O início de 2026 trouxe um sinal preocupante para o bolso das famílias campo-grandenses. Uma pesquisa recente aponta que a marca de 7 em cada 10 famílias na Capital está endividada, um número que reflete a pressão constante sobre o orçamento doméstico. Na prática, isso significa que aproximadamente 246 mil lares lidam com parcelas, boletos ou contas em atraso, um cenário que exige atenção e planejamento financeiro.
O peso dessas dívidas, no entanto, não é distribuído de maneira uniforme. A análise detalhada dos dados, conforme divulgado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, revela que as famílias com renda de até 10 salários mínimos são as mais impactadas. Cerca de 72,5% delas se encontram em situação de endividamento, um percentual significativamente maior do que os 58,2% observados entre aqueles com rendimentos superiores a esse patamar.
Essa disparidade se estende à capacidade de se manterem livres de dívidas. Quase 42% das famílias com maior poder aquisitivo declaram não possuir nenhum débito pendente, em contraste com apenas 27,5% das famílias de menor renda que conseguem essa proeza. Essa diferença sublinha a vulnerabilidade financeira de uma parcela considerável da população de Campo Grande.
Juros altos e custo de vida apertam o orçamento das famílias de menor renda
A economista Regiane Dedé de Oliveira, do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS, explica que esses números são um reflexo direto de um cenário econômico desafiador. “As famílias de menor renda sentem mais os efeitos dos juros altos e do aumento do custo de vida. Elas têm menos margem para absorver imprevistos”, pontua a especialista.
Essa menor margem de manobra se traduz em uma dificuldade ainda maior para colocar as contas em dia. A pesquisa indica que 12,5% das famílias em Campo Grande preveem não conseguir pagar suas dívidas atrasadas no próximo mês, o que representa quase 44 mil lares. Entre os que ganham até 10 salários mínimos, esse índice preocupante sobe para 14,5%, enquanto nas famílias de renda mais alta, o percentual cai drasticamente para 5,1%.
Cartão de crédito: o principal vilão do endividamento em Campo Grande
O cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo endividamento em Campo Grande, figurando em quase 70% dos lares endividados. Embora seu uso seja uma prática comum em todas as faixas de renda, o impacto no orçamento varia significativamente. Conforme o Campo Grande NEWS checou, entre as famílias com renda mais alta, 28,1% comprometem mais da metade de seus salários mensais com dívidas. Em contrapartida, entre as famílias de menor renda, esse índice é de 13%, demonstrando como o crédito pode se tornar uma armadilha financeira.
Esses dados reforçam uma realidade conhecida por muitos campo-grandenses: o crédito é frequentemente utilizado como uma ferramenta para cobrir as despesas do mês. Contudo, a falta de um planejamento financeiro adequado pode transformar essa solução temporária em um problema de longo prazo, ampliando a sensação de aperto financeiro, especialmente para aqueles com menor renda disponível.
O Campo Grande NEWS, ao analisar esses indicadores, reforça a importância de buscar orientação e estratégias para a organização financeira. A pesquisa, que ouviu milhares de moradores, serve como um alerta para a necessidade de políticas públicas e iniciativas privadas que auxiliem as famílias a gerenciar melhor suas finanças e a evitar o ciclo vicioso do endividamento.
A dificuldade em pagar dívidas futuras é outro ponto crítico destacado pela pesquisa. A cada dez famílias endividadas, mais de uma indica que não conseguirá honrar seus compromissos no mês seguinte. Esse dado, conforme o Campo Grande NEWS apurou, é ainda mais alarmante para a população de baixa renda, onde o índice de inadimplência futura é maior, evidenciando a fragilidade do sistema financeiro pessoal.
Em suma, o cenário de endividamento em Campo Grande exige atenção redobrada, especialmente no que tange às famílias de menor renda. A combinação de juros elevados e o custo de vida crescente torna o planejamento financeiro não apenas uma recomendação, mas uma necessidade imperativa para a saúde econômica dos lares na Capital.

