A esperança de um futuro digno para cerca de 300 famílias que vivem na favela Cidade dos Anjos, em Campo Grande, ganha contornos mais concretos. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, comprometeu-se a viabilizar a regularização fundiária da comunidade até 2027. A promessa foi feita durante uma visita surpresa ao local, que fica em uma área de antigo lixão no Parque do Lageado, com solo contaminado.
A notícia da potencial solução, divulgada pelo Campo Grande NEWS, traz alívio a moradores que há anos convivem com condições insalubres. A visita do ministro, que não constava em sua agenda oficial na capital, marcou um ponto de virada nas articulações para o reassentamento das famílias. Boulos identificou a existência de terrenos da União aptos para receber um novo conjunto habitacional, a ser construído através do programa Minha Casa, Minha Vida Entidades.
Durante a visita, o ministro expressou a urgência da situação, descrevendo a área como uma “periferia pesada de Campo Grande”. Ele relatou a precariedade das moradias e os riscos à saúde dos moradores, especialmente das crianças, devido à contaminação do solo. A iniciativa de Boulos atende a uma orientação direta do presidente Lula, que determinou a resolução do caso.
Projeto em fase inicial e prazos definidos
O projeto para a construção das novas moradias encontra-se em fase inicial de elaboração. Estão previstas reuniões entre lideranças comunitárias e autoridades para alinhar os detalhes e garantir a viabilidade da construção. O ministro Boulos ressaltou que a construção de um conjunto habitacional demanda tempo, mas assegurou que tudo será feito para agilizar o processo. “Não é de um dia para o outro. Um conjunto habitacional não fica pronto em menos de um ano e meio. Mas nós vamos fazer o que for possível. Foi orientação do presidente Lula. Esse caso é para resolver”, afirmou o ministro.
A expectativa agora é que, em aproximadamente um ano e meio, as famílias possam ter suas novas casas. Camila Alves, 35 anos, uma das lideranças da comunidade, demonstrou otimismo com o compromisso firmado. “Já mostrou uma área que agora vai ser estudada, mas deu um prazo para a gente de um ano e meio para esperar, que não é rápido, mas só da esperança de a gente sair daqui desse lugar, né, já tá ótimo”, disse ela, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Articulações avançam e áreas da União são mapeadas
Desde a visita de Boulos, as articulações para tirar o projeto do papel não pararam. Camila Alves confirmou que participará de reuniões para discutir o projeto na próxima semana. O superintendente do Patrimônio da União no Estado, Tiago Resende Botelho, também está empenhado em viabilizar áreas da União e destravar o projeto. A proposta é que a construção das moradias ocorra por meio do programa Minha Casa, Minha Vida Entidades.
“Já identificamos uma área, estamos aguardando a confirmação do Ministério das Cidades, e o Boulos também vai fazer as tratativas por Brasília”, informou Botelho. A identificação de terrenos da União disponíveis foi um passo crucial, como destacou o próprio ministro em entrevista posterior, afirmando que “tem terreno para fazer o projeto, começamos a elaborar o projeto. Não vai ser para amanhã, mas startou”.
Um novo lar para cerca de 300 famílias
A situação na Cidade dos Anjos é emblemática das dificuldades enfrentadas por populações em áreas de risco e de ocupação irregular. O antigo lixão, além de insalubre, representa um perigo iminente para a saúde dos moradores. A regularização fundiária, neste caso, vai além da posse da terra, significando a garantia de moradia digna e segura para centenas de famílias.
O programa Minha Casa, Minha Vida Entidades tem como objetivo facilitar a construção de moradias para grupos organizados, como associações e cooperativas. A participação das lideranças comunitárias é fundamental para o sucesso do projeto, garantindo que as necessidades e anseios dos futuros moradores sejam atendidos.
A promessa do ministro Guilherme Boulos, endossada pelo presidente Lula, demonstra um compromisso do governo federal em solucionar problemas habitacionais complexos. A expectativa é que, até 2027, as 300 famílias da Cidade dos Anjos deixem para trás as condições precárias e iniciem uma nova vida em moradias seguras e adequadas, um marco para a comunidade e para a gestão pública, como salientou o Campo Grande NEWS em sua apuração.

