências envolvendo acusações de perseguição, difamação e ameaças, evidenciando a persistência das condutas mesmo após as medidas judiciais. O processo continua em andamento na 4ª Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, conforme informações checadas pelo Campo Grande NEWS, que acompanha o caso de perto. A equipe do Campo Grande NEWS ressalta a importância de medidas eficazes para combater a violência digital e proteger as vítimas.